quinta-feira, setembro 23, 2010

Dentro do previsto, nova pesquisa aponta queda de Dilma

Comentando a Notícia

Uma coisa é certa: Lula quando sobe o tom, é porque, de antemão, ele já sabe que a pesquisa lhe foi negativa. E esta pedra cantamos aqui. Não deu outra: a nova pesquisa Datafolha mostra uma queda na preferência por Dilma em cinco pontos. Como a última pesquisa foi na semana passada, e não apontou oscilação visível, convenhamos que, cinco pontos no espaço de uma semana, faz muita diferença.

Contudo, em pesquisas localizadas, sabia-se que Dilma já perdera pontos em Brasília e no Paraná, assim como também nas camadas mais escolarizadas também já se acusava ligeira queda na preferência pela candidata governista.

Tais oscilações terão o efeito de levar a eleição presidencial para o segundo turno? Impossível precisar. Mas já se constata que as notícias sobre as lambanças na Casa Civil produziram, sim, efeitos negativos para Dilma. Fica entendido que, a ferocidade de Lula nos palanques, tinha procedência. E por uma razão bem simples: Lula não admite a possibilidade de prolongar a eleição para além do 1º turno. Ele sabe que, havendo uma segunda rodada, toda a lógica que se desenhava na estratégia petista perderá efeito.

A começar, porque os tempos de exposição na tevê e no rádio serão iguais. Assim, Serra ou Dilma terão oportunidade de melhor expor seus projetos. Dilma precisará rever todo seu comportamento de fuga ao debate que até aqui tem sido favorável, já que Lula é seu mais notável cabo eleitoral.

E por que Dilma precisará mudar seu comportamento? Simplesmente porque ficará mais exposta. Não poderá contar com o aparato que a isola de se expor de forma direta com o eleitor.

Como disse aqui, ter a eleição praticamente definida em primeiro turno e, de repente, se ver obrigada a recomeçar praticamente do zero, será uma ducha fria nos ânimos dos petistas.

E aí começa a valer o castigo para Lula. Em Campinas, de forma raivosa, agrediu aos berros e tratou com total desprezo a verdadeira opinião pública brasileira. Como também menosprezou de forma acintosa os quatro por cento que consideram seu governo ruim ou péssimo, como se estes não fossem brasileiros também, com o direito assegurado na constituição até para discordarem. Comprou uma briga gratuita com toda a imprensa ao chamá-la de “mídia golpista”, porque esta teve a ousadia de noticiar fatos reais sobre o lobby montado e em pleno funcionamento dentro da Casa Civil.

De fato, senhor Lula, o povo brasileiro não é tão burro quanto vossa excelência imagina. Não se deixa levar pelo destempero e pela truculência em palanques de governantes que se imaginam acima do bem ou do mal.

Muito embora apenas uma ínfima parcela da população tenha informação plena dos escândalos, acho que a política dos “grandes empregos, grandes negócios”, não tem sido do agrado da turma, não.

A gente pensava que a tal parceria público-privada, as PPP’s, lançadas com tanta pompa e estardalhaço, tinham outro objetivo do que a realidade tem demonstrado.

Por Alec Duarte, para Folha.com, o resultado da pesquisa Datafolha.

Vantagem de Dilma sobre adversários cai 5 pontos

Nova pesquisa presidencial Datafolha divulgada nesta quarta mostra que a diferença entre a candidata do PT, Dilma Rousseff, para os demais adversários somados caiu cinco pontos percentuais (de 12 para 7 pontos) com relação ao levantamento anterior, realizado nos dias 13, 14 e 15.

A petista agora aparece com 49% (tinha 51% há uma semana), contra 42% de todos os outros postulantes (que apareciam com 39%). José Serra (PSDB) está em segundo, com 28% (tinha 27% na semana passada), enquanto Marina Silva oscilou positivamente dois pontos percentuais e passou de 11% para 13%.

É o primeiro levantamento do instituto após as revelações de tráfico de influência e a consequente crise que culminou com a demissão da sucessora de Dilma na Casa Civil, Erenice Guerra --52% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento do caso, mas apenas 13% julgam-se bem informados sobre o episódio.

Brancos e nulos somam 3% na nova pesquisa (ante 4% da semana passada), enquanto 5% dos eleitores entrevistados se declaram indecisos (dois pontos percentuais a menos do que o cenário dos dias 13, 14 e 15).

As movimentações estão dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Segundo o Datafolha, pesquisa a ser feita na próxima semana deverá mostrar se trata-se de uma tendência ou apenas um registro do momento em que o levantamento foi realizado.

Dilma caiu principalmente nos segmentos dos que possuem renda familiar mensal entre 5 e 10 salários mínimos (10 pontos), nível superior de escolaridade (três pontos) e têm entre 35 e 44 anos (quatro pontos).

O crescimento de Marina Silva se deu entre os mais escolarizados (onde a verde cresceu quatro pontos) e os que têm renda de 5 a 10 salários mínimos, faixa em que a candidata do PV saltou de 16% para 24% (Serra subiu de 28% para 34%).

Considerados apenas os votos válidos (excluindo-se, portanto, brancos e nulos), a candidata petista, que figurava com 57% no levantamento anterior, lidera a corrida presidencial com 54% das intenções de voto. José Serra (PSDB) está com 31% (tinha 30%), e Marina Silva (PV), chegou a 14%.

Quanto menor a diferença entre o líder das intenções de voto e os demais candidatos, maior a probabilidade de um segundo turno (para ser eleito numa única rodada de votação, um candidato precisa de 50% mais um dos votos válidos ou superar a soma de seus rivais).

Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Zé Maria (PSTU), Eymael (PSDC), Rui Pimenta (PCO), Ivan Pinheiro (PCB) e Levy Fidélix (PRTB) não atingiram 1% (porém foram mencionados e, juntos, equivalem a essa parcela da votação).

O Datafolha também perguntou aos eleitores como eles se comportariam num eventual segundo turno entre Dilma e Serra. A petista receberia 55% (dois pontos a menos que no levantamento da semana passada), enquanto o tucano ficaria com 38%, três pontos percentuais a mais do que exibia na semana passada.

A pesquisa, contratada pela Folha e pela Rede Globo, foi realizada nos dias 21 e 22, em 444 municípios de todo o país, com 12.294 eleitores. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 31.330/2010.