Ricardo Setti, Veja online
Amigos, mais de 70 mil veículos tecnicamente “contrabandeados” – na verdade, na maioria carros roubados, e roubados no Brasil – já foram legalizados na Bolívia segundo a espantosa norma de “anistia” aprovada pelo presidente Evo Morales e que irá vigorar até 1º de julho.
Trata-se da pomposamente chamada “Ley de Saneamiento Legal de Vehículos Indocumentados”, que deu margem à operação iniciada no dia 10 passado. Com ela, Morales legaliza a roubalheira de automóveis, utilitários e até caminhões provenientes em grande parte do Brasil e aumenta o caixa do governo, porque cada “indocumentado” paga uma taxa que vai de 2 a 3 mil dólares (3,2 a 5 mil reais) para limpar a ficha do veículos
O governo Morales, se fingindo de bobo, dizia estimar em 10 mil veículos “contrabandeados” a serem legalizados, quando até os vendedores demate de coca das ruas de La Paz ou Cochabamba sabiam que eram muito mais. Tanto é que sindicatos de transportadoras estimam que o total verdadeiro chega a 100 mil.
Em recente post, mostrei os protestos de alguns parlamentares brasileiros diante desse desaforo, desse tapa na cara do Brasil que está sendo desferido pela Bolívia.
Na Câmara o deputado Geraldo Resende (PMDB-MS) classificou de “descalabro” a regularização de automóveis ilegais mediante o pagamento de uma taxa e lembrou que carros roubados servem de moeda de troca no tráfico de drogas.
No Senado, por sua vez, o senador Pedro Taques (PDT-MT) apresentou requerimento à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) requerimento convidando os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e das Relações Exteriores, Antonio Patriota, para discutir a barbaridade boliviana.
Vocês já sabem minha opinião: O BRASIL NÃO VAI FAZER NADA E NÃO VAI ACONTECER NADA. Até agora não deu um pio, e assim ficaremos até terminar a operação pirata que Evo Morales revestiu sob a forma de lei.
O Brasil vai ficar como o grandão bobo da escola durante o recreio
Como lembrei no post anterior, os precedentes tanto em relação à Bolívia como, especificamente, à questão de carros roubados que atravessam nossas fronteiras indicam que o Brasil vai ficar como o grandão bobo da escola de que todo mundo zomba no recreio e não reage.
Basta lembrar que Morales colocou o Exército para ocupar duas refinarias da Petrobrás em maio de 2006 e o então presidente Lula passou a mão na cabeça do amigão cocaleiro. Disse, entre várias bobagens, que “compreendia” os motivos do companheiro.
Quanto a carros roubados, bem, os precedentes e “ação enérgica” do Brasil não são maiores. No começo do governo Lula, estimava-se em impressionantes 600 mil o número de veículos roubados no Brasil que circulava sem problema algum no Paraguai. A maior parte da frota do país, mais de 50% do total.
Mal Lula assumiu e o presidente paraguaio da época, Luis González Macchi (1999-2003) concluiu um programa que zerava a origem negra de automóveis e caminhões roubados depois que, decorrido determinado prazo, não tivessem sido oficialmente reclamados por seus antigos proprietários do outro lado da fronteira.
O Brasil ficou quietinho, quietinho.
Um dos poucos carros devolvidos foi o automóvel presidencial: num vexaminoso episódio, a polícia de São Paulo descobriu que o próprio BMW oficial da Presidência fora afanado de um proprietário no bairro de Moema três anos antes.