terça-feira, novembro 13, 2012

Governo prefere gastar em custeio do que investir


O Estado de S.Paulo

No início de 2012, o Banco Central havia anunciado a intenção de reduzir o volume de crédito, especialmente para as pessoas físicas, com o objetivo de gerar uma poupança que financiasse investimentos na infraestrutura. Na verdade, o total dos créditos cresceu 10,2% nos nove primeiros meses do ano, ante 8,9% no mesmo período de 2011. Já os investimentos na infraestrutura, que no ano passado representaram 2% do PIB, não estão chegando a esse nível em 2012, enquanto nos anos 80 atingiam 5% do PIB.

Torna-se evidente que o governo é responsável por este recuo nos investimentos públicos, e deu nítida preferência ao consumo doméstico. No caso de um governo do PT, não é surpreendente esta opção pela demanda doméstica como mola do crescimento econômico, em vista da série de medidas que tomou, suscetíveis de favorecê-la, como as facilidades de obtenção de crédito, o crédito vinculado à folha de pagamento, a redução da taxa de juros e as isenções fiscais para reduzir os preços aos consumidores. Nessa política foi deixada de lado a avaliação da capacidade da indústria para responder ao aumento da demanda, em grande parte suprido pelas importações.

Segundo os dados publicados pela Serasa-Experian, nos dez primeiros meses do ano o comércio varejista cresceu 9,5%, sustentado pelo aumento da folha de pagamento real de 3,2% na indústria.

O recuo dos investimentos do governo é uma escolha política: os investimentos na infraestrutura são visíveis só por uma parcela da população, enquanto as facilidades de crédito são de ampla visibilidade, assim como a distribuição dos benefícios da Previdência Social. O governo prefere elevar seus gastos correntes mais perceptíveis pelos eleitores. As despesas de custeio, que no período de 1945 a 1985 representavam uma média de 10% do PIB, hoje estão chegando a 21%. Isso explica que, na ausência de poupança pública significativa, os investimentos do governo tenham caído violentamente. Sem falar que, nos casos em que o governo os assume de fato, os custos aumentam na proporção da péssima qualidade da administração e do planejamento dos projetos.

Para mudar uma situação como essa, seria necessária uma verdadeira revolução no setor público. Não somente as despesas de custeio devem ser reduzidas, como se deve fixar uma meta de poupança pública para financiar projetos. E a administração desses projetos deve ficar, na sua maioria, a cargo de concessões ou de Parceria Público-Privada.