Márcio Juliboni
Exame.com
Segundo o jornal, 30% das vagas em órgãos federais devem ser destinadas a afrodescendentes
Ueslei Marcelino/Reuters
Dilma: presidente estaria pessoalmente
empenhada na aprovação de cotas, diz jornal
São Paulo – O governo prepara um novo pacote de medidas para a promoção da igualdade racial, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Entre as iniciativas, está a criação de cotas para os negros em órgãos do serviço público federal.
Segundo o jornal, os afrodescendentes teriam um piso de 30% das vagas criadas em órgãos federais a partir da aprovação da lei. A ideia é defendida pessoalmente pela presidente Dilma Rousseff, que espera anunciar o pacote no final de novembro, possivelmente, no Dia da Consciência Negra (20).
Atualmente, o Executivo conta com 574.000 funcionários civis.
A Folha afirma, ainda, que o governo pretende criar incentivos para que empresas privadas também contratem mais negros. Pela proposta, as companhias não seriam obrigadas a adotar uma cota, mas seriam recompensadas, se o fizerem.
Além disso, estão previstas punições para empresas que discriminarem, comprovadamente, as pessoas em função de sua cor. Entre elas, está a exclusão de licitações.
As medidas que serão apresentadas a Dilma foram compiladas pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), segundo a Folha.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Considerados todos os concurso públicos realizados em toda a história brasileira, quantos deixaram de ingressar no serviço público por serem negros? No dia em que o governo conseguir provar que houve esta injustiça, então poderemos discutir esta questão de "cotas raciais" para concursos públicos. Tome-se o próprio período de tempo em que o PT está no Poder: centenas de concursos foram e estão sendo realizados e, tanto quanto se saiba, ninguém deixou de ser aprovado por conta de sua cor de pele.
Até porque, o ingresso deve ser sempre medido pelo MÉRITO do candidato, e jamais por conta de sua cor de pele.
Se a ideia prosperar, o país estará dando mais um gigantesco e infeliz passo na direção do segregacionismo. Para se corrigir injustiças distantes na história, estamos admitindo medidas mais injustas ainda no presente e em sentido inverso. Não é a cor da pele que nos torna melhores ou piores como cidadãos, e sim o caráter. E este não tem cor.
Assim, para se combater o preconceito racial que havia e continuará havendo - não há decreto nem políticas afirmativas que mudem isto - só existe um caminho conhecido e comprovadamente acertado: EDUCAÇÃO. A alternativa que o governo petista escolhe não apenas não vencerá a barreira do preconceito, mas terá o dom de incutir no seio da sociedade brasileira um racialismo que ela não tem.
