Adelson Elias Vasconcellos
Já faz um certo tempo que adotei como definição do PT, o partido do crime organizado no poder. De lá para cá, outra coisa este partido não tem feito senão tornar a definição cada dia mais exata.
Não se trata, apenas, de terem como norma de conduta a mentira, o cinismo e a impostura, como traço de caráter. Estas três marcas é perfeitamente identificável tanto em Lula e Dilma, como nos dirigentes partidários, assim como nos militantes de carteirinha do partido. É como se o DNA desta gente tivesse como elemento comum o mesmo gene, o mesmo traço.
Mas a propensão para afrontarem a lei, para ultrapassarem quaisquer limites de honra, de moral, de ética, e até de decência quando está em jogo o interesse do partido, é algo que choca a qualquer pessoa com um mínimo de escrúpulos. É impressionante a capacidade de fazerem suas vítimas serem culpadas de si mesmas.
Quando comentei aqui, na semana passada, a versão dada pelo secretário da Receita Federal e o “cara” da Corregedoria sobre a quebra de sigilo fiscal dos tucanos, tive o cuidado de, primeiro, demonstrar que os petistas são useiros na composição de dossiês contra adversários políticos, e que “plantam” na imprensa versões tais que fica parecendo que o partido nada tem a ver com a história. Lembram do caso Lunus, contra Roseana Sarney? Quem plantou a versão de que a operação da Polícia Federal tinha sido encomendada pelos tucanos? Pois é, lendo-se agora as múltiplas versões que se contam sobre a quebra de sigilo fiscal dos tucanos, impossível não identificar as digitais dos petistas. Mas ele vão insistir em criar múltiplas versões, como forma de se gerar confusão, para que as investigações – manipuladas – não se centrem sobre pessoas ligadas ao partido ou, mais especificamente, sobre o comando de campanha de dona Dilma. O objetivo é gerar dúvida sobre se os criminosos são ou não culpados e, se possível, de se culpar as próprias vítimas pelo crime cometido contra elas.
Recentemente, parida dentro da Casa Civil então comandada pela própria Dilma, o dossiê que se tentou criar contra o ex-presidente Fernando Henrique e sua esposa, dona Ruth, teve e seguiu, basicamente, o mesmo roteiro. Ao crime, deu-se o nome singelo de “banco de dados”, e acabou ninguém punido. No caso dos aloprados, então bem denso como ação criminosa de quadrilha, a até então eficiente Polícia Federal, chegou ao cúmulo de encerrar o caso sem culpar ou indiciar ninguém, apesar do dossiê existir, da mala de dinheiro – 1,7 milhão de reais – e apesar do flagrante no interior de um hotel.
Agora, a sempre tão ágil Advocacia Geral da União, que nada tem a ver com o caso da quebra dos sigilos, já está sendo usada para impedir que Eduardo Jorge continue a ter acesso ao inquérito que está apurando o crime cometido contra ele mesmo ! É um acinte. Ora, de um lado, a Receita Federal conta uma historinha fantasiosa, ora, e de outro lado, a Polícia Federal está sendo usada para empurrar as investigações com a barriga.
Reparem nisto: somente após Eduardo Jorge ter obtido na Justiça o direito de ter acesso ao inquérito é que se descobriu que o crime era ainda maior do que a própria Receita Federal até então admitia. E, ainda assim, a AGU quer agora impedir que as vítimas saibam do andamento das investigações. Justificativa calhorda que a AGU apresenta: as investigações estão sendo feitas em sigilo!!!! Para esta gente o único sigilo que não vale é o direito que a Constituição garante e que é da responsabilidade da Receita. Para este direito, a Receita garante acesso amplo num mercado criminoso, seja para montagem de dossiês contra adversários políticos, seja para uso e fruto da bandidagem que os comercializa sobre o manto protetor da própria Receita!
Há, contudo, dois “poréns” nesta lambança que até agora nem a Receita, nem a AGU tampouco a Polícia Federal conseguem explicar: um, é que somente os sigilos dos tucanos foram parar nas mãos dos petistas da campanha de Dilma e, dois, por que são exatamente os mesmos nomes também envolvidos em dossiê petista de 2002, que, aliás, iria se transformar em “livro” de Amaury Ribeiro Filho !!!!
Insisto que temos aí não um, mas dois crimes gravíssimos contra o estado de direito: de um lado, o comércio de dados sigilosos que se vendia a céu aberto como informa o Globo. Em, de outro, a ação inescrupulosa de gente do Petê, se utilizando da bandalheira existente na
Receita, para ter acesso a dados de políticos tucanos ou a eles ligados, para a montagem de dossiês de natureza político-eleitoral.
Inadmissível é o comportamento delinquente, por exemplo, tanto de Dilma Rousseff quanto o tal Alexandre Padilha,ministro das Relações que deveriam ser Institucionais, e que estão se transformando em Anti-Constitucionais. A primeira, de forma cínica e cretina, exige as provas. Nem precisava de tanto, dona Dilma: fale com seu Secretário da Receita Federal, ou peça emprestaado o CD que O Globo gravou com os dados sigilosos que vinham acompanhados de um Manual de Instruções para garantir o cometimento do crime. E o segundo, de forma cafajeste e descarada, acha que as vítimas estão tentando criar um palanque fictício, ou seja, que as vítimas não podem queixar-se de terem seu sigilo devassado de forma ilegal.
E, não bastassem estes dois atores patéticos além da turma da AGU e da própria Receita Federal, com toda a delinquência de que são capazes, agora, até o Gilberto Carvalho, secretário de Lula, entra na roda da cretinice para tentar criar uma intriga entre os tucanos com uma versão estúpida e imbecil. Ou seja, reparem quanta gente o governo do crime organizado está mobilizando na tentativa de afastar o crime do gabinete de Lula e da campanha de Dilma ! E o mais incrível: todas as versões são apenas para justificar o crime, nunca para negá-lo, Todas as mentirosas falas tentam, de forma absurda, culpar as vítimas, nunca os criminosos.
Agora aqui um pequeno parêntese: digam, por que as funcionárias da Receita Federal – que é quem, no fundo, receberão alguma forma de acusação e punição, ou seja, é quem pagarão o pato da vez- teriam esta curiosidade digamos ... mórbida, para atualizar um dossiê com dados sigilosos de tucanos ligados a Serra e estes mesmos dados foram parar com os petistas da campanha de Dilma? Prestação de serviços voluntários? Uma OVA. Se agiram como agiram é porque alguém as instruiu para que assim agissem, lhes encomendando os dados, lhes dando autorização para tanto. Neste caso, quem foi ou foram os mandantes do crime?
Outra perguntinha que fica é; por que diabos, a filha de Serra, residente em São Paulo, tendo tantos outros meios para fazê-lo, teria outorgado procuração a um estranho - sabe-se que foi um homem - para que ele fosse até Santo André acessar suas declarações de renda ? Não creio que a filha de Serra fizesse sua própria declaração. E neste caso, quem fez, não teria tido o cuidado de guardar uma cópia ou, pelo menos, salvou em arquivo, a cópia do recibo de entrega? Sabe-se que, com o protocolo que o sistema fornece no recibo de entrega, qualquer brasileiro pode acessar sua própria declaração no mesmo sistema, até para providenciar correção de dados!
O que ressalta disto tudo é que o Petê continua o mesmo partido do crime organizado de sempre e, calhordamente, continua usando das instituições do Estado, numa afronta total ao regime das leis vigentes, principalmente a Constituição, para atuar politicamente. Estamos, sim, vivendo um regime de exceção, um estado policialesco, onde as garantias do cidadão estão sendo esbulhadas para que o partido permaneça no poder. E isto caracteriza, sim, gostem ou não, o governo do crime organizado.
Como reagirá a sociedade? Como, doravante, irá se comportar certa imprensa genuflexa ao som da flauta farsesca do Petê? Não sei, temo que nem uma nem outra mudem de atitude. Que tudo permaneça do jeito que está. E, neste caso, adeus democracia, adeus constituição cidadã, adeus estado de direito!!! Em 2006, escrevi uma série de artigos nos quais alertava a sociedade para o que chamei de “ponto de ruptura” institucional que já, naquele ano, se desenhava de forma fragorosa. Agora, quatro anos depois, vemos que este ponto de ruptura institucional avançou muitos passos a mais. O tal Plano Nacional de Direitos Humanos, a agenda de projetos paridos na tal CONFECOM, e até o Plano de Governo de Dilma que ela assinou “sem ler”, são demonstrações inequívocas dos próximos passos que serão dados para que a ruptura seja total. Aliás, as declarações últimas de Franklin Martins e da Marco Aurélio Top-Top Garcia, não deixam margem de dúvidas.
Portanto, não se iluda a sociedade brasileira: esta gente sem pejo algum, só pensa na instalação de um regime fascista no Brasil, onde as elites, políticas e econômicas, serão agraciadas com os brindes distribuídos de forma graciosa para se manterem aderidas ao partido, onde o povão permanecerá anestesiado pelo pão-e-circo dos bolsas-votos, mas onde as instituições do Estado se tornarão meros departamentos dependentes e controladas pelo partido assentado no governo.
Quem não souber fazer a adequada leitura do que está em curso, e, ainda em tempo hábil reagir, ou, mesmo tendo a noção exata do que se passa mas não se contrapõem talvez até porque tal situação lhes favoreça, lhes é útil e conveniente, não poderá alegar falta de aviso quando a lambança petista estender suas garras por sobre os domínios do estado de direito democrático para sufocá-lo,
Como o país se recupera deste tombo? Bem, resistimos por vinte e tantos anos ao regime da ditadura de direita, vamos ver quantos serão precisos para resistirmos à de esquerda. A certeza que fica é que o Brasil é muito maior do que eles todos, e que cedo ou tarde, mandará para a lata lixo todos os cafajestes que nos cercam, mesmos aqueles com 80% de aprovação popular, pertencentes aos PT do C, ou, partido dos trambiqueiros do crime organizado...