Adelson Elias Vasconcellos
O dia de hoje, apesar de feriado, produziu três exemplos típicos do tormento que toma conta do país. Três atores, três discursos, uma mesma indigência moral.
Começo com Tarso Genro (eta figurinha patética!). Quando a gente pensa que já esgotou seu repertório de sandices, ele consegue se superar com novas tolices.
Depois de ter levado uma surra do Supremo que, simplesmente, reduziu a pó e mandou os restos mortais para o lixo – me refiro ao relatório que o iluminado produziu para conceder refúgio político ao assassino italiano Cesare Battisti -, depois do STF ter simplesmente cassado o tal refúgio, ao invés de ficar quieto e deixar a bola com quem está, Lula, o seu chefe, que é quem vai dar a palavra final, esta figura ridícula achou por bem esbofetear, uma vez mais, uma nação soberana e amiga do Brasil, democrática há mais tempo do que nós, para tentar justificar seu proselitismo vagabundo e vigarista.
Só que desta vez, Tarso conseguiu a proeza de demonstrar porque o considero uma merda de ministro: apesar de ser advogado, apesar de ser Ministro da Justiça, e até por ser um cidadão brasileiro, situações em que, ao menos, deveria conhecer a Constituição de seu próprio país, hoje (ou ontem) conseguiu conceder a si mesmo um atestado de ignorância e analfabetismo jurídicos. Impressionante !
Vá lá que ele não conheça a Constituição italiana, até deveria, dado que se pôs a querer julgar o Poder Judiciário daquele país. Porém, deveria ao menos ter certo domínio da Constituição brasileira. Exibindo um certo ar de intelectualidade, com toda a empáfia que o faz estufar o peito, pronto a revelar o maior segredo da humanidade, ao abrir a boca.... pura decepção. Esperando-se uma lição de alto valor jurídico, o que se ouve é apenas mais uma tolice, para não se dizer coisa pior. Parece que daquela boca só sai produto deteriorado, exalando um cheiro muito ruim.
Tentando ser mais do que realmente é, um vermezinho ignorante, Genro voltou a dizer que a Itália não quis extraditar Salvatore Cacciola. Pois bem: a Constituição italiana é de 1948, a brasileira de 1988. Em ambas está dito que nenhum dos países, Brasil e Itália, EXTRADITAM SEUS CIDADÃOS NATOS. Cacciola é cidadão italiano, portanto, sua extradição para o Brasil só poderia ocorrer caso ele fosse preso em outro país que não a Itália. O que aliás, foi exatamente o que aconteceu, foi preso no Principado de Mônaco. E, a exceção da Colômbia, no restante do mundo, a lei de extradição é a mesma em todas as constituições: NENHUM OUTRO PAÍS DO MUNDO EXTRADITA SEUS CIDADÃOS NATOS, com exceção, como disse, da Colômbia. Portanto, o que queria o senhor Genro, que o governo italiano chutasse a constituição de seu próprio país? Quem foi o incompetente que deixou Cacciola fugir? Quem lhe deu a alforria necessária para tanto? Perguntem ao Marco Aurélio de Mello, ministro do STF! Assim, a incompetência foi nossa, não dos italianos. Se aqui, o governo de seu chefe tem o péssimo hábito de chutar as leis para atender suas conveniências político-partidárias, na Itália, como de resto nos demais países civilizados do planeta, a lei está acima de tais “conveniências” ou vigarices.
Quem coloca as leis abaixo da linha da cintura são países bananeiros com ministros maloqueiros.
Aliás, tivesse Genro um pingo de moral e respeito até para consigo mesmo, não ficaria a todo instante alegando que o Brasil tem tradição em conceder refúgio político para políticos e ditadores. Isto ao invés de nos engrandecer, só demonstra nossa pequenês moral e falta de respeito para com as nações desenvolvidas. Quanto mais ficar achando que Battisti ficou na França por 11 anos abrigado da justiça italiana. Claro que, por mera conveniência, Genro simplesmente ignorou as decisões concessivas de extradição de Battisti concedidas pela Justiça e Conselho de Estado francês, pós-Mitterrand. E nem tocou na decisão da Corte Européia de Direitos Humanos, que reconheceu a lisura nos processos condenatórios italianos.
O melhor que Tarso Genro faria para o bem do Brasil, e dele próprio, seria simplesmente CALAR A BOCA ! Chega de tanta ignorância moral, analfabetismo legal e atraso mental. Chega de enlamear a instituição que pretende representar.
E o pior é que esta excrescência ainda periga virar governador dos gaúchos. Ninguém merece!!!
