sexta-feira, julho 20, 2012

Jaula para os animais


Carlos Chagas
Tribuna da Imprensa

Não é preciso ler mais do  que uma edição de jornal para despertar   indignação. Para constatar o horror que nos assola.  Imagine-se  quando se tem por obrigação ler um jornal todos os dias. Ou diversos jornais.

Perto de Brasília um bebê de dois meses foi encontrado  carbonizado e mutilado. Em São Paulo, um casal é acusado de matar a pancadas um filho de dois anos. Crianças são jogadas do oitavo andar. Outras deixadas sem qualquer atendimento.   Muitas sofrem por anos seguidos violência sexual por parte de pais, padrastos e tios. A pedofilia cresce no interior e nas grandes cidades, até via Internet.   Nem é preciso falar da exploração do trabalho infantil e do número de menores seviciados no  país inteiro.

Fosse na China e em menos de um mês depois de  apuradas as responsabilidades   os autores desses crimes hediondos já teriam levado uma bala na nuca, obrigando-se suas famílias a pagar o custo da munição.

Aqui, no máximo alguns são identificados, presos e,  na maioria das vezes, libertados por múltiplos recursos ou pela desídia das autoridades policiais e judiciárias.

Alguma coisa precisa ser feita de imediato. A pena de morte agride a natureza, ainda que se fosse feito um plebiscito,  mais de 80% da população votaria a favor. Mas parece  o mínimo adotar a  prisão perpétua,  sem direito a benefícios de qualquer espécie. Animais desse quilate merecem  a jaula. Sem contemplação.

UM OLHAR PARA FORA
Nesse período de recesso parlamentar e dos tribunais superiores, vale um olhar para fora. Quem estará armando os rebeldes na Síria, da mesma forma como antes na Líbia? Por que são cassados e caçados  apenas ditadores que se opõem  às grandes potências do mundo capitalista? O que dizer da família que há quase 200 anos oprime a Arábia  Saudita e permanece impoluta no poder,  por vender petróleo ao Ocidente a preços módicos? 

ELITISMO UNIVERSITÁRIO
Está sendo rejeitada pela maioria dos professores universitários em greve a proposta do ministro Aloísio Mercadante de conceder 45% de aumento salarial para a categoria. Por quê? Porque esse benefício seria estendido apenas aos que detém diploma de doutorado  e lecionam em tempo  integral. É minoria. O grosso da classe carece da condição de manter uma só atividade e continuará assim, caso apenas sejam favorecidos aqueles que chegaram ao topo  profissional.

DE NOVO O CONSELHO DE COMUNICAÇÃO
Decidiu a mesa do Senado reconvocar o Conselho de Comunicação Social, há quatro anos sem funcionar. Criada pela Constituição de 1988,  a instituição deveria dispor de poder normativo e decisório, mas viu-se transformada  em mero apêndice desimportante da cúpula do Congresso,  em órgão apenas consultivo. Nada do que o Conselho sugeriu foi aproveitado, nos anos em que atuou. Resultado:  morreu de morte morrida, não de morte matada.  Desinteressaram-se todos.  Agora, quem sabe, possa ressurgir em outros padrões.