quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Alguns alertas no comércio externo

Editorial Estadão

O comércio exterior do primeiro mês do ano nem sempre permite descobrir uma tendência para o ano inteiro - só alguns alertas. Uma comparação com o mesmo mês do ano anterior não tem muito sentido, pois janeiro de 2009 foi marcado por um período de crise aguda da economia mundial. Assim, não devemos dar muita importância ao fato de que as exportações, em janeiro de 2010, apresentaram crescimento de 21,3%, em relação ao primeiro mês do ano passado, e as importações, de 16,8%.

Parece-nos mais importante notar que, enquanto as exportações de janeiro de 2010 apresentam (pela média diária) crescimento de 10,2% em relação à media de todo o ano passado, as importações aumentam 12,4%. Isso mostra que podemos ter, como em 2009, um crescimento maior das importações do que das vendas externas, apesar de uma recuperação ? embora mínima ? da economia mundial.

Quanto às exportações por fator agregado, em janeiro, em comparação com o resultado de 2009, nota-se redução de 17,7% dos produtos básicos, aumento de 4% dos semimanufaturados e queda de 9% dos manufaturados.

A evolução dos produtos básicos pode refletir uma queda do preço do petróleo e do minério de ferro, assim como um recuo das compras chinesas em razão dos seus estoques. O crescimento dos semimanufaturados se deve essencialmente às exportações de açúcar e celulose. O que nos parece altamente negativo é a queda dos manufaturados, que por enquanto se concentra em automóveis e aviões.

Ao examinar as importações, seguindo a mesma comparação, registra-se uma evolução que deveria alertar as autoridades: as importações de bens de capital crescem 8,1%, o que é favorável, mas, para as outras categorias, o resultado parece consolidar a negativa tendência de 2009. As importações de matérias-primas e de bens intermediários apresentam aumento de 18,1%; as de bens de consumo duráveis, de 23,1%; e as de não-duráveis, de 4,9%. No caso dos combustíveis registra-se um crescimento mínimo (0,1%), que reflete nossa autonomia.

Nas exportações por blocos econômicos houve, em janeiro, em relação a dezembro, recuo para todas as regiões, com exceção dos EUA (aumento de 9,8%), e, enquanto as vendas para a China caem 9%, a União Europeia se torna nosso melhor cliente.

O resultado de um mês não firma tendência para o ano inteiro, porém algumas anomalias merecem ser analisadas.