Leonardo Souza e Fernando Odilla, Folha De S. Paulo
Providências indicam que quebra de sigilo de Veronica já era investigada
Uma semana antes de o Ministério da Fazenda sair em defesa da analista tributária que acessou os dados de Veronica Serra, a corregedoria da Receita Federal já havia mandado lacrar o computador da servidora.
Isso indica que a Receita já tinha constatado que o sigilo fiscal da filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, havia sido violado.
Em ata do dia 24 de agosto, à qual a Folha teve acesso, a corregedoria da Receita mandou reter o disco rígido e a estação de trabalho usada pela analista Lúcia de Fátima Milan no dia 30 de setembro de 2009, dia em que as declarações de renda de Veronica foram impressas ilegalmente.
Na mesma ata, a servidora foi notificada de que passaria a ser investigada no procedimento aberto pela corregedoria para apurar a violação do sigilo dos dados de Eduardo Jorge Caldas Pereira, revelada pela Folha em junho.
As declarações de renda de Veronica Serra foram impressas a partir de uma solicitação de dados falsificada encaminhada à Receita. A assinatura e o carimbo do cartório constantes do documento foram forjados.
Quando a violação foi revelada, o governo tentou sustentar a versão de que o acesso aos dados da filha de Serra teria sido feito de forma legal.
A Receita alegou, na ocasião, que era impossível a funcionária saber se a procuração era falsa porque o documento estava devidamente preenchido, com assinatura e firma reconhecida.
Anteontem, o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, isentou de culpa a funcionária que acessou os dados de Veronica. Disse que documentos "sem sinal de fraude ou adulteração" devem ser acatados pelos servidores.