Jornal revela depoimentos de dirigentes da CBF que afirmam que Fifa não tem interesse na exclusão
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estaria comandando todas as ameaças e pressões para tirar o estado de São Paulo da Copa do Mundo de 2014. Segundo revelações de dirigentes da entidade ao jornal Estado de São Paulo, a pressão vem diretamente do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e não da Fifa, como havia sido divulgado.
Geoff Thompson, ex-vice-presidente da Fifa, que deixou o cargo na última quarta-feira, 02, assegurou que a Fifa não tem interesse em ver a cidade excluída, mas a ideia da CBF é concentrar as atividades no Rio de Janeiro. A cidade demorou a solucionar os problemas políticos e financeiros para a construção do estádio do Corinthians, em Itaquera, e acabou se transformando no maior problema da Copa.
Devido aos problemas, o estado foi excluído da Copa das Confederações e está sob ameaça de perder a cerimônia de abertura do Mundial. Thompson afirma que não há como não incluir a maior cidade brasileira na Copa do Brasil. “São Paulo precisa entrar e vai ser mantida. É muito importante”, afirma.
A relação de Ricardo Teixeira com o PSDB, partido que governa São Paulo há 16 anos, é conflituosa desde o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Durante o governo FHC, duas CPIs investigaram os negócios do cartola. Além disso, Teixeira, que ocupa o cargo desde 1989, é amigo pessoal do senador Aécio Neves (PSDB-MG), envolvido em uma disputa interna na sigla com correligionários de São Paulo.
Após duras críticas, a Fifa disse, nesta quarta-feira, que “tudo está sob controle” em relação à preparação do Brasil para os jogos. “Temos apoio da nova presidente (Dilma Rousseff), que nos deu garantias de que problemas serão superados nas áreas de aeroportos, transporte e acomodação”, afirmou Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade.