domingo, fevereiro 06, 2011

Gastança de Lula é herança maldita para Dilma Rousseff

Ricardo Setti, Veja online

Quando mencionei, mais de uma vez, uma “herança maldita” de Lula para Dilma aqui no blog, fui muito criticado por alguns leitores.

Pois bem, o que é que esses leitores críticos acharam dos números da gastança do ex-presidente, cujos resultados cairão nas costas da nova presidente?

O ex-presidente começou seu governo com gastos públicos equivalentes aos do segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: 15,14% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso foi em 2003.

Dali para a frente, os gastos foram subindo, subindo… até que, no ano passado, as despesas bateram todos os recordes desde que se faz esse tipo de registro: sonoros 19,14% do PIB. E isso com Lula, em pessoa, assegurando que a contenção de gastos seria instrumento de controle da inflação.

PROXIMIDADE DAS ELEIÇÕES AUMENTOU A GASTANÇA

A coisa ficou feia, mesmo, na metade do segundo mandato de Lula, ou seja, à medida que se aproximavam as eleições. Só para vocês terem uma ideia — e não estou contando nenhuma novidade, os dados foram divulgados para quem quisesse ver –, de 2009 para o ano das eleições, 2010, o governo gastou 128 bilhões a mais, com as despesas públicas atingindo um patamar de 700 bilhões de reais.

Uma elevação, de uma só vez, de um ano para o outro, em uma pancada, de incríveis 22,4%.

Agora, com a inflação em alta, o Plano de Aceleração do Crescimento em vigor e a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 aguardando investimentos urgentes, a presidente tem que cortar pelo menos 50 bilhões do Orçamento e, ainda por cima, o Banco Central vai ter que subir mais e mais a taxa básica de juros, hoje de 11,25%.

Isto porque a inflação, que, fechando o ano com 5,9%, passou longe do centro da meta planejada (4,5%), agora ameaça estourar seu teto (6,5%) — o que nunca aconteceu desde que o sistema de metas de inflação foi adotado no Brasil em 1999.

Corte de gastos e alta de juros significam menos dinheiro na praça, que quer dizer menos atividade econômica, que redunda em menos produção e menos emprego — e por aí vai.

Herança bendita, a de Lula?