domingo, setembro 23, 2012

Mantega cria o 'realismo fantástico' do câmbio


Carolina Freitas
Veja online

Pela argumentação do ministro da Fazenda, basta o real perder valor para o país ganhar competitividade; sobre reformas estruturais, nada foi dito

(Valter Campanato/ABr)
Guido Mantega: nova comemoração pelo dólar – 
hoje 'conveniente' – na faixa dos R$ 2 

Guido Mantega credita a um processo de desindustrialização global a situação de penúria da indústria brasileira

Desde quando o dólar bateu na casa dos 2 reais, em 15 de maio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, só quer saber de comemorar o câmbio “conveniente”, nas palavras dele, para o Brasil. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça, ele retorceu dados e saiu-se com uma pérola do reducionismo: “Quando há uma valorização de 20% do dólar, significa que o Brasil está 20% mais competitivo”.

 Em suma, na visão do ministro, basta uma mudança no câmbio para o país, como que por mágica, ter produtos melhores e mais baratos para brigar nos mercados internacionais. Um real enfraquecido, de fato, tem o poder de estimular exportações e coibir importações, mas não transforma a capacidade produtiva, nem gera eficiência. Por outro lado, um câmbio apreciado apenas escancara o grau de competitividade de uma nação. Se ele é baixo, ficará ainda pior com uma moeda forte. Ao reiterar sua comemoração do dólar mais forte, Mantega apenas mostra sua disposição em não fazer nada para atacar as profundas deficiências que, essas sim, minam a competitividade do país.

Autoelogio – 
O ministro associou a valorização do dólar às medidas econômicas lançadas pelo governo nos últimos meses, como, por exemplo, a extensão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% sobre os empréstimos externos para captações com vencimentos em três anos. Ainda que o mercado reconheça a influência dessas ações, a recente alta da divisa também responde à apreciação global da moeda americana e à especulação no mercado doméstico.

Na versão de Mantega, o dólar responde tão somente à atuação destemida do Planalto: “Muitos países, sobretudo a China, vinham manipulando seu câmbio havia mais de vinte anos. Como eles eram pobres, nós tolerávamos. Mas agora tivemos de reagir”, gabou-se.

Indústria – O ministro da Fazenda minimizou os impactos negativos da alta do dólar para alguns setores da indústria. “Todo remédio tem seu efeito colateral, mas não é por isso que você deixa de tomar o remédio”.

Mantega deu, por fim, sua visão particular sobre o processo de desindustrialização do Brasil, que, para ele, não existe. “Há um enfraquecimento da indústria no mundo; um processo natural de terceirizar atividades da indústria e fazer com que elas virem serviço.”

O movimento, de fato, existe no mercado internacional há muitos anos. Basta ver que os Estados Unidos e a Europa transferiram boa parte da capacidade de produção industrial ao Sudeste Asiático. Esse movimento, entretanto, não justifica por inteiro o atual quadro lamentável da indústria brasileira.

Existem fatores a penalizar o setor industrial que ele, há muitos anos, faz questão de ignorar. São deficiências que minam a competitividade da economia brasileira e que caberia ao governo atacar por meio de reformas, tais como a infraestrutura deficiente, baixa qualificação da mão. 

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Mantega deveria envergonhar-se por insistir nesta balela de transferir responsabilidades internas do governo, para causas exteriores. Enquanto este governinho não se assumir,  os principais entraves para o nosso desenvolvimento vai se manter. Qual é, ministro, o senhor já está bem crescidinho para se fazer de bobo!!! Já passa do ridículo esta falta de responsabilidade!!! O dólar só subiu depois que o governo baixou os juros SELIC, diminuindo assim o volume de ingressos no Brasil. Não tem nada a ver com a crise lá fora. 

E foi por conta dos juros altos que o real supervalorizou, provocando a desnacionalização e desindustrialização aqui dentro. Ninguém é tão ingênuo ou tão estúpido para não ver o que de fato aconteceu. Em 2006 não havia crise nenhuma, e o Brasil já perdia mercados, e as nossas fábricas estavam fechando.