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Fernanda Cruz, da Agência Brasil
“Achar que reduzir a taxa de juros para esse patamar é uma medida paliativa é uma piada", disse o ministro
Ueslei Marcelino/Reuters
Dilma Rousseff, Fernando Pimentel e Guido Mantega:
a desvalorização do câmbio, de acordo com ele, é outro caso
de medida que precisa de tempo para mostrar resultado na economia
São Paulo – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, rejeitou a crítica de que as medidas de estímulo à economia que vêm sendo adotadas pelo governo sejam paliativas e argumentou que o conjunto de ações tem efeito estrutural. Para ele, não há esgotamento do modelo de estímulos usado para impulsionar a economia brasileira.
“Achar que reduzir a taxa de juros para esse patamar é uma medida paliativa é uma piada. Isto é uma medida estrutural na economia brasileira. A redução de tributos, como nós estamos fazendo, é uma mudança estrutural. Desoneração da folha de pagamentos é uma mudança estrutural”, disse durante entrevista coletiva sobre o crescimento de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB).
Na oportunidade, ele anunciou que novas medidas de estímulo, no âmbito financeiro, devem ser anunciadas na próxima semana.
Para o ministro, essas ações do governo compõem um processo de transformação, que resultarão em uma economia mais competitiva, com custos financeiros e tributários menores, além de gerar maior oferta de infraestrutura. “É um conjunto de medidas estruturais”, definiu.
De acordo ele, as medidas com objetivos de curto prazo são minoritárias, representadas por ações como redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da linha branca e automóveis.
Além disso, algumas das medidas, como a desoneração da folha de pagamentos e a redução das tarifas de energia, futuramente, surtirão efeitos na economia, já que devem entrar em vigor apenas no próximo ano.
Outras ações já tomadas, por sua vez, devem demorar a apresentar resultados, como a redução da taxa de juros. “Todo mundo sabe que ela não surte efeito imediato, exige alguns meses para fazer efeito. Isso tem sido retardado pela crise internacional, que causa uma expectativa negativa na economia internacional”, declarou.
A desvalorização do câmbio, de acordo com ele, é outro caso de medida que precisa de tempo para mostrar resultados na economia. Isso porque os exportadores já haviam feito vendas no mercado futuro, com outro câmbio. “Então, a economia está se adaptando a essa nova situação, muito mais estimulante para a produção. E ela já está começando a surtir efeito”, informou.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Que o ministro nos desculpe, mas as medidas tomadas para incentivar o crescimento da economia tem muito pouco de “estruturais”. Um, porque apenas algumas atividades foram contempladas e, dois, porque tem o caráter provisório, como no caso do IPI.
Estruturais seriam se contemplassem, por exemplo, elevar o nível dos investimentos principalmente em infraestrutura. Onde estão, por exemplo, os marcos regulatórios para portos e aeroportos? Naquilo que se enviou ao público, só resultou confusão como no caso das renovações das concessões elétricas e, agora, no caso dos royalties do petróleo. Há três meses seguidos que os investimentos vem caindo.
O ministro Mantega precisa, urgentemente, parar com papo furado porque só gogó não tira este trem do lugar. Como também, e vale para ele e todo o governo Dilma, precisa parar de buscar causas externas porque todas as razões para o baixo crescimento brasileiro estão aqui dentro mesmo. Um pouco mais de atitude e menos de ideologia faria um bem enorme ao Brasil, senhor Mantega. Então, mãos à obra. Vamos olhar para o capital privado como parceiro e não como inimigo como tem sido o mau hábito do governo petista. Até quando vão teimar em não aprender a lição?
Quanto a classificar as críticas como piada, o ministro deveria se lembrar que piada tem sido o crescimento do PIB, até porque a última vez que o ministro classificou como piada uma crítica, ele deve lembrar, bastaram seis meses para que a crítica se mostrasse acertada. Mais adiante, em outro post vamos trazer isto à lembrança do piadista Mantega.
