Evandro Éboli, O Globo
A Receita Federal, que vive hoje uma de suas maiores crises institucionais, é há muito tempo alvo de disputas internas entre grupos que controlam as dez superintendências no país.
Durante muito tempo, o comando do órgão esteve nas mãos de um grupo ligado a Jorge Rachid, auditor de carreira que foi homem de confiança de Everardo Maciel (secretário da Receita no governo Fernando Henrique) e que hoje ocupa o cargo de adido tributário nos Estados Unidos.
Os adversários de Rachid viram em sua demissão pelo ministro Guido Mantega a chance de ter mais voz dentro do órgão e, ao mesmo tempo, ganhar força para negociar demandas que estavam engavetadas pelo comando anterior.
Essa chance veio com a chegada de Lina Vieira ao poder, que trouxe com ela demandas das superintendências no Nordeste e no Rio.
Com a queda de Lina, dirigentes da Receita ameaçaram com uma demissão em massa. A escolha de Otacílio Cartaxo, que era o segundo na hierarquia do órgão, ajudou a acalmar os ânimos.
Mas as acusações de aparelhamento da Receita não foram contornadas. Cartaxo, agora, está no centro do escândalo das quebras de sigilo de tucanos.
E não é apenas na disputa pelo poder que a Receita é afetada por turbulências. Analistas tributários e auditores fiscais trabalham no mesmo lugar, mas vivem em pé de guerra. Não se suportam.
O episódio que envolveu a analista Antônia Aparecida Rodrigues Neves e outras servidoras investigadas sob suspeita de ter acessado e vazado dados fiscais de tucanos trouxe à tona esse racha.