domingo, janeiro 13, 2013

No poder, o PT atua contra o trabalhador e escraviza o pobre.

Adelson Elias Vasconcellos

Assim como ninguém é contra que a tarifa de energia seja menor para o consumidor, também ninguém pode ser contra a que se ajude pessoas e famílias em condições de extrema pobreza e miséria.

Mas há modos de se fazer a coisa certa, como há também o modo errado de se conseguir uma coisa e outra.

Sempre fui contrário ao modo como o Bolsa Família está estruturado. Não sou contra à Bolsa em si, mas que ela não tenha portas de saída? Ora, se o leitor do blog pesquisar em nosso arquivo, encontrará vários artigos nos quais não apenas sugerimos inúmeras portas para que os beneficiários se libertem da escravidão do Estado, mas também expusemos de modo crítico que, do jeito em que se estruturou, o Bolsa Família não apenas se tornou unicamente cabo eleitoral, mas ao longo do tempo, ele perenizará a pobreza. Daí a pecha de que se trata de um programa eleitoreiro. 

Em sua origem, também há um retumbante erro: a mistificação cretina de que o Lula é o pai da criança. Nada mais falso. Os programas sociais federais, até por  justiça, tiveram início com Sarney, no Nordeste, com o Vale-Leite. Mais tarde,  Fernando Henrique criou o Comunidade Solidária e o entregou à Dona Ruth Cardoso, sua esposa. O Comunidade Solidária criou uma extensa rede de proteção, somando 12 programas em diferentes graus e condições. E foi ainda mais longe: criou um atualizado cadastro de famílias, verdadeira odisseia em termos de proteção social, a partir do qual o Bolsa Família acabou se ampliando ao nível que hoje se conhece.

Foi a fusão de cinco de seus programas que foi criado o Bolsa Família, até por sugestão do atual governador de Goiás, Marconi Perillo. Procurem no Youtube. Lá vocês encontram o vídeo em que a sugestão foi feita à Lula numa solenidade no Planalto. E aproveitem para reverem na internet a lei de criação do Bolsa Família, onde se lê a fusão de cinco dos programas sociais implementados por Dona Ruth Cardoso. Querem mais: procurem o vídeo em que Lula, antes de ser presidente, criticava e condenava os programas sociais. Coerência, mesmo para os políticos, é bom e não faz mal a ninguém.  

Assim, comete-se uma tremenda e clamorosa injustiça ao se atribuir a Lula a paternidade de um programa social devotado a ajudar famílias mais necessitadas. Lula apