O ministro petista da Saúde, Alexandre Padilha, autoconverteu-se em cabo eleitoral do candidato do PT à prefeitura de Mauá (SP), Donisete Braga. Em visita à cidade, o auxiliar de Dilma Rousseff declarou que, eleito, o correligionário terá “prioridade” na liberação de verbas de sua pasta. Falou em seu nome e no de sua chefe: “Você pode contar comigo e com a presidenta Dilma”, disse.
Padilha esteve em Mauá há seis dias. Participou do lançamento do programa do candidato petista para a área da saúde. Entre as prioridades esboçadas na peça estão a construção de um hospital regional e a informatização da rede de postos de saúde do município. O ministro assegurou as verbas.
No mesmo dia, as palavras de Padilha viraram propaganda eleitoral. Foram reproduzidas, entre aspas, no site da campanha petista de Mauá. “[…] É importante ter um prefeito aliado da presidenta Dilma, do governo federal e que tenha as portas abertas nos órgãos federais”, disse o ministro.
Sobre a promessa do candidato de construir um hospital, o visitante ilustre declarou: “…Você pode contar comigo e com a presidenta Dilma a ajudar nessa questão do hospital regional, porque reafirmo não ser justo Mauá sozinha custear o atendimento de pacientes de toda a região.”
Quanto ao compromisso de informatizar a rede de saúde, Padilha soou assim: “Essa é uma maneira de personalizar o atendimento, uma vez que em cada unidade de saúde onde for atendida terá a sua história e a possibilidade de aumentar o cuidado com cada pessoa. E o cartão SUS vai ajudar nisso.”
Generoso a mais não poder, o ministro brindou o candidato do seu partido com o compromisso de acesso prioritário às arcas do ministério: “Temos um projeto que garante recursos para a reforma e ampliação de UBS [Unidades Básicas de Saúde]. Pode garantir à população que em seu governo você poderá ampliar e reformar todas as UBS que for necessário e a construção de novas unidades. O governo federal tem esses recursos disponíveis e você terá prioridade para captá-los.”
Na noite passada, Padilha foi fustigado em seu Twitter por internautas incomodados com o fato de fazer campanha para o PT com o chapéu do contribuinte. O ministro ensaiou um reposicionamento em cena. Anotou no microblog: “Os recursos estão disponíveis a todos os municípios, independente do partido do prefeito.”
No início da campanha, Dilma ordenara aos seus auxiliares que evitassem envolver a máquina federal nas disputas municipais. Talvez devesse chamar o ministro Padilha para uma conversa.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Como dona Dilma já está preparando a fantasia para se incorporar à campanha eleitoral, parece que esta gente governista não consegue separar uma coisa da outra. Dilma mentiu sobre a participação de seus ministros conforme temos provado aqui, em ações que, até este momento, não mereceram uma ação enérgica por parte da Justiça Eleitoral. Ministro que faz discurso der apoio aos candidatos do governo, prometendo liberar verbas caso os mesmos sejam eleitos, deveria ir preso, por ferir a legislação de maneira flagrante.
A atuação tanto de Padilha quanto de Gilberto Carvalho caracterizam crimes eleitorais: poder econômico e político. Infelizmente, se de um lado o STF está mandando um recado de que, em política há limites para tudo, a Justiça Eleitoral precisa agir com maior rigor contra o uso imoral da máquina pública.
As ações de Alexandre Padilha e Gilberto Carvalho não podem ficar impunes. Vamos ver até quando estas infrações à lei serão toleradas pela Justiça Eleitoral que parece se borrar de medo quando os crimes são cometidos por gente do governo.