Mas não foi apenas este iluminado que deu sua contribuição para as patetices do governo no dia de hoje. Celso Amorin, aquela impoluta figura que conseguiu reduzir a política externa brasileira a seu nível mais indecoroso e ordinário, achou que poderia se juntar à Genro em ignorância e, em igual proporção, em analfabetismo. Já não bastasse a comédia pastelão que ele ajudou a montar na embaixada brasileira em Honduras, e desconhecendo completamente o que determina a constituição hondurenha, segundo a qual o golpista, o vigarista que pretendia dar um golpe de estado, de fato, foi o tal Zé Laya, intrometendo-se completamente aparvalhado numa discussão que é, basicamente, assunto interno de uma nação independente, voltando a afirmar que Micheletti sequer deveria estar no governo por se tratar de um golpista.
Alô, alô, Itamaraty: será que não há ninguém aí para ler para o Amorim o que determina a Constituição de Honduras, que é para ele fechar a matraca e parar de falar besteira ? E vejam o seguinte: não tivesse nem Brasil nem Venezuela se intrometido num assunto que não lhes dizem respeito, e muito provavelmente, Zé Laya já teria silenciado, e se recolheria à sua insignificância de golpista que não deu certo. E, acreditem, Honduras já teria voltado à normalidade. O Homem do Chapéu só esta insuflando um golpe, por ainda contar com apoio de Amorin e Chávez. Pressionado, teve que assinar um acordo, do qual, desde o início não cumpriu uma única cláusula.
Mas, é lógico, indigência moral no Brasil não seria completa sem o chefão dos indigentes. O leitor já sacou que me refiro a Lula. Sim, ele não poderia ficar fora do noticiário das imbecilidades do dia.
Ao receber o Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, Lula disse o que segue:
“Quem deveria estar à frente do processo é a ONU, não os Estados Unidos - que são um dos responsáveis pela crise. Por isso o Brasil reivindica mudanças na ONU, para que ela seja representativa de 2010, e não de 1948, quando foi criada, porque a geopolítica do mundo mudou.”
Santo Deus! Tivesse Lula se dedicado a estudar história universal, principalmente, e teria se poupado de tamanha barbaridade. Dizer ou afirmar tamanho disparate é indicativo não apenas de ignorância sobre os fatos da história, mas revela o sentimento boçal de um anti-americanismo injustificável, que, de certa forma, tem sido a bússola a indicar o norte moral da nossa diplomacia da Era Amorin.
Começo pelo princípio: não tivesse Israel, país livre, única democracia existente em todo o Oriente Médio, desferido o ataque na Guerra dos Sete Dias, em 1967, quem é que teria sido varrido do mapa? E, naquela guerra, que papel desempenhou os Estados Unidos que, é bom lembrar, estava bastante envolvido com seu Vietnam para se intrometer noutra guerra? A resposta é uma só: NENHUM ! E, é bom notarem, não fosse a presença dos Estados Unidos tentanto, nestes anos todos, mediar os conflitos e desavenças entre palestinos e israelenses, e há muito tempo Israel teria deixado de existir como nação livre e independente. Sequer existiria.
Semana que vem, aliás, Lula receberá ninguém menos do que Mahmoud Ahmadinejad, o homem que promete varrer Israel do mapa e que já negou o Holocausto. Não só isso: é também o financiador do terrorismo no Líbano, nos territórios palestinos e no Iraque. Assim, não fossem os americanos, nenhum conselho de segurança de ONU alguma seria capaz de deter o extermínio de Israel. Se ainda existe alguma chance de paz naquela região, se ainda não ocorreu um verdadeiro genocídio, é justamente em razão da intervenção americana. Em momento algum, há evidências dos americanos provocarem a guerra pelo contrário. Em todas as suas iniciativas, sempre buscou a paz e o entendimento entre os desafetos. E se ela não foi obtida, as razões estão do outro lado, com quem a diplomacia brasileira da Era Amorin - Lula se banqueteia entre sorrisos, juras de amor eterno e troca de gentilezas.
Senhores: esta indigência moral ainda nos custará muito caro. Primeiro, é reveladora de que não temos condições nem morais muito menos políticas de estarmos sentados no Conselho Permanente de Segurança da ONU. País que adota discurso e política devotados ao terrorismo, que adula ditadores e se intromete de maneira vigarista em assuntos internos de nações amigas e democráticas, que sequer respeita as leis que governam a paz, a ordem e o progresso desta mesmas nações, país bananeiro que se banqueteia em festins em presença de ditadores e homicidas, não tem direito de reivindicar posição para o qual se exige um mínimo de decoro e honradez.
Se queremos ser respeitados como nação séria, devemos pagar o preço que a seriedade exige. Uma delas, por certo, é ficarmos do lado dos países que respeitam as leis, a história e, principalmente, que não se vangloriem de sua indigência moral.