Leonardo Barreto, O Estado de São Paulo
O formato do debate foi interessante porque pôde trazer aos candidatos questões cotidianas, formuladas pelos próprios eleitores. Ao mesmo tempo, isso prejudicou um pouco Dilma Rousseff. As perguntas formuladas tratavam de problemas que as pessoas estão vivendo no dia a dia, trazendo com elas uma crítica à candidata da continuidade do atual governo.
Quando são os eleitores que formulam as questões, eles trazem mais credibilidade. Dilma acabou se prejudicando no sentido de ter, a todo momento, de falar que o problema já está sendo resolvido, o que ficou um pouco contraditório. No caso de José Serra, ele ficou muito à vontade. O candidato tem mais experiência em termos de debate, tem mais traquejo e se saiu melhor em boa parte das perguntas.
Como a crítica à atual gestão já vinha na questão, para ele marcar um gol ficava mais fácil. Nesse sentido, o formato favoreceu o candidato do PSDB. Dilma ficou mais na defensiva e Serra teve a oportunidade de desenvolver melhor seus argumentos. Mas isso é eleição. Quem está no governo sempre tem de se defender, faz parte do jogo.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É bem provável que trechos do debate já se encontram em vídeos espalhados pela internet. Quem puder rever, que o faça. Esta foi a primeira vez nesta campanha, e pena que já no seu final, que os candidatos se viram diante da verdadeira face do Brasil. Foram colocados frente a frente com o Brasil real, seus problemas, suas mazelas, suas deficiências e atrasos, muito diferente do Brasil da fantasia exibida pela campanha governista na tevê.
Tenho por princípio não brigar com pesquisas. Sei que umas são mais sérias que outras, mas a metodologia atualmente empregada, acaba distorcendo a realidade de todas elas. Se de um lado, Lula goza de 80% de popularidade e aprovação, não dá para crer que os serviços públicos, avaliados pelos mesmos institutos, sequer cheguem a 50% de aprovação, e isto raramente, porque a grande maioria está abaixo da linha de extrema pobreza. Ora, se os serviços prestados são de responsabilidade deste governo que aí está, como pode ele ser peça isolada do conjunto da obra?
Voltemos ao debate. Apesar de prometer o paraíso ainda mais colorido do que Lula canta no palanque, Dilma não conseguiu justificar porque a má qualidade da saúde, por exemplo, não foi arrumada agora? Ou da educação, ou do saneamento, etc.
Se ganhar Dilma, sua vitória terá que ser computada à capacidade maravilhosa de Lula mentir e ser acreditado, e na competente campanha na tevê, produzida por João Santana.
Mas, neste caso, infelizmente, quem perderá será o país como um todo. Deus queira que esteja enganado, muito embora o currículo de Dona Dilma não a recomende nem para fiscal de linha de transporte público!