Josias de Souza
Na campanha de 2010, Dilma Rousseff apresentara como solução para deter o avanço do tráfico de drogas nas fronteiras do Brasil o projeto Vant –Veículo Aéreo Não Tripulado, eis o nome escondido atrás da sigla. Comprado em Israel, consegue filmar e fotografar a face de um intruso a 9 quilômetros de altura.
Em novembro do ano passado, sob holofotes, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) exibiu um Vant no aeródromo da cidade paranaense de São Miguel do Iguaçu. Anunciou que o projeto entrava em sua “fase operacional”. Em português claro: o projeto do aviõezinho, finalmente, decolaria.
Os repórteres Hudson Corrêa e Leonardo Souza foram verificar o que sucedeu. Descobriram que a única coisa que foi para os ares foi o anúncio do ministro Cardozo. Devolvido ao hargar, o Vant foi encaixotado. Na caixa permanece desde então. No gogó, o governo prometera adquirir 14 aeronaves.
Afora o exemplar exibido por Cardozo, comprou-se mais um. Encontra-se em Israel, sem previsão de embarque para o Brasil. O governo silenciou sobre os outros 12. O projeto aterrissou na gaveta. Numa conta que inclui os dois aviões já comprados e os equipamentos necessários para fazê-los voar (antenas e computadores), a Viúva já torrou na iniciativa R$ 73 milhões.
Repetindo: depois de torrar R$ 73 milhões em verbas subtraídas do bolso do contribuinte, o governo enviou o plano do Vant para as calendas. E não é por falta de dinheiro. No ano passado, reservara-se no Orçamento da União uma cifra de R$ 70 milhões para fazer a coisa decolar. Desse total, gastaram-se apenas R$ 6,3 milhões.
A Aeronáutica passou a disputar com a PF o controle do projeto. O governo absteve-se de providenciar a contratação de manutenção das aeronaves. O TCU vareja uma despesa de R$ 24,6 milhões. Serviria para treinar 13 operadores para o Vant –R$ 1,9 milhão por cabeça.
Ouvida, a PF informou que aguarda o veredicto do TCU, providencia a contratação da manutenção e espera receber o segundo avião até o final do ano. Só depois o governo avaliará se deve ou não confirmar a compra dos outros 12. Como se vê, a pretexto de deter a entrada de drogas no país, o governo flerta com o risco de transformar dinheiro em pó.
