sexta-feira, junho 29, 2012

Cai investimento das empresas do Brasil no exterior


Valor Econômico

As empresas brasileiras reduziram muito seu ímpeto de investir em aquisições e participações no exterior. Entre janeiro e maio deste ano, a saída líquida de recursos foi de US$ 2 bilhões, uma redução de 85% em relação aos US$ 13,8 bilhões do mesmo período de 2011. Nos dois anos anteriores, despejaram US$ 45 bilhões em seu processo de internacionalização, de acordo com dados do Banco Central.

A crise financeira turvou o horizonte de planejamento das empresas, diminuindo o fôlego para aquisições internacionais e investimentos no mercado doméstico, dizem especialistas. A desvalorização do real frente ao dólar também encareceu as compras. "Temporariamente, as empresas podem postergar investimentos, mas a decisão de investir é de longo prazo", diz Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco.

O movimento na direção contrária - repatriação de recursos decorrente da venda de participações em empresas - deu um salto e chegou a US$ 3,8 bilhões, com alta de 342% em relação aos US$ 840 milhões do mesmo período de 2011.

As perspectivas de uma crise prolongada nos países desenvolvidos tendem a levar as empresas brasileiras a dar prioridade aos investimentos domésticos, já que o crescimento do mercado local, ainda que moderado, será bem maior que nos países da Europa, por exemplo. A Petrobras projeta obter US$ 14,8 bilhões neste ano com uma reestruturação de ativos que implica, também, a venda de participações no exterior. Franqueador das marcas Spoleto, Domino's Pizza e Koni Store, o grupo Trigo adiou seu projeto para a Costa Rica e desistiu da ideia de abrir mais lojas na Argentina e na Austrália, por enquanto, para dar prioridade a seus negócios no Brasil.

Empresas bastante internacionalizadas, como a Gerdau, que atua em 13 países, não alteraram seus programas de investimentos de longo prazo no exterior. Ela pretende aplicar lá fora 30% dos R$ 10,3 bilhões de seu programa para o período 2012/16. Nos três primeiros meses do ano, eles somaram R$ 207,3 milhões, 130% a mais que no mesmo período de 2011.

Os empréstimos entre filiais de empresas brasileiras e suas matrizes contam a mesma história. De janeiro a maio, as subsidiárias no exterior enviaram para suas sedes no Brasil US$ 8,1 bilhões a mais do que receberam.