Adelson Elias Vasconcellos
Vários foram os artigos que publicamos, de uns dois meses para cá, defendendo o projeto de lei do senador Paulo Paim sobre o reajuste das aposentadorias dos trabalhadores da iniciativa piravada.
Não sem razão, afirmamos que, da forma como o governo Lula tem se comportado nesta questão, está praticando uma desumanidade sem limites sobre quem dedicou uma vida inteira para construir um Brasil melhor.
Não é justo que alguém, tendo contribuído durante mais de trinta anos para poder usufruir de uma aposentadoria que lhe assegurasse uma velhice segura e feliz, veja, ano após ano, o valor que recebe sendo dilapidado sem nenhuma justificativa, já que não cabe aos aposentados serem responsabilizados pela má gestão dos recursos que ficaram a cargo dos governos.
Na oposição, Lula e os petistas, sempre fizeram baderna contra a redução praticada. Agora, no governo, estes mesmos agentes, contrariando o seu passado, adotam as mesmas políticas desumanas que tanto combateram.
Já disse e provei que o tal "déficit" da Previdência não passa de uma mentira escandalosa. E fui mais longe: provei que o propalado déficit não é consequência dos valores de aposentadorias e pensões pagos à iniciativa privada, e sim, fruto de uma legislação que protege a integralidade das aposentadoras dos servidores públicos, enquanto os da iniciativa privada são tratados como trabalhadores de quinta categoria. Portanto, se alguém deve pagar pelo déficit, são aqueles que o provocaram.
Graças a defesa quase que intransigente que temos feito do projeto do senador gaúcho, inúmeros e-mails de apoio nos tem sido enviados. Pode o governo tentar justificar sua posição do jeito que quiser, mas ela não passa de pura cretinice. Da mesma forma, reinteramos a posição de que as negociações que o governo insiste em manter com centrais sindicais, é um acinte. Nenhuma central tem o menor interesse em contrariar o governo que lhe abastece as arcas sem fiscalização nenhuma. Não se pode reconhecer nas centrais sindicais autoridade moral para negociar em nome dos aposentados. O negócio desta gente é bem outro, seus interesses não coincidem com o interesse dos aposentados.
Tivesse o governo Lula um mínimo de respeito e consideração para sua mistificação de "prioridade social", e chamaria à mesa para negociar quem realmente representa o interesse dos aposentados. Insistir em manter o valor reduzido à metade do benefício original concedido à luz da legislação, é insistir na desumanidade. Teimar em manter as negociações via centrais sisndicais, é demonstrar seu desprezo e dar às costas para os milhões de brasileiros que um dia acreditaram no país e dedicaram sua vida, de forma honesta e sob imensos sacrifícios, para construí-lo.
Dentre os e-mailos recebidos, publico abaixo um comunicado da Federação dos Aposentados e Pensionistas do Estado de São Paulo - FAPESP, através de sua Assessoria de Comunicação Social e que, de fato, representa o sentimento destes milhões de brasileiros que estão sendo deixados à própria sorte, por um governo insensível às justas reivindicações que expressam.
Cedo ou tarde, a "política madrasta" com que o governo Lula tem tratado a questão, acabará atingindo e prejudicando outros milhões de trabalhadores da iniciativa privada que hoje se mantém ativos. Portanto, o assunto, de uma forma ou de outra, se revela como de interesse público. E, neste sentido, a sociedade deve levantar-se para exigir que o governo não promova esta política desprezível de tratar milhões de brasileiros com tamanho descaso.
FEDERAÇÃO DOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS DO ESTADO DE SÃO PAULO
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
www.federacao.net
PROPOSTA DO GOVERNO É CONSIDERADA PIADA
O Presidente da Fapesp, Antônio Alves da Silva, disse neste sábado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, que considera absurda a proposta do governo de aumento dos aposentados que ganham mais de um salário mínimo ser de apenas 6,02%. A notícia é manchete de capa no jornal AGORA http://www.agora.uol.com.br/ e revela que a intenção do governo é reajustar os vencimentos dos aposentados e pensionistas em 2010, com base em 50% do PIB de 2008. Na reportagem, segundo o AGORA, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha deixa entender que o governo não pretende dar um centavo a mais aos aposentados, apenas 6,02% --3,47% da inflação prevista para este ano mais 2,55%, o equivalente à metade do crescimento do PIB do ano passado.
A Fapesp que já estava insatisfeita com as negociações feitas pelas Centrais no mês passado, quando pedia 80% do PIB, agora fica mais insatisfeita ainda. Leva a apostar nos projetos que tramitam em Brasília, principalmente o PL 01/07, que prevê reajustes iguais para todos os aposentados.
A célebre frase do presidente da Fapesp, quando acompanhou a Cobap na reunião das Centrais em São Paulo esta refletida na proposta publicada pelo jornal neste sábado. Naquela ocasião para descontentamento dos representantes das Centrais, Antonio Alves da Silva disse: " Para o governo, aposentado bom é aposentado morto". O posicionamento da Fapesp criou um clima de revolta das Centrais, que nesta reunião defendiam com "unhas e dentes" o Governo Federal, que alguns chamavam de " o nosso governo". Em contrapartida, o presidente da Fapesp recebeu apoio da maioria dos aposentados.
A Federação dos Aposentados e Pensionistas de São Paulo já havia pedido a Cobap, Federações e associações de todo o pais, que deixassem de lado o posicionamento das Centrais e concentrassem fogo nos projetos em Brasilia, principalmente no PL 01/07. O posicionamento de Antônio Alves da Silva e a Fapesp tem sido acompanhado por todas as associações de São Paulo e outras Federações como a de Minas Gerais e outros estados brasileiro.
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