Comentando a Notícia
Já analisamos aqui que, independeente de quem suceder Lula a partir de 2011, não terá outra saída senão aplicar um ajuste fiscal drástico, caso contrário a atual estabilidade econômica ficará seriamente comprometida. Alinhamos também a análise sobre este tema de vários especialistas, todos unânimes, chegando à mesma conclusão: ou isto, ou o país passará a enfrentar dificuldades que se imaginava ultrapassadas.
Dilma declarou em Porto Alegre, que a ideia de ajuste fiscal é algo ultrapassado. Que o atual momento econômico dispensa tal medida. Bem, isto é o que nós vamos ver. Dilma começaria muito mal seu governo se acaso insistisse no mesmo conceito. A questão fiscal nada tem de ultrapassado. Trata-se de um corretivo que deve ser aplicado sempre que um governo não consegue conter seus gastos muito além das receitas. É precisamente o que vem ocorrendo no Brasil, e não é fato recente.
Pode ser até que a candidata do Lula diga isso pelo fato de estarmos em período de campanha e teme que se afirmar que o país precisará de uma pequena intervenção cirúrgica em suas contas, isto acabe abrindo flancos para avaliações quanto a saúde econômica do país.
Como disse, o ajuste será indispensável para garantir que o governo, no médio prazo, eleve a capacidade de investimento público que, apesar do discurso, continua muito aquém do necessário e do possível. Portanto, tempo ao tempo. Mas seria bom que os jornalistas guardassem esta declaração no bolso. Acho que a Dilma não sabe bem o que lhe espera.
Na sua fala, ainda, há dois momentos que precisamos observar. Um é quando afirma que temos capacidade de fornecer energia para um crescimento de até 7%. Inevitável perguntar: e acima disso, há capacidade suficiente de geração elétrica? E, se no próximo ano, continuar esta seca que estão esvaziando os reservatórios rapidamente, não poderá provocar um colapso de abastecimento?
Outro ponto a ser ressaltado é quanto ao caos de nossa infraestrutura. Apesar da dona Dilma reconhecer a necessidade de investimentos, acredita que o colapso não é real. Errado: só diz isto quem não depende da infraestrutura para a consecução de seus negócios. Nossa infraestrutura já enfrenta, sim, um colapso real.
Quando digo que esta senhora não está capacitada para exercer nem lojinhas de bugigangas, aliás já teve uma e quebrou, é por conta desta autossuficiência arrogante de não reconhecer problemas que afetam a vida do país. Abaixo, há a reprodução de um artigo publicado pelo Estadão com nossos comentários, sobre PORTOS ESGOTADOS.
A informação é de João Guedes, especial para O Globo / Reuters.
Dilma afirma que 'papo do ajuste fiscal é atrasado' e diz que terá bom comportamento em debate
PORTO ALEGRE - A candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, definiu nesta sexta-feira a defesa do ajuste fiscal no país como uma ideia ultrapassada, alegando que a medida não seria necessária no atual cenário econômico.
- O papo do ajuste fiscal é a coisa mais atrasada que tem. Não se faz ajuste fiscal porque se acha bonito. Faz porque precisa. E eu quero saber, com a inflação sob controle, com a dívida pública caindo e com a economia crescendo, vou fazer ajuste para contentar a quem? Quem ganha com isso? O povo não ganha - argumentou a ex-ministra, em entrevista coletiva concedida no hospital de Porto Alegre onde, na quinta-feira, nasceu seu primeiro neto, Gabriel .
Envolvida ao mesmo tempo com a campanha eleitoral e com a chegada de um novo membro na família, Dilma entendeu a palavra fraude quando um jornalista fazia uma pergunta sobre fraldas. A candidata interrompeu o repórter, dizendo que não falaria sobre o assunto.
- Perguntem isso ao meu adversário. Isso é pauta dele - disse.
Ainda nesta sexta-feira, Dilma afirmou que terá bom comportamento no debate frente ao seu principal adversário, José Serra (PSDB), na sede da RedeTV!, em São Paulo, no domingo.
- Não posso esperar nada de ninguém. Minha expectativa é em relação a mim. Vou me comportar muito bem - disse Dilma.
A candidata aposta que a interrupção de sua agenda de campanha em virtude do nascimento do neto não deverá ser mal interpretada por eleitores.
- Todo mundo sabe como é isso. É um momento quase de celebração - ela afirmou.
Dilma admitiu deficiências na área de infraestrutura, mas afastou a hipótese de colapso no setor durante os próximos anos. Em sua avaliação, há garantia de fornecimento de energia para o crescimento econômico de até 7%.
- Em que pese a necessidade de investimentos na infraestrutura, a previsão catastrofista (sic) sobre o colapso da infraestrutura não é real - disse.