Comentando a Notícia
O texto a seguir, de Araripe Castilho, para a Folha de São Paulo, dá bem a mostra do quanto de atraso para o país representam os nove anos de governo petista. Se fossemos calcular o quanto de riqueza o país produz e vê desperdiçada por conta de uma logística de transporte de péssima qualidade, caótica, em estado terminal, e que nunca sai do discurso para a ação efetiva, acreditem, daria para alimentar toda a nossa população com bolsa família durante um bom tempo.
É claro que o governo federal desconversa, diz que investe como nuncadantez, tenta jogar a culpa nos governos anteriores a 2003, mas, caramba, em nove anos não deu para recuperar parte da nossa capacidade de infraestrutura? Quanto mais PT no governo, maior se torna nossa deficiência em rodovias, hidrovias e terminais aeroportuários!
Esta ridícula transferência de responsabilidade não terá o dom de recuperar o atraso. Vimos nos posts anteriores que tanto Lula quanto Dilma são ótimos protagonistas em lançamento de programas, em rebatizar programas alheios para parecerem obras suas, mas são péssimos em executarem os mesmos programas. Não conseguem sair do discurso eleitoreiro, palanqueiro mesmo, para a prática eficiente de gestão pública. Moral da história: além do desperdício de riquezas que se perdem nos antros de uma burocracia falida e ineficiente, precisamos nos constranger em sermos comparados em níveis africanos quanto o assunto é sistema portuário, por exemplo.
Várias vezes apontei aqui que a crise financeira das economias europeias e americana abrem um imenso oceano de oportunidades para o Brasil crescer como economia, distribuindo este crescimento em significativas melhorias na qualidade de vida do nosso povo. São oportunidades que o Poder Público não tem o direito de desperdiçá-las. Contudo, o que vemos são governantes que continuam patinando na sua endêmica incompetência. Talvez tão cedo não tenhamos chances de crescimento como as atuais. Chorar depois será pura perda de tempo.
O pior é que parte desta ineficiência se dá por puro ranço ideológico partidário, ranço centrado em ideologias vencidas e ultrapassadas já mais de cinquenta anos, como é o caso da privatização dos aeroportos. Agora, o país precisará correr contra o tempo para não amargar um prejuízo em sua imagem quando da realização dos eventos como Copa das Confederações, já no próximo ano, a Copa do Mundo em 2014, daqui dois anos portanto, e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
Segue o texto da Folha de São Paulo.
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O tempo gasto pelos navios de carga na espera para atracar no porto de Santos soma 11 anos -isso, contando somente o intervalo de janeiro a outubro de 2011.
O problema não foi registrado somente neste ano. Desde 2006, a perda de tempo supera uma década.
Levantamento feito pela Folha, com base em dados da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), mostra que o pico foi 2010, quando o acúmulo de tempo chegou a quase 14 anos.
Para especialistas, além de travar a competitividade da economia brasileira, essa falha na estrutura logística coloca o sistema portuário do país em nível semelhante ao de países africanos ou das nações menos desenvolvidas do Oriente Médio.
Empresas que fazem o transporte marítimo no Brasil dizem que o prejuízo, de cada navio, varia de US$ 25 mil a US$ 50 mil por dia parado, dependendo do tamanho da embarcação.
Os resultados, subestimados, poderiam ser maiores, já que o cálculo desprezou navios que aguardam menos de um dia para atracar.
O complexo santista é o mais importante do Brasil, ao movimentar 24,5% da balança comercial do país nos dez meses avaliados.
Jorge Araújo/Folhapress
Os navios cargueiros que chegam ao Porto de Santos
tiveram de esperar 95.712 horas para atracar
Para Claudio Loureiro, da Centronave (entidade que representa empresas de navegação), os atrasos em Santos são inevitáveis porque a demanda é muito grande.
'DEFICIÊNCIA PATENTE'
A capacidade dos terminais não dá conta desse volume de cargas, afirma o engenheiro naval e consultor da área Nelson Carlini. "Em todos os segmentos de carga essa deficiência é patente."
Ele diz, porém, que a deficiência não ocorre somente em Santos, tido como um dos melhores portos do país.
"[No Brasil] Estamos no nível da África e do Oriente Médio. Já somos menos eficientes que Argentina, Chile, México e Panamá, assim como todo o Sudeste da Ásia e o Extremo Oriente", disse.
A tendência de crescimento do agronegócio pode agravar ainda mais o quadro se não houver novos investimentos no setor portuário .
Para Carlini, porém, os investimentos estão muito limitados a medidas de acessibilidade ao cais, como sinalização e aprofundamento dos canais. "O ideal seria ampliar significativamente o número de portos em todo o Brasil."
O governo federal afirma que investimentos são feitos maciçamente e que o setor tem sido tratado como prioridade desde 2007.
'BOLA DE NEVE'
Atrasos para atracar num porto representam prejuízos em cadeia, tanto para o produtor como para o transportador marítimo.
Quando um navio que faz a cabotagem (escalada porto a porto pelo litoral) tem essa espera, acaba prejudicando toda a programação para os terminais seguintes.
"Vira uma bola de neve", diz Gustavo Costa, gerente-geral de cabotagem da Aliança Navegação e Logística, empresa brasileira do grupo que controla também a alemã Hamburg Süd.
Costa afirma que o problema no Sudeste é "pequeno" diante do que acontece em portos do Nordeste. "Santos é um caso à parte. Suape [PE] está totalmente travado, Salvador [BA], estrangulado."
