Adelson Elias Vasconcellos
Não há desenvolvimento num ambiente de negócios sofrível como o brasileiro.
Nesta edição e nas anteriores, reproduzimos matérias diversas que, se não esgotam completamente o tema, pelo menos, traçam um perfil sólido sobre o péssimo ambiente de negócios que o Brasil oferece para quem deseja investir em empreendimentos produtivos.
Chega a ser incompreensível que um país rico, que poderia oferecer uma qualidade de vida invejável aos seus cidadãos, seja tão pobre em criar condições para que se possa atingir este estágio de excelência.
Não se diga que o brasileiro é vagabundo, preguiçoso, que é desinteressado. Pelo contrário, diante das más condições que o poder público oferece, nós ainda conseguimos driblar as dificuldades todas para nos colocarmos em patamar até razoável quando o assunto é empreendedorismo. E só não avançamos mais, não nos tornamos uma nação mais próspera e mais justa, em razão de um poder público que envergonha a qualquer um.
Somos um dos países que mais impostos recolhem e, contudo, os serviços que são ofertados aos seus cidadãos são de quinta categoria. Projetos e programas fantásticos são festejados no ato de seus lançamentos e, entretanto, só serão lembrados de forma cafajeste às vésperas de novas eleições. Passada a festa da vitória, empossados os eleitos, ao se fazer porém um balanço do que efetivamente foi feito, do que foi concluído, o saldo é lastimável. Um dos programas que andaram bem quando lançado no governo FHC, Luz no Campo, foi encampado por Lula, mudou de nome, foi feito muita festa, muita propaganda, muito marketing cretino e, no entanto, tem gente que espera a luz há mais de oito anos e não sabe quando poderá usufruir deste direito. Estradas, conforme vimos aqui na semana passada, não passam de verdadeiros buracos e poeira que aparecem asfaltadas apenas nas propagandas eleitorais do governo. Casas populares que ficam pelo meio do caminho que abrigam apenas drogados. Sequer o leite das crianças está livre da ganância e da propensão ao crime que reveste o mau caráter da imensa maioria de nossos políticos. Falta honestidade de todo o tipo ao poder público. Não passam de choldra de vigaristas e larápios. A mentira, a mistificação, a empulhação se tornaram instrumentos de poder onde o roubo descarado de recursos públicos, desviando-os de sua finalidade que deveria ser nobre e coletiva, tornou-se propriedade particular nas mãos de uma casta política e de uma elite estatal que escravizam, exploram e roubam milhões de pobres e miseráveis.
E, nesta edição também, temos ali as condições que o poder público oferece para aqueles que se aventuram em investir no Brasil. Carga tributária que é verdadeiro atentado. Burocracia burra, ignorante, atrasada e estúpida. Não há uma única medida que se possa apontar capaz de desobstruir as imensas barreiras colocadas no caminho de investidores, que não seja da exclusiva responsabilidade do poder público. Não há uma única repartição onde a pilhagem ao Erário não provoque milhões de prejuízos. A corrupção tomou assento na vida pública, e corrói riquezas e trabalho, sufocando o país. Não há um só canto do poder público brasileiro que resista a cinco minutos de uma investigação séria. E, no entanto, são os ladrões de margarina que vão presos. Riquezas são construídas à margem da lei, patrimônios são multiplicados nos subterrâneos do poder em negociatas vergonhosas e espúrias, e dali não se vê um único cafajeste condenado, preso, e obrigado a ressarcir os cofres públicos dos bens tomados a mão grande.
Abrir uma empresa no Brasil tornou-se um imenso calvário de padecimentos. E, mesmo que se vençam todas as barreiras, para sobreviver ou o empresário se alia à podridão reinante no poder público, ou será expurgado como ente indigesto.
O Brasil só não quebra dada sua imensa riqueza. Dependesse de seus dirigentes políticos, e viveríamos nas trevas da ignorância eternamente – da qual não estamos muito longe - e sob o tacão da escravidão – para a qual falta muito pouco.
Mente-se desbragadamente que vivemos uma era próspera, de pleno emprego. No entanto, e vimos aqui, o mesmo instituto que indica esta era com pleno emprego, se vê obrigado a apontar a existência de cerca de 66 milhões de brasileiros que simplesmente desistiram de procurar trabalho. Um em cada cinco jovens na faixa de 18 a 25 anos nem trabalha tampouco estuda. O que se pode esperar no futuro?
Fala-se em modernidade, contudo, o país não está livre dos apagões: apagões de mão de obra, de energia (sim, eles ainda estão presentes no nosso dia a dia), apagão aéreo, apagão de infraestrutura, apagão de educação (sem qualidade de ensino não há povo que se desenvolva), apagão de combustíveis (incrível!), apagão de costumes, de justiça, de segurança, apagão na saúde, apagão na segurança jurídica indispensável para qualquer ambiente favorável aos negócios e investimentos, e até estes, os investimentos, estão se tornando raridade por aqui.
Enfim, somos um Brasil andando sem rumo, sem objetivos, sem ponto de chegada, movido apenas na base da mentira, da farsa, da criminalidade impune, do assalto diário aos recursos públicos, sustentando uma imensa corja de políticos sem moral, e de uma casta estatal ignóbil, colonizadora, escravagista e vadia. Enquanto o país for comandado e desgovernado por este bando organizado para o crime, infelizmente não haverá jeito de sairmos da mediocridade. Estamos vivendo, fartamente, e com toda a imensidade possível, a república dos canalhas. Dizem que o gigante adormecido despertou. Acho que depois que viu quem governa este país, embarcou num primeiro voo para fora daqui, e com passagem só de ida.
Uma coisa, contudo, podemos ter certeza: dona Dilma não é e acho que jamais conseguirá ser a excepcional gerente com que seu perfil foi vendido ao país. Seu governo é ruim, é inepto, é incapaz, é inconsequente. A imprensa informou que a soberana teria se reunido ontem em Brasília com algumas cabeças coroadas da república para tratar de conchavos para a sua reeleição em 2014. Porém, antes de pensar em se reeleger, seria importante que ela começasse a governar o país. Metade de seu mandato se revelou, até agora, como absolutamente inútil. Todos os problemas que havia em janeiro de 2011 permanecem inalterados. E em alguns aspectos, as perspectivas são as piores possíveis. Há retrocesso em todas as frentes. Assim, antes de pensar em outubro de 2014, que tal se a divina soberana pensasse em janeiro de 2013 e o que fazer a partir daí com o seu governo???!!!
Porque, convenhamos, com “isso aí” que tem sido o seu desgoverno, não há jeito do país deixar de ser uma república de pródigos canalhas e incompetentes. A crítica pode parecer dura e é. Não é possível ser menos com um governo que triturou metade de seu mandato em administrar a herança maldita que recebeu, e em armar verdadeiras bombas relógios para o futuro.
Perdemos competitividade, a indústria está em recessão, as contas públicas só não aparentam situação pior graças a malabarismos contábeis e financeiros para mascarar sua degradação, a infra estrutura vai de mal a pior, sem objetivos, sem planos, sem instrumentos reguladores, a violência campeia solta de norte a sul, a corrupção firmou raízes sólidas em todos os recantos da vida pública, há uma visível regressão institucional, gastam-se cifras cada vez mais bilionárias numa máquina pública ineficiente e caótica, os serviços públicos se deterioram com maior intensidade dia após dia, os investimentos estão ficando cada dia menores, e o país paga cada vez impostos mais altos (com exceção dos colaboradores ao caixinha do partido, é claro).
Em suma, com Dilma, o Brasil cresce feito rabo de cavalo, em todos os sentidos.