quinta-feira, julho 05, 2012

PF prende ex-presidente da Valec por suspeita de lavagem de dinheiro

Fernando Mello
Folha de São Paulo

Alan Marques - 18.out.07/Folhapress
José Francisco das Neves, então diretor da Valec, 
durante depoimento em comissão do Senado em 2007

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (5) José Francisco das Neves, o Juquinha, ex-presidente da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias.

Juquinha e mais três pessoas são investigadas por conta da obra Ferrovia Norte-Sul, no trecho entre Goiás e Tocantins. Perícias feitas pela PF apontam sobrepreço de mais de R$ 120 milhões.

O ex-presidente da Valec foi preso na casa em que mora no condomínio Alphaville, em Goiânia, mesmo local onde foi preso Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em outra operação da PF.

Em virtude de investigações policiais, iniciadas em agosto de 2011, a 11ª Vara da Justiça Federal de Goiâna expediu os mandados, com o objetivo de apurar a autoria e materialidade dos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

A investigação trata da possível ocultação e dissimulação da origem de dinheiro e bens imóveis, rurais e urbanos, adquiridos no próprio nome e de familiares de Juquinha, com recursos que teriam sido obtidos ilegalmente durante sua gestão na Valec.

Chamada de Trem Pagador, a operação cumpre quatro mandados de prisão temporária, sete mandados de condução coercitiva, 14 mandados de busca e apreensão e sequestro de 15 bens imóveis em seis municípios de Goiás e duas cidades de São Paulo.

As investigações ocorrem em Goiânia, Mundo Novo (GO), Uruaçu (GO), Inhumas(GO), Senador Canedo(GO), Orizona (GO), além de Paulínia (SP) e Campinas (SP).

Juquinha comandou a Valec até 2011 e foi demitido depois que irregularidades no Ministério dos Transportes vieram à tona.

CPI
O PPS vai pedir a convocação do ex-presidente da Valec, na CPI do Cachoeira. Juquinha, como é conhecido, foi preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal.

Na sua gestão, ele contratou a empreiteira Delta para obras na ferrovia Leste-Oeste, por R$ 574 milhões. O contrato foi assinado em novembro de 2010. A Delta já recebeu R$ 31,9 milhões. "O contrato com a Delta justifica a presença dele na CPI porque a empresa está sendo investigada", afirmou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR).

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Eis aí mais uma estatal inútil, criada em 2008, apenas para servir de cabide emprego para a companheirada, e além do  desperdício, transforma-se em fundo sem poço para a corrupção. O Brasil precisa fazer é uma faxina neste monte de estatal inútil. Ou é isso, ou acabará prejudicando o equilíbrio fiscal. Quando se cobram mais investimentos, são as Valecs da vida, com sua cambada de inúteis, seus desvios, seus custos desnecessários  que colaboram para a falta de recursos.