Adelson Elias Vasconcellos
A refundação da UNE, a partir do fim da ditadura militar, e especificamente localizando-a ao tempo do impeachment de Collor, (lembram os caras pintadas), parecia trazer para o palco da política brasileira, um novo alento, um esperançoso ar de renovação, afinal, não apenas as velhas oligarquias política já naquela época caiam de podre.
Mas de repente, neste espaço de tempo que vai de Collor a Lula, a UNE jogou toda a sua história de luta no lixo, e resolveu aderir por contra própria ao velho perfil comunista.
Ou seja, ao invés de ir para frente, a UNE resolveu contrair-se, andar para trás e adornar-se com os valores e ideias carcomidas, superadas. E, para culminar este processo retrógado, a partir de Lula, a UNE vamos dizer assim “pelegou”. Sei que a expressão não existe, estou forçando um pouco a barra justamente para dar a dimensão da birosca em que se transformou a União Nacional de Estudantes.
Aceitou passivamente submeter-se aos caprichos nauseabundos de um partido político caquético em troco de uns trocados. E acabou afundado tanto no ideário histórico quanto até na sua força representativa. Se fechar suas portas, acreditem, não fará falta a ninguém, a não ser, claro, aqueles que nela se grudam para mamarem a vontade, não precisarem trabalharem nem produzir nada de útil para a sociedade que os sustentam.Numa palavra: bando de vagabundos ressentidos.
Há várias razões para que entidades como a UNE e até sindicatos não se aliem a governos. Uma delas, por certo, é que sua posição de neutralidade, lhes permite expressarem-se de forma livre, espontânea, cobrando das autoridades públicas a atenção para as causas de quem representam. A partir do momento em que se curvam ao poder de plantão, passam a ser buchas de canhão, massa de manobras, militantes tontos em busca de coisa nenhuma.
A atual diretoria da UNE, e já de algum tempo tem sido assim, estão sob comando de comunistas, com alguns militantes dos tais PC do B, PSTU, PT e outras tantas siglas que adoram a farra de mamarem em dinheiro público.
Alguma causa popular? Alguma bandeira em favor da sociedade? Nada, são feitos zumbis zanzando de um lado a outro, cacarejando discursos surrados, bolorentos, sem efeito e sem causa, apenas para se mostrarem como entidades de qualquer coisa irrelevante, para sendo aquinhoados com um dinheiro que é tirado à fórceps do povo que tem a pretensão de querer representar. Esta gente bisonha tem a petulância de encher a boca de “povo”, mas odeiam feitos Diabo à Cruz terem de viver como povo, trabalhador, honesto, produtivo, útil a si e aos seus.
A reportagem que reproduzimos no início desta edição sobre a farra protagonizada pela UNE e, que até então vinha sendo relevada pelos vários ministérios com quem a entidade firmou “convênios” e sugou dinheiro público, é bem o demonstrativo do quanto a UNE e semelhados pararam no tempo, perderam sua essência. Enquanto em países com um caldo de cultura democrática mais desenvolvida que o Brasil, estudantes e seus entidades representativas promovem protestos para exigir melhor qualidade de ensino, mais verbas para educação, melhores condições materiais para si (há escolas caindo de pobre de norte a sul), cobrando e exigindo dos governantes mais verbas para educação, a turma da UNE só sabe promover passeatas para reclamar das passagens de ônibus, exigir meia entrada para qualquer espetáculo, o que, convenhamos, já ultrapassou os limites do ridículo. Se suas bandeiras se estendessem à causas ligadas diretamente à sua formação, ainda vá lá. Mas nem isso.
Muitas das atuais lideranças políticas do país tiveram seu aprendizado nas fileiras da velha UNE. Hoje, a geração de novas lideranças terá que ser forjadas em outros lugares, porque a UNE cansada de guerra e batalhas, perdeu sua essência, seu espírito combativo. Tornou-se uma república de sugadores de dinheiro público em troca de sua submissão repulsiva a partidos políticos. Infelizmente, a educação brasileira anda tão sem prestígio, que nem a entidade máxima que os representa se ocupa de suas bandeiras mais significativas. Jovens ainda, eles morreram como velhos sem causa, oprimidos pelo caixa do governo petista.
