quarta-feira, julho 11, 2012

Expansão do ensino superior deve ser diferente


Antonio De Araujo Freitas Junior (*)
Ana Tereza Spinola (**)
Especial para a FOLHA

De 2002 a 2010 foram criadas 15 universidades federais. O modelo de universidades federais é caro e dispendioso. A expansão do ensino poderia ser realizada por meio de institutos superiores de tecnologia e por instituições de ensino superior privadas (com ociosidade superior a 50%), que poderiam responder com mais rapidez, eficiência e eficácia ao atendimento a jovens com bom desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

A "gestão democrática" nas universidades federais é confundida com eleições diretas para todos os cargos administrativos. "Gestão democrática" é a forma de operacionalização do poder da escola.

A forma de escolha dos gestores das universidades federais tem conduzido a uma distorção, com consequências imprevisíveis na qualidade do ensino. A meritocracia, que é a única opção real para a educação superior de qualidade, não é priorizada, predominando a política partidária e corporativa.

O tratamento dado às universidades federais é privilegiado. Elas já nascem como universidades, mesmo sem ter alunos, professores e pesquisa.

Não há nenhuma previsão de sanções àqueles administradores públicos responsáveis pelas deficiências ou má gestão encontradas na instituição sob sua responsabilidade. O Poder Executivo sempre fornecerá recursos adicionais para a superação das deficiências, mesmo que o problema seja a administração ineficiente e ineficaz do gestor público.

Os gestores de universidades (que são professores) têm capacidade para tocar licitações de obras? Esse é um falso problema, pois o que prevalece é o corporativismo e a certeza de que a "viúva" irá sempre comparecer, de forma complacente, para despejar, de forma ineficiente, o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho.

(*) Antonio de Araujo Freitas Junior é presidente do Conselho Latino Americano de Escolas de Administração
(**) Ana Tereza Spinola é professora universitária