Sergio Lamucci e Samantha Maia , Valor Econômico
Decorridos 16 anos da entrada em vigor do Plano Real, o grau de indexação da economia brasileira ainda provoca estragos, mas diminuiu significativamente. As tarifas de energia elétrica e telefonia fixa, com peso expressivo na inflação, consideram a produtividade e custos específicos que amorteceram o repasse automático do passado - e se descolaram bastante dos Índices Gerais de Preços (IGPs). Mas a influência da inflação pretérita subsiste no aluguel e na educação, enquanto que a variação do salário mínimo alavanca os custos da mão de obra. Levantamento do Valor aponta que 32,7% dos itens relevantes do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) são indexados total ou parcialmente - energia, telefonia fixa, aluguel, condomínios, empregado doméstico, mão de obra, educação, planos de saúde, água e esgoto, produtos farmacêuticos, pedágios e transporte urbano.
Acreditar que a inflação do ano seguinte será pressionada porque o IGP-M do ano anterior foi alto, como em 2009, deixou de ser uma aposta confiável, diz o economista Fábio Romão, da LCA Consultores. De 2000 a 2005, os preços administrados aumentaram 96,1%, enquanto o IGP-M acumulou alta de 88%. Já de 2006 a outubro deste ano, a evolução foi bastante diferente: os preços administrados no IPCA avançaram 17,6%, pouco mais da metade dos 31,6% do IGP-M no período.
Acreditar que a inflação do ano seguinte será pressionada porque o IGP-M do ano anterior foi alto, como em 2009, deixou de ser uma aposta confiável, diz o economista Fábio Romão, da LCA Consultores. De 2000 a 2005, os preços administrados aumentaram 96,1%, enquanto o IGP-M acumulou alta de 88%. Já de 2006 a outubro deste ano, a evolução foi bastante diferente: os preços administrados no IPCA avançaram 17,6%, pouco mais da metade dos 31,6% do IGP-M no período.
O professor Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, admite que, hoje, a indexação é menor do que no começo do Real, mas ainda a considera expressiva, porque a inflação brasileira não é muito baixa. Uma elevação anual na casa de 4,5% a 5,5% não é desprezível e leva a uma busca de proteção. Alguns serviços mostram altas expressivas desde 2004, com aumentos superiores à variação do IPCA ou mesmo do IGP-M. O item cursos (educação) subiu 58,99% e os planos de saúde, 79,36%.