domingo, setembro 23, 2012

Nem todo o aliado é patife


Adelson Elias Vasconcellos



Gente do PDT e do PMDB reagiram inconformados com a nota que Lula exigiu de seus “amigos”aliados. Os partidos até podem ser aliados, sim, mas nem todos os seus integrantes  são canalhas, e nem todos se alinham com a falta de caráter e de vergonha. Muitos seguem aliados, mas por interesse partidário ou por conveniência. Mas não são robóticos, sem vontade e amor próprios, não se curvam perante um deus com pés de barro e de lama. 

A tal ponto reagiram a tal nota patética e ridícula que Lula encomendou e ordenou, que o PDT chegou a emitir uma contranota como se desculpando pela canalhice inventada por Lula.

A reação há alguns meses de Eduardo Campos contra o mandonismo de Lula, impondo pelo seu partido um candidato à Prefeitura de Recife, contra a suprema vontade do chefão da máfia petista, que queria obrigá-lo a engolir o candidato lulista, demonstra que há uma resistência contra esta tirania de Lula de achar que é dono do Brasil, dono da vontade das pessoas e que todos devem à ele reverência. Uma ova. Há gente neste país que ainda não se dobra, que acha certo pensar diferente do que o chefe da quadrilha deseja impor a qualquer título, a qualquer preço, se considerando o rei do pedaço.

Antes mesmo de entregar o posto da presidência à Dilma previ que as pessoas iam se cansar de Lula e por uma razão principal: o cara não evolui, mantém as mesmas atitudes, trata a todos como vassalos, é grosseiro, vulgar, mesquinho. O ser humano até pode aceitar a servidão por algum tempo, mas nunca durante todo o tempo. Se Lula fosse menos preguiçoso e tivesse estudado um pouco de história ao menos, encontraria centenas de exemplos desta verdade. Este ser que deixa aprisionar, um dia desejará libertar-se, soltar-se das amarras, desvencilhar-se dos açoites e grilhões do senhor da senzala.

Claro que Lula ainda conta com imenso batalhão de robóticos que deliram diante dele, se curvam, beijam-lhe as mãos e os pés. São os baba-ovo que se vendem por qualquer migalha. Para estes, não existisse Lula, tratariam de entregar sua alma a qualquer diabo, desde que não lhes faltasse o maná miserável que os  alimenta.

Não, os seres humanos dignos, conscientes de si, esclarecidos pelos mais sagrados valores morais e virtudes éticas, estes resistem ao apelo fácil da subserviência.  Estes, nem que Lula se pintasse de dourado o corpo todo, e não só o cabelo e o bigode de pretos, ele conseguiria vencer-lhes e dobrá-los. Daí seu ódio, sua raiva, seu recalque, seu rancor doentio e tresloucado. É o destino dos neuróticos tiranos que se enchem de raiva contra esta resistência que não conseguem vencer.

Ninguém, já disse isto aqui e repito, ninguém quer destruir aquilo que se destrói sozinho.  Na presidência, Lula quis dar as costas ao PMDB e, juntamente com José Dirceu, procurou uma forma de ter maioria no Congresso. Daí nasceu o mensalão e justamente com os partidos menores. O fato, senhores, é que o STF que está julgando os mensaleiros, os está condenando não movidos por algum complô contra Lula e o PT, ou pressionado pela opinião pública, e sim calçados em perícias técnicas, em provas documentais, em testemunhos idôneos e com total credibilidade. Aonde Lula vê golpe, o que há é justiça.  E na justiça que Lula requer para si e companheiros, o que há é a busca pela eterna impunidade.  Lula já foi longe demais nesta palhaçada e o melhor que lhe poderia acontecer foi não ter sido arrolado para ocupar, também ele, ao lado dos companheiros, o banco dos réus. A sua tentativa torpe de melar a justiça, as leis e a democracia acabará servindo-lhe de sepultura.  

