Adelson Elias Vasconcellos
É óbvio que a marcação em 01º de agosto próximo para o STF dar início ao julgamento do mensalão, representa uma vitória das instituições. E, claro, uma derrota para os réus que, sob o comando de Lula e Dirceu, tentaram adiar e até melar o julgamento.
Em se tratando de Brasil, entretanto, é preciso que a vigília permaneça atenta e alerta. Lula nomeou oito dos atuais onze ministros, ou seja, de certa forma, é fácil para ele ter acesso a conversas de pé de ouvido com um e outro, além do que, conforme alguns julgamentos recentes do STF aquele corte que, teoricamente deveria guiar-se pela a única régua e compasso que a subordina, ou seja, a Constituição, nem sempre esta submissão tem ocorrido. Tem sido comum a nossa Suprema Corte, ao arrepio da lei, alterar por conta própria o texto constitucional, invadindo a seara de outro poder, o Legislativo, e sem ninguém lhe tenha delegado tal autoridade.
Juntando-se os fatos e considerações acima, não se pode a priori considerar vitoriosa a campanha que nacos da sociedade empreenderam com o objetivo de pressionar o STF a marcar e dar início imediato ao julgamento da quadrilha mensaleira.
Apesar de entendermos a complexidade de um julgamento nas proporções do mensalão, o tempo decorrido para que o julgamento tivesse seu início já transcorreu demasiado. E, dada a natureza dos crimes e a importância dos acusados, conspirar para o julgamento fosse jogado às calendas apostando numa provável prescrição, não é apenas jogar contra à lei, mas contra a sociedade. Assim, deplorável e patética a atuação movida por Lula e sua gangue tentando e apostando para que o julgamento fosse empurrado para depois das eleições, considerando não o calendário eleitoral, mas nas prováveis saídas de Cesar Peluso e Ayres Britto. Como mais deplorável ainda é movimento que se move no submundo petista para tornar Gilmar Mendes impedido de proclamar seu voto.
Porém, como esta é uma república em que o deplorável e patético são mais comuns na vida publica do que seria razoável de se esperar, é preciso manter o alerta porque para que o julgamento tenha seu início efetivo, Lewandovski ainda precisa entregar seu relatório revisor. E o país inteiro sabe não apenas da proximidade entre ele e Lula. Não creio, contudo, que o ministro do STF vá se prestar à desmoralização pública de retardar ainda mais a entrega de seu relatório, quebrando assim a unidade de pensamento majoritário dentre seus pares de que o julgamento já amadureceu o bastante para continuar sendo retardado. E, acreditem leitores, o perigo não mora aí. O sinal de alerta ainda mora nos votos de uns e outros os quais, a exemplo de questões outras, acabaram sendo decepcionantes para a institucionalidade do país. E é neste campo que Lula e Dirceu atuando pesadamente. Sabendo que o julgamento acontecerá de forma inexorável, atuam e pressionam no sentido de que os votos dos mais sujeitos às suas pressões, e creiam, hoje eles já são e formam a maioria no colegiado do atual STF, lhes sejam favoráveis.
Portanto, não dá para levantar guarda. Para uns, os mais otimistas, estes votos de cumplicidade até poderão parecer surpreendentes. Porém, para todos quantos olham com reservas para a atual constituição do STF, votos em favor dos réus, não todos, nada terão de surpreendentes. Adoraria estar errado, adoraria ser um péssimo previdente. Mas em julgamentos como os da Raposa do Sol, aborto de anencéfalos, casamento gay, extradição de Cesare Battisti, só para citar alguns, recomendam prudência máxima em relação ao que pensam alguns dos ministros do STF.
Assim, mesmo que TODOS os réus sejam condenados (no que duvido), e recebam pena máxima por seus crimes, é bom a sociedade brasileira prestar muita atenção nos votos de uns e outros. Será por intermédio deles que a gente poderá proclamar a vitória da lei, das instituições, do estado de direito, da própria democracia. Daí a importância que se dá a este julgamento, por os crimes além de serem cometidos contra o próprio país, representam muito bem os costumes que, de certa forma, ainda vigoram no país. Punir a quadrilha é dar um recado claro às demais quadrilhas que atuam de modo solerte, livre, franco, crentes na impunidade de seu caráter imoral. Se o país quer uma nação decente, o momento de se decretar o dia nº um desta nova era, começa em 01º de agosto próximo.
A pressão do PT sobre o mensalão, tentando inclusive parecer à opinião pública mais vítima do que propriamente criminoso, vai se arrastar por um bom tempo. Até diria que, da forma como o mensalão está posto, os petistas tem mais é que agradecer aos céus que as suas estratégias e artimanhas lá no início do escândalo, acabaram não sendo piores. O jornalista Ilimar Franco, do jornal O Globo publicou neste domingo uma nota que faz muito sentido. Vejam:
“Mensalão: o que não foi investigado - A menos de dois meses do julgamento do mensalão, policiais federais que atuaram nas investigações lembram que muitas coisas que reforçariam a denúncia contra os réus não foram adiante. Na época, não se autorizou buscas nas casas do ex-ministro José Dirceu, do ex-presidente nacional do PT José Genoino, e do publicitário Marcos Valério. A PF queria ouvir o presidente Lula, mas a PGR segurou o pedido. Interceptações telefônicas não foram permitidas, assim como investigações no Banco do Brasil e rastreamento de contas no exterior. “Se tiver absolvição, lavo as minhas mãos”, disse um dos agentes envolvidos”.
A bem da verdade, lá no início quando o Ministério Público aceitou a denúncia deixei colocada uma questão de extrema importância: se o próprio Dirceu afirmava que Lula sabia de tudo, porque o ex-presidente não foi inquirida e até arrolado no processo, já que o esquema criminoso tinha por objetivo beneficiar unicamente ao próprio Lula? Como se vê pelo que informa o jornalista do Globo, fica claro que o trabalho do Thomaz Bastos, como chefe da Polícia Federal, foi muito bem feito urdido em favor do próprio partido e seu comandante...