quinta-feira, fevereiro 04, 2010

'O PT quer eleger a ministra Dilma sem voto'

Desabafo do senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, em entrevista, hoje, à CBN, a propósito do documento do Ministério do Desenvolvimento Social que sugere mudanças futuras no programa Bolsa Família, a depender de quem for eleito para suceder Lula. Comentamos em seguida.

“É desonesta a ameaça. O fato concreto é: digamos que eu sou uma pessoa do interior do Nordeste do Brasil, vivo lá com 130, 140, 200 reais, e eu minha família. De repente eu sou informado que no próximo governo ninguém garante se meus direitos ao Bolsa Família vão continuar ou se eles vão desaparecer. Isto está nas entrelinhas da instrução e evidentemente claro na ameaça que está contida do próprio documento do ministério. Ora, isso é coisa irresponsável com o povo, claramente eleitoral”.

“Na eleição passada, eu me lembro bem, eu estava no interior de Pernambuco numa cidade chamada Araripina. De repente, isso já no segundo turno, quando o Geraldo Alckmin tinha se aproximado muito do candidato Lula, eu encontrei dois ou três documentos de associações que não existiam dizendo que o PSDB, se ganhasse a eleição, ia acabar com o Bolsa Família, e ia privatizar um banco muito conhecido e que dá financiamento aos pequenos produtores, o Banco do Nordeste do Brasil. Que ele então, ia passar a trabalhar para os barões, para os latifundiários e poderosos. Isso eles fizeram no segundo turno da eleição”.

“Agora eles estão fazendo essas ameaças, disseminando a mentira, o terrorismo, para as pessoas simples do Brasil inteiro na pré-campanha ou antes ainda da pré-campanha. Isso dá uma medida do que esse pessoal vai fazer para não entregar o governo. O problema dessa eleição é que o PT não quer entregar o governo. O PT quer eleger a ministra Dilma sem voto, quer empurrar essa candidatura na goela de todo o mundo. Esse é que é o fato concreto”.

“E a ameaça é o instrumento deles: se os tucanos ganharem vão acabar a Bolsa Família, você que está esquecido no fim do Brasil, nas áreas mais pobres do Brasil, vai sofrer. Isso eles dizem todos os dias nos palanques e é uma mentira!! Nos não temos nada contra a Bolsa Família, fomos nós que inventamos isso, nós achamos que o presidente Lula foi até muito bem nesse assunto. Nós sempre dissemos isso. É mentira, é terrorismo, é seguramente a ação dessa gente”.

“A ministra esqueceu da verdade há muitos anos. Infelizmente ela não gosta de falar a verdade. Por um bom período achei que ela era uma pessoa séria, mas ela não tem argumentos, faz uma campanha muito débil, toda vez que ela aparece , ela perde e ela agora está com esse tipo de ação que não honra nem a democracia nem a ministra”.

“Nós não vamos acabar com coisa nenhuma , nós vamos fazer obras decentes, não vamos aprovar obras indecentes, vamos manter e ampliar a Bolsa Família porque achamos que é certo. Fomos nós que a criamos. A nossa impressão digital está lá, começou no governo Fernando Henrique. Tudo isso é uma grande fraude, é apenas o prenúncio do que será essa campanha: mentira e terrorismo”.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Ontem já comentamos o tal documento editado pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Ela, claramente, é canalha ao extremo. Hoje, Patrus Ananias veio a público para dizer que, o que está escrito, “não é bem assim”. Isto é bem o estilo do petismo. Inegável, porém, é o tal documento é textual e não permite segundas interpretações.

Quanto ao desabafo do Sérgio Guerra ele é irreparável. Contudo, este tipo de manifestação só não basta. É preciso levar seus redatores à Justiça. Isto afirmei ontem aqui. E não apenas o partido PSDB deveria acionar judicialmente o Ministério do Desenvolvimento Social, mas também o Ministério Público Federal deveria oferecer denúncia. Afinal, eles são tão ciosos no cumprimento da lei em condições bem mais simples, não é mesmo?

Pode ser que os tucanos comecem a de4spertar para a realidade: a situação só está chegando ao extremos do terrorismo eleitoral que, aliás, e o Pete sabe muito bem disso, sempre foi a marca petista de fazer campanha política, isto é, a prática do terrorismo eleitoral mais sórdido, mas porque, também, o PSDB procurando fazer “oposição responsável” acabou esquecendo de fazer política. Desde o primeiro discurso já no poder, em que Lula passou a tratar as conquistas do governo FHC como “herança maldita”, os tucanos deveriam ter partido para a briga política, para oposição sem tréguas. Deveriam ter defendido sua própria obra, da qual jamais deveriam se envergonhar, muito pelo contrário: graças a ela, o Brasil pode desfrutar não apenas de estabilidade econômica e institucional, mas também de importantes conquistas no campo social.

Na medida em que abrandaram o discurso e fugiram da boa briga política, deram margem para Lula e seus cúmplices, a esparramarem a desinformação, a mentira, a mistificação.

Lula cresceu não apenas porque sempre um hábil político, mas, principalmente, por conta do vazio que a oposição feita principalmente pelos tucanos deixou criar no cenário político nacional.

Mesmo depois das patifarias praticadas na campanha eleitoral de 2006, parecem não terem apanhado o suficiente para caírem na real. Quando Lula lançou o PAC, deveriam imediatamente ter informado o país todo da empulhação. Mas se agiram com timidez absurda, foram omissos e vazios. Lula chegou aos 80% de aprovação muito por conta do que recebeu de boa herança, muito por conta, também, do crescimento da economia mundial durante prolongados seis anos e dos quais nos beneficiamos tremendamente. Mas isto só não explica tudo: seu crescimento se deu pelas mentiras que espalhou, e contra as quais os tucanos simplesmente deixaram de contrapor.

Claro que há um longo caminho a ser percorrido até as eleições em outubro. Mas a estratégia de ação política do PSDB deverá sofrer profunda modificação. E ela começa em que o partido não pode ter medo de agir em defesa de seus pontos de vistas, em atacar e desmentir categoricamente as mentiras espalhadas por Lula e Dilma em palanque país afora, ou em aproximar do povo com todos os recursos de que dispuser para desmascarar o mistificador. Em suma, o PSDB precisa, urgentemente, voltar a fazer política. Pode até parecer simples, mas tal obviedade para estar distante do entendimento da oposição.

O tal documento sobre o Bolsa Família precisa ser combatido em todas as direções. E o discurso do Sérgio Guerra precisa estar presente nas mentes dos eleitores, não esquecendo que oitenta por cento da população é desinformada. Não é tarefa fácil combater um partido que conta com a máquina destruidora que o petismo tem a seu serviço. Mas é preciso enfrentá-la com determinação. Não há outro caminho.