quarta-feira, dezembro 01, 2010

Rede britânica reforça denúncia de corrupção contra Ricardo Teixeira

Folha de São Paulo

No mesmo dia em que o jornal suíço "Tages-Anzeiger" publicou reportagem citando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, como uma das pessoas vinculadas a uma lista secreta de pagamentos de uma empresa "fantasma" associada à Fifa, a rede britânica "BBC" divulgou que exibirá um programa, chamado 'Panorama', engrossando a denúncia.

Procurado nesta segunda pela Folha, Teixeira disse, por meio de sua assessoria de comunicação, que não iria comentar o assunto.

Reprodução/BBC.co.uk
Reprodução do site da BBC

De acordo com a emissora, Teixeira, que também é o responsável pela organização da Copa do Mundo de 2014; o presidente da CAF (Confederação Africana de Futebol), Issa Hayatou; e o presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), Nicolas Leoz, receberam suborno da empresa de marketing esportivo ISL, que possuía diretos exclusivos da Copa do Mundo e contratos milionários de transmissão --mas terminou falindo em 2001--, entre os anos de 1989 e 1999.

As propinas teriam aparecido em um documento confidencial listando 175 pagamentos no total de US$ 100 milhões (cerca de R$ 172 mi). A denúncia é reforçada por Roland Buechel, ex-diretor da ISL. Alguns detalhes da história teriam emergido em 2008, quando seis dirigentes da empresa foram acusados de desvio de dinheiro.

Os acusados não responderam às alegações do "Panorama", a exemplo da Fifa.

A lista da ISL acrescenta que uma companhia denominada Sanud, sediada em Liechtenstein, recebeu 21 pagamentos totalizando US$ 9,5 milhões (quase R$ 16 mi). Segundo o programa, "Teixeira era fortemente ligado à mesma, conforme CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Senado brasileiro mostrou.

Teixeira, Leoz e Hayatou integram o grupo de 22 dirigentes do Comitê Executivo da Fifa que escolherão na próxima quinta-feira as sedes dos Mundiais de 2018 e de 2022.

As denúncias se somam, entre outras, às que deixaram o taitiano Reynald Temarii e o nigeriano Amos Adamu de fora da votação do dia 2 de dezembro.

Inglaterra, Rússia e as candidaturas conjuntas Espanha-Portugal e Holanda-Bélgica disputam a organização da Copa de 2018, enquanto Austrália, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e Qatar desejam organizar o Mundial de 2022.