terça-feira, novembro 13, 2012

Brasil crescerá menos que Índia e Indonésia até 2060


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Com Agência EFE

Ainda segundo OCDE, PIB chinês será superior ao da zona do euro em 2012 e deve triplicar nas próximas décadas

 (Jerome Favre/EFE) 
Vista geral de Hong Kong, China. 
PIB do país passará a representar 28% do mundial em 2030.

Entre os países emergentes, o Brasil vai perder para a Índia, Indonésia e China em termos de crescimento econômico anual de 2012 a 2060, segundo projeções da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados nesta sexta-feira.

A previsão do órgão é que o Brasil cresça a um ritmo médio anual de 2,8% até 2060, enquanto a Índia crescerá a 5,4%, a Indonésia a 4,1% e a China a 4%. Mesmo assim, Brasil ficará acima da Argentina (2,7%) e da Rússia (1,9%) em termos de avanço econômico. 

Ainda mais gigante - Ainda segundo o relatório, o tamanho da economia chinesa vai superar a da zona do euro já em 2012, graças a um crescimento que vai seguir sendo muito superior e deve triplicar até 2060. O PIB da China foi 17% do total mundial em 2011, porcentagem equivalente ao da zona do euro, porém ainda inferior aos 23% dos Estados Unidos, lembrou a OCDE.

Mas o PIB do país asiático passará a representar 28% do mundial em 2030, quando os dos outros dois blocos serão reduzidos a 12% e a 18% respectivamente, indicou a OCDE em suas novas previsões para os próximos 50 anos.

A China continuará representando 28% em 2060, quando a eurozona não significará mais do que 9% do PIB global e Estados Unidos 16%, enquanto a Índia terá aumentado seu peso específico a 18%, contra 7% atual e 11% em 2030.

Isso significa que a economia da Índia - que está melhor que a do Japão e passará a da zona do euro em 20 anos - somada à da China, terá deixado para trás, em 25 anos, o conjunto do G7, e em 2060 o conjunto da OCDE.

Esta revolução da geografia econômica mundial se deve à divergência das taxas de progressão econômica, que terão uma média de 2% anual durante os próximos 50 anos nos 34 países da OCDE e de 3,9% no resto do mundo.

Desenvolvidos - 
Dentro do ‘Clube dos países desenvolvidos’, os  destaques de taxas médias de crescimento anual ficaram com o México (3%), Turquia (2,9%), Chile (2,8%), Austrália (2,6%) e Israel (2,6%). Os Estados Unidos avançará em média 2,1% até 2016.

Onde a economia crescerá menos será na Alemanha (1,1%), Luxemburgo (1,1%), Japão (1,3%), Itália (1,4%), Grécia (1,4%), Portugal (1,4%), Áustria (1,4%), França (1,6%), Coreia do Sul (1,6%), Espanha (1,7%) e Holanda (1,7%).

Fatores - 
A alta do Produto Interno Bruto (PIB) mundial terá um ritmo médio anual de 2,9% de 2012 a 2060. Em 2030 terá sua expansão mais rápida (3,7%). Os números se devem à desaceleração do mundo em desenvolvimento, e muito particularmente da China (com progressões anuais de 6,6% e de 2,3% respectivamente).

Além disso, o órgão explica que o envelhecimento da população, que no horizonte de 2060 vai reduzir a participação na força de trabalho, deve implicar negativamente na atividade econômica de países como a Polônia, Coreia do Sul, Portugal, Eslovênia, mas também na China.

Outra característica das próximas décadas será o aumento dos lucros com produtividade, que terá alta anual de 1,5% e será muito superior em países onde atualmente há níveis baixos, como Índia, China, Indonésia, Brasil e outros da Europa oriental. Esses países melhorarão sua educação e formação profissional, abrirão mais seu comércio, terão maior competitividade e deverão adortar medidas de regulação que favorecem a difusão tecnológica.

Poder de compra – 
Com isso, a OCDE estima que o poder aquisitivo dos países desenvolvidos convergirá com a dos emergentes, mas alerta que as diferenças não vão desaparecer. 

A progressão do poder aquisitivo será de 1,7% anual na OCDE e de 3% no resto. Mais uma vez, a China será protagonista dessa tendência, já que o poder de compra de seus habitantes, que se situava em torno dos 15% da dos americanos em 2011, será só 25% inferior em 2060.

Em alguns países europeus particularmente afetados pelo envelhecimento, as diferenças de nível aquisitivo com relação aos Estados Unidos aumentarão concretamente na Grécia, Itália, Espanha, França, Alemanha, Áustria e Irlanda