segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Um artigo corajoso, porém verdadeiro

Adelson Elias Vasconcellos

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez publicar um artigo em vários jornais do país, (nossa publicação foi compilada do jornal Zero Hora  - RS), onde mais uma vez colocou os verdadeiros pingos nos “is”. Claro que os comentaristas e jornalistas que vivem se rastejando para o oficialismo caboclo das esquerdas, torcerão o nariz. O ex-presidente sabe bem disso, deve ter mirado bem as consequências, mas, mesmo assim, teve a coragem de escrever algumas verdades que andavam meio esquecidas, além de não ficar calado diante dos ataques imbecis – sem falar do sentimento de inveja - que Lula sempre lhe dirige.

É bom que as pessoas deste país, principalmente, aquelas que não tem o saudável hábito da leitura e da busca diária de informação, possam conhecer a verdade. Porque, desde que Lula chegou no Planalto, o que se ouve são mentiras, distorções, calúnias, autopromoção enganosa e falsa, numa liturgia de messianismo como jamais se viu. Se o santo que se tenta elevar fosse ao menos sincero e humilde, vá lá, a gente até suportava este movimento de idolatria bocó. Contudo, querer se construir uma figura endeusada na mistificação... Bem, aí não dá!

Faz tempo que Lula tenta impor uma eleição plebiscitária, do tipo “meu governo” e o “governo deles”. Já expliquei aqui em mais de um artigo que esta estratégia não passa de vigarice, charlatanismo autêntico porque, dentre outras, algumas razões: primeiro, em 2010, concorrerão Serra contra Dilma, e não Fernando e Lula. Segundo, qualquer presidente que seguisse a FHC, por obrigação, teria que fazer um governo melhor, com mais avanços, dado o projeto que o ex-presidente desenvolveu e implantou. Terceiro, a comparação verdadeira deveria ser o Brasil que FHC recebeu com o que Lula recebeu. Quarto, o mandato de FHC encontrou uma economia mundial em frangalhos, tentando achar o caminho, tanto que a média de crescimento anual naquele período foi inferior a 2,5%, ao passo que no período de Lula, ao contrário, a economia mundial cresceu de forma positiva em médias superiores a 5 % anuais, algumas economias com crescimentos médios até acima da 7%, com a expansão do comércio mundial como nunca se viu nos últimos tempos.

Assim, condições diferentes não permitem comparações. Por esta razão, o que seria justo comparar seria o Brasil que cada um recebeu e o legado que cada um deixou. Mas se tal comparação fosse feita, muitas das mentiras que Lula conta nos palanques viriam à tona, e isto seria um desastre para a santificação da figura.

Portanto, a leitura de textos em que a história dos fatos é respeitada, e é narrada na forma exata como os fatos se passaram, é uma bênção em meio ao lamaçal mistificador de Lula & Cia.

Disse lá em cima que muitos torcerão o nariz. Além dos petistas, é lógico, uma parte da imprensa, mesmo quando FHC estava no poder, o atacava noite e dia. Nunca se ouviu, porém, o ex-presidente queixar-se da imprensa e tomar qualquer iniciativa para tentar cercear esse direito. Respeitava como respeita  o direito que ela tem de expressar seu pensamento, de dar opinião. Talvez seja por isto: tem gente que, para amar, precisa apanhar...

E agora, não perderão a oportunidade para atacar o ex-presidente. E tentarão fazer aquele jogo bestial de que, se ele escreveu isto, é porque estava querendo dizer aquilo. Não importa. Fernando Henrique, acredito, queria dizer exatamente o que escreveu: de que não tem medo da comparação, de não temer o passado, encerrando de forma absolutamente correta com “...Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer...”. O problema é que o lulismo só conhece a linguagem da mentira e da calúnia. O caráter desta gente se chafurda na lama.

Semana passada afirmei aqui que os tucanos não tem do que temerem o período em que estiveram no poder. Pelo contrário, a obra que deixaram e que Lula encontrou, é motivo de orgulho. O Brasil, com Lula ou qualquer outro, não teria chegado no ponto que atualmente desfruta sem que o governo de FHC tivesse implementado as reformas que fez. Tivesse Lula antecedido a FHC e, por certo, o país teria naufragado, porque em 1995 estava, de fato, falido. E, naquele tempo, Lula desenhava outro programa de governo, e duvido que tivesse a coragem que FHC teve para arriscar seu capital político pelo Brasil.  Se não o faz hoje, muito menos o faria em 1995. FHC e sua equipe não apenas tiveram a coragem de fazer o que era preciso, muito embora o preço político que tiveram que amargar, como ainda recolocaram o país no rol das nações sérias do planeta. E isto, lá fora, apesar dos arroubos e das mentiras que Lula não se cansar de contar, é o que todos sabem e reconhecem: O Brasil de Lula não seria o que é não tivesse havido antes dele um Brasil de FHC. Talvezs esta seja a explicação para a obsessão doentia de Lula em relação a FHC.

Que os tucanos reflitam bem no Brasil que encontraram em 1994, e no legado que entregaram a Lula em 2002. E mais: que façam um adequado diagnóstico no que se converteu o Brasil governado pelo petismo. O espaço para se construir um verdadeiro projeto em benefício do país é enorme. O PSDB precisa apostar, por si e pelo próprio Brasil, num projeto de união, e não de divisão como é o projeto de Lula desde 2003. Se estiverem imbuídos de verdadeiro espírito cívico, se souberem traçar as rotas que precisam ser corrigidas e apresentarem-se ao eleitorado sem patetices, falando a verdade sem temerem as mentiras, calúnias, ataques e baixarias que caracterizam o espírito sórdido dos petistas enquanto em campanha, estejam certos que encontraram na população a receptividade necessária para vencerem. Mas precisam ter altivez e se unirem em torno de um projeto comum, pondo de lado as vaidades pessoais capazes de deslustrar qualquer projeto, por melhor que seja . Há muita munição para ser usada, em favor deles mesmos e contra os petistas. É só fazer a coisa certa.