Adelson Elias Vasconcellos
Nesta semana, com direito a discursos e solenidades pomposas (puro desperdício de dinheiro público), a senhora Dilma lançou com pompas seu pacote para os portos. Na pressa de produzir fato novo para abafar escândalos e o pibinho ridículo, a soberana sequer esperou que o pacote ficasse completo. Mandou ver esquecendo que, sem marco regulatório para o setor, não investidor que se aventure numa empreitada às cegas.
Até, novidade nenhuma, já que em matéria de gestão, dona Dilma é só marketing. Mas chama a atenção o montante de investimentos anunciados, ou melhor, projetados, já que entre a promessa e a realidade, neste governo ao menos, a diferença é abissal. Chutou-se um bilionário de R$ 54,0 bilhões, os quais poderiam tanto ser de R$ 70,0 bi quanto de R$ 20,0 bi que não fariam a menor diferença.
Por que tanto faz um valor maior ou menor? Pela simples razão de que, em 2012, do R$ 1,1 bi orçados em investimentos para o setor de portos, o governo sequer conseguiu realizar 20%. Ou seja, o governo sequer consegue cumprir o básico, quanto avançar sobre este mínimo. E sem que as regras do jogos estejam desenhadas, a soberana pode chutar o valor que quiser, alto ou baixo, porque o pacote continuará embrulhado. Investidor procura oportunidades de negócio, mas sabe escolher ambientes propícios, em que o capital seja tratado com carinho e respeito, coisa que este governo não consegue oferecer. Assim, sem marco regulatório, fica exatamente tudo no mesmo lugar e a solenidade se encaixa com perfeição na qualificação que lhe dei acima: puro desperdício de dinheiro público, já que se prestou a um movimento de puro marketing eleitoreiro.
Afora os portos, s aeroportos também estão amargando na fila de espera já há um bocado de tempo. Promete-se que a coisa anda até o final do ano. Como este governo não merece confiança, não podemos sequer avaliar se o pacote que virá terá virtudes ou não, trazendo boas perspectivas de dar certo. Anuncia-se, por exemplo, que a participação nas parceiras com o investidor permanecerá nos 49% do pacote anterior., Ora, se não deu certo, por qual razão daria certo agora? A conferir.
Mas é bom ficarmos com um pé atrás. Este mesmo governo que lança pacotes a esmo, sem eira nem beira, prometendo mundos e fundos em bilionários investimentos, se de um lado serve para fazer as manchetes dos jornais do dia seguinte, por outro mostram a total falta de senso de realidade com que trabalha o governinho do pibinho da Dilminha. Querem ver?
Na mesma balada com que os investimentos efetivamente realizados na área dos portos – sequer atingindo 20% do programado para o ano – a situação dos aeroportos não ficou muito distante desta estatística infeliz. Somente 39,1% do disponível para o período acabou sendo feito.
E convenhamos: sabendo-se que o calcanhar de Aquiles nas obras para a Copa do Mundo é justamente os aeroportos brasileiros, e a seis meses da copa das Confederações e um ano e meio da Copa do Mundo, fica clara a total incompetência da administração Dilma em realizar projetos de grande magnitude. Se não se sai do lugar no arroz com feijão, imaginem quando chegar a hora do caviar!!!! Não tem jeito: vamos ter que suportar os milionários e corruptos puxadinhos, aquelas coisinhas miúdas, próprias de um governo pequeno, sem capacidade gerencial, sem comprometimento com as demandas e deficiências maiores de um país como o Brasil. Talvez Dilminha se realizasse administrando lojinhas em periferia de centros médios, mas com meio mandato cumprido, não mostrou até agora a que veio. Moral da história: seja na infraestrutura, seja na economia, seja na gestão e qualificação dos serviços públicos, que formam o tripé básico de um governante de nível médio, Dilma ficando devendo muito.
Na reunião do Mercosul que presidiu em Brasília, afirmou que a crise internacional é preocupante. Até pode ser, mas por que países, dentro do próprio continente, conseguem crescer a taxas maiores do que as nossas, inclusive com investimentos muito acima dos nossos?
Acho que é tempo de Dilma se preocupar mais com os problemas brasileiros do que com os que afetam a economia internacional. É dentro do nosso quintal que se requer sua atuação e atenção imediatas. E, nesse sentido, não há como concluir diferente, as ações do governo federal ainda não se mostraram competentes. Exemplo claro disto está na tal política automotiva. Praticou-se um protecionismo rombudo, baixou-se impostos, ampliou-se o crédito ao extremo, e o resultado não poderia mais desastroso do que é: produção em queda, vendas em queda e, pasmem!, preços em elevação! Ora, para que programa de incentivos para produzir desastres?
Assim, cumprindo o que determina o Manual que ensina como fazer errada a coisa certa, chegamos ao pacote elétrico da Dona Dilma. A agência de classificação de risco Fitch rebaixou as notas da Eletrobrás e Furnas por terem aceito antecipar seus contratos de concessão nas regras propostas pelo governo na MP 579. Como seus técnicos e analistas estão livres do discurso vigarista da presidente e sua gangue, podem fazer suas análises e projeções de maneira absolutamente isenta e seguindo critérios técnicos. Já nem vou entrar no mérito da afirmação bestial de que a diferença necessária para cobrir o desconto total de 20% no valor da tarifa será bancada com recursos do Tesouro, conforme determinou a presidente, porque isto revela uma ignorância dolorosa para quem está no poder desde 2003!!!
Poderia o governo ter seguido neste caso critérios técnicos, baseando-se em informações contábeis confiáveis para propor os valores de indenização. Poderia também ter reduzido a pesada carga tributária incidente sobre as tarifas e que elevam seu preço final em 50%. Mas disto já falamos em outros artigos. Como também poderia criticar de forma veemente o mau caráter dos que se alinham a presidente nas estapafúrdias regras dispostas na MP 579. Mas como colocar bom senso em mentes impregnadas de má intenção? Impossível, seu agudo desvio de caráter e ausência total de escrúpulos, não lhes permite enxergar o óbvio, convencer-se dos erros graves que estão sendo cometidos em nome de uma boa causa que, é sem dúvida, a necessária redução das tarifas. Mas há modos de se fazer a coisa, certas umas e erradas a grande maioria.
É sobre tais questões que a oposição deveria debruçar-se e marcar sua posição junto ao eleitorado, impedindo que a mentira, a mistificação e a manipulação produzam seus efeitos nefastos junto à opinião. Técnicos, por exemplo, que já atuaram na própria Eletrobrás já enviaram carta à presidente apontando os erros graves contidos na MP e que, se levados à efeito, poderão colocar em risco o equilíbrio e a saúde do próprio mercado elétrico, comprometendo o crescimento futuro do país. Mas como colocar razão em pessoas que agem com absoluta passionalidade e de forma tão irracional?
Em casos como os apontados acima, infelizmente, às vezes, compete apenas lançar alertas dos perigos que o país ficará exposto, caso vinguem a teimosia, a arrogância, a intransigência, a bestialidade. E, não sendo possível o convencimento, deixe-se o barco correr solto para ver onde vai dar. O diabo é que o custo desta monstruosidade acabará sendo pago por toda a sociedade, quando o justo é que o prejuízo fosse coberto unicamente por aqueles que o provocaram. Mas dentro deste processo de amadurecimento que o país atravessa, ficará a lição para o povo saber distinguir o bom do mau governante. Dilma não é nem uma coisa nem outra. Além de despreparada, ela é pesadamente incompetente.
Aqui no Brasil e lá fora, o brilho nosso está desbotando dia a dia, e aos poucos vai ficando claro que o crescimento sobre o qual o mundo se curvou para o Brasil passar, estava era atrelado ao crescimento virtuoso da economia mundial. Lá fizemos, a não ser as reformas que Lula herdou de seu antecessor, que justificasse toda a euforia em torno do verde amarelo. Porém, bastou o motor mundial levar alguns tropeções, e o Brasil se sentiu perdido, sem direção, sem objetivos claros, sem projetos, sem competência para sozinho resolver seus próprios problemas. Foi neste cenário de otimismo exacerbado que Dilma aterrissou no Planalto. O eleitor votou no poste pensando que ele sozinho seria capaz de iluminar-se a si e aos que estivessem em volta. Porém, esqueceram a linha de transmissão, e como a luz não anda no vento, Dilma apelou para um modelo de governança a moda ditadura militar, modelo já deixado para trás nos anos 70. Como o Brasil e o mundo mudaram muito de lá para cá, o que se vê, e é isto que surpreende e assusta, é o país tendo um imenso corredor de oportunidades à sua frente mas optar por andar para trás.
O país até pode avançar, e a história brasileira está cheia de exemplos em que, de fato, apesar dos governos, avançamos muito. Porém, nem sempre a receita pode resultar em sucesso. A menos que mude, o governo de Dilma encaminha-se para o desastre. Dali, a única coisa eficiente que se pode destacar é o marketing. Graças a ele, e não ao seu governo, ela periga reeleger-se. Ah! se a oposição fosse ao menos um pouquinho competente...
