Míriam Leitão
O Globo
O Tesouro se endividou a juro alto e fez um empréstimo ao banco, na época da crise de 2008, para que pudesse emprestar. Mas como era considerado empréstimo, não entrava na contabilidade pública como se fosse déficit. Depois, foram feitos outros, virou um canal de transferência de dinheiro para o BNDES, chegando a R$ 300 bilhões.
Agora, o banco fala de uma outra modalidade, capitalização. O governo, como acionista do banco, aumentaria o capital, usando o Fundo Soberano, como mostra matéria de hoje do jornal "O Estado de S.Paulo".
Fica uma coisa circular: o governo pegou ação de empresas estatais e criou um Fundo Soberano, que seria um lugar para guardar o excesso de arredacação que há nos momentos bons, como em 2010. Mas em vez de fazer isso, criou esse Fundo, como falei, com ação de empresas estatais. Agora, o BNDES quer pegar parte dessas ações e colocar no banco para aumentar o capital e poder emprestar mais.
Atualmente, o BNDES já desrespeita uma regra: há um limite que pode ser emprestado para um mesmo empreendimento ou para uma mesma empresa. E o governo tem criado regras para que, excepcionalmente, em alguns casos, ir além disso.
Em vez de fazer empréstimo, a melhor forma é aumentar o capital, mas o ideal é que isso seja feito com dinheiro, não com ação de estatal, para não ficar uma coisa assim: o governo tem estatal, que vira capital do BNDES, que empresta para estatal. E o banco já é sócio das maiores empresas privadas. Vai acabar virando um grande banco que tem ação de todo tipo, capitalizado por ações de empresas estatais.
É preciso um pouco mais de cuidado em relação ao BNDES, chamar as pessoas que entendem para analisar o que está acontecendo com o banco.