Disse Lula em na sua página do facebook: ““Há mais de 30 anos unindo pessoas por um Brasil melhor”. Mentira.Há 30 anos que Lula luta para dividir o Brasil: ricos contra pobres, brancos contra negros, nordeste contra o sul, heteros contra homoafetivos, patrões contra empregados, produtores rurais contra movimentos de sem terra, sindicatos contra governo. Foi assim que ele cresceu politicamente, dividindo, segmentando, fracionando, provocando uma profunda cisão no seio da sociedade, porque entendia que pobres, negros, nordestinos, sem terra, homoafetivos e sindicatos poderiam converter-se na sua massa de manobra para chantagear a sociedade, constrangê-la, acuá-la, sentir-se impotente em relação a si mesma. Não, definitivamente, Lula jamais ergueu a mão ou dirigiu uma única palavra no sentido de união. Eduardo Campos justificou-se na assinatura da tal nota patética em defesa de lixo, dizendo que precisava solidarizar-se “...a um grande líder, um grande brasileiro, com enorme serviço prestado à redemocratização do país”.

Líder sim, mas jamais prestador de serviço à redemocratização do país. Não sei que idade tinha o governador pernambucano em 1988, mas Lula ordenou que seu partido não assinasse a constituição, símbolo maior da nossa redemocratização. E quem de seu partido assinou, ele os expulsou. Proibiu que algum deles participasse do colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves, passo inicial da redemocratização. Volte no tempo, governador, e tente se informar melhor. Isto não é uma questão de opinião, mas fatos históricos que Lula jamais poderá negar. Está registrado e, de  tal modo, que não há  “comissão da verdade” que mude isto.

É bom Lula e os petistas rezarem para não aparecer alguém batendo com a língua nos dentes e externando fatos que o grande público ainda desconhece, sobre tudo que aconteceu no submundo da política petista. Será o fim do seu legado de crimes e atentados ao estado de direito. 

É bom que todos saibam: esta história não termina aqui. Pessoas como Lula não racionam  como o comum dos mortais. São cegos sobre si mesmos, sobre o seu pode tudo, se consideram infalíveis e invencíveis. Porém, assim como a semeadura é livre, a colheita, faça o que fizer, é sempre obrigatória.  Ela é inexorável, virá cedo ou tarde. Mas o certo é que virá. 

Lula, sabe todo o Brasil, esperneou o quanto pode para impedir que o mensalão fosse julgado antes das eleições municipais de outubro próximo. Não conseguiu e se desesperou por conta disso. Mas se parasse para refletir, pondo de lado seu ódio obsessivo e rancor truculento, veria que a coisa poderia ter sido muito pior, com enorme prejuízo para ele, para os companheiros que são réus e para o próprio partido.  O julgamento poderia acontecer em ano de eleição presidencial, e aí o PT correria o risco de perder a presidência e/ou a folgada maioria de que desfruta atualmente no Congresso. Agradeça a Deus, Lula, porque, até 2014,  muita gente terá esquecido o julgamento do Mensalão... 

Esquisito é o partido aliado a Sarney, Renan, Jader Barbalho, Maluff, Collor & Cia achar que tem moral para chamar os outros de “conservadores”. O PT é tão conservador que conservou as conquistas sociais e econômicas de Fernando Henrique... Só mudou o nome, mas as políticas são, rigorosamente,   as mesmas. 

A classe média de mentirinha –
Nesta semana ainda, voltaremos ao tema “nova classe média brasileira” para expor, novamente, e com números, a grande farsa armada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos que, na falta do que fazer de útil, resolveu aplicar a maior mentira que esta república já conheceu em termos de estatística. Aliás, bem que a soberana, se tivesse um mínimo de compromisso com a verdade, poderia ter mandado sua turma refazer aqueles cálculos. Dizer que a pessoa que recebe R$ 291,00, isto é, menos da metade do já baixo salário mínimo do país, pertence a classe média, é vergonhoso, soberana!