domingo, dezembro 02, 2012

Em sorteio confuso, o Brasil cai com Japão, México e Itália


Giancarlo Lepiani
Veja online

Valcke e Atala se atrapalham e provocam indecisão na montagem das chaves

Paulo Whitaker/Reuters
Jérôme Valcke no sorteio dos grupos da Copa das Confederações 

A Copa das Confederações será um teste de fogo não só para a organização do país-sede da Copa do Mundo, mas também para a seleção brasileira - que disputará, de 15 a 30 de junho de 2013, suas únicas partidas oficiais na contagem regressiva para 2014. E no sorteio dos grupos da competição, na manhã deste sábado, no Anhembi, em São Paulo, a equipe - agora treinada por Luiz Felipe Scolari - conheceu um caminho complicado no torneio. Cabeça de chave, o Brasil dividirá o grupo A com boas seleções: Itália, Japão e México. Do outro lado, no grupo B, ficaram Espanha, Uruguai, Taiti e o campeão da África, ainda a ser definido. O tão esperado confronto contra os espanhóis, os atuais campeões da Europa e do mundo, só pode acontecer a partir da semifinal. 

As chaves foram definidas numa cerimônia conduzida pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e produzida pela TV Globo, parceira da entidade - e foi marcada por uma confusão entre o francês e o chef Alex Atala, que se atrapalharam com a distribuição dos times no grupo B e provocaram dúvidas sobre a montagem da tabela (a posição em que caíram Uruguai e Taiti ficou indefinida por alguns momentos). Atala e a modelo Adriana Lima foram os coadjuvantes de Valcke no sorteio, que foi acompanhado pela presidente Dilma Rousseff, pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, e por governadores, prefeitos, dirigentes e técnicos das outras seleções participantes, além do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e do presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa, José Maria Marin. Antes da definição das chaves, Cafu apresentou a bola oficial do torneio, chamada de "Cafusa" - referência à miscigenação racial. A cerimônia durou só 40 minutos (apenas 20 deles exibidos ao vivo pela TV, que não mostrou os discursos de Blatter, Marin e Dilma) e foi uma versão bem mais modesta e brevedo sorteio mais aguardado por todos - a festa que define os grupos do Mundial, dentro de pouco mais de um ano, em 6 de dezembro de 2013, na Costa do Sauípe, na Bahia.

Como já se sabia que o Brasil ficaria com a Itália e a Espanha pegaria o Uruguai (a regra do sorteio impedia que times de um mesmo continente caíssem na mesma chave), o sorteio deste sábado causou pouca expectativa. Além da distribuição dos quatro países que restavam nas duas chaves do torneio, faltava saber a posição que italianos e uruguaios ocupariam nos grupos - o que definiria a ordem das partidas mais aguardadas em cada chave da competição. Na véspera, Felipão afirmou que esperava um grupo difícil, mas não a ponto de complicar o caminho da seleção no torneio. "Nem tanto ao céu, nem tanto à Terra", brincou o técnico ao ser questionado sobre se gostaria de entrar, logo de cara, numa chave com três equipes fortes. Ainda assim, ele reconhecia que já passou da hora de encarar seleções mais tradicionais para dar experiência à nova geração (em especial Neymar, Oscar e Lucas) e medir forças contra equipes de ponta, depois de um ano em que o Brasil jogou amistosos contra Bósnia, África do Sul, China e Iraque. 

De acordo com o sorteio realizado em São Paulo, o Brasil estreia na Copa das Confederações em 15 de junho, um sábado, no Estádio Nacional de Brasília, contra o Japão. Na segunda rodada da fase de grupos, viaja a Fortaleza para encarar o México, em 19 de junho, uma quarta-feira. A equipe fecha a primeira fase no dia 22, sábado, na Arena Fonte Nova, em Salvador, contra a Itália. Se passar em primeiro lugar do grupo, viaja a Belo Horizonte e faz a semifinal com o segundo melhor do grupo B no dia 26, quarta, no Mineirão. Caso passe apenas em segundo da chave, volta ao Castelão, em Fortaleza, para pegar o melhor da outra chave, no dia 27, quinta. A final acontece às 19 horas do dia 30 de junho, domingo, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

A edição de 2013 promete ser a melhor Copa das Confederações de todos os tempos. Com nada menos que quatro seleções que já foram campeãs do mundo (somadas, elas têm doze taças), a competição deverá ter nível técnico elevado. Será também a maior (com seis cidades-sede, duas a mais que o de costume) e possivelmente a de melhor presença de público. Antes de disputar o torneio, o Brasil terá algumas chances preciosas de testar sua equipe e fazer os últimos ajustes para a competição. A estreia de Felipão - que, na sexta-feira, em entrevista coletiva oficial da Fifa, disse que pretende manter a base deixada por Mano Menezes - está marcada para 6 de fevereiro, no Estádio de Wembley, em Londres, diante da Inglaterra. 

O calendário da Fifa prevê mais duas datas disponíveis para jogos internacionais em março, ainda com adversários indefinidos. Já no mês da Copa das Confederações, o Brasil recebe a Inglaterra no Maracanã, em 2 de junho, e a França no Mineirão, no dia 9. Essas partidas são consideradas importantes não só na parte técnica e tática como também para colocar a seleção em contato direto com o torcedor brasileiro e acostumá-la a jogar em casa - nos últimos anos, a equipe joga muito mais vezes na Europa do que em seu país. E a dupla Felipão e Carlos Alberto Parreira (que assumiu como coordenador técnico da equipe) já avisou que considera essencial atrair o apoio do público e fazer a equipe se sentir motivada e forte quando joga nos estádios brasileiros. Será mais um aspecto importante da Copa das Confederações: para uma seleção que se acostumou a enfrentar vaias de seu próprio torcedor, o ensaio geral para 2014 será também a hora de aprender a lidar com essa pressão e descobrir como trazer o público para o seu lado.

Atual bicampeã da competição - venceu tanto na Alemanha em 2005 como na África do Sul em 2009 -, a equipe da casa tenta seu terceiro título (ganhou também em 1997, na Arábia Saudita, quando o torneio ainda não era usado como um teste para os países-sede de Mundiais). A chance rara dever a seleção encarando grandes adversários no próprio país - e em uma competição oficial, o que não acontece há muito tempo - fez com que a fase de pré-venda de ingressos promovida pela Fifa, restrita a quem tem cartão de crédito Visa, fosse um sucesso, pelo menos em números (houve falhas no sistema on-line). De acordo com anúncio feito por Blatter na sexta, depois de uma reunião do Comitê Organizador, mais de 130.000 ingressos já foram garantidos pelos torcedores. Nesse mesmo período das vendas, a África do Sul tinha comprado apenas 10.000. A nova fase de venda de ingressos, agora aberta a todos (e com a inclusão de uma categoria de bilhetes com preços populares) começa na segunda-feira. 

A passagem dos dirigentes da Fifa pelo país - numa semana com agenda cheia de eventos importantes para a entidade - também foi marcada por palavras confiantes dos cartolas. Tanto Blatter como Valcke disseram em várias ocasiões que confiam na entrega de todos os estádios a tempo. Essas declarações confirmam que as relações entre os dirigentes e os brasileiros melhoraram muito nos últimos meses - no primeiro grande evento ligado à Copa no Brasil, o sorteio das Eliminatórias, na Marina da Glória, no Rio, em julho de 2011, o clima entre o governo Dilma e a Fifa era muito ruim. Um encontro em março deste ano, em Brasília, selou uma trégua e deu início a uma relação mais pragmática - afinal, os dois lados sabiam que não podiam nem sequer pensar na hipótese de fracasso da Copa no Brasil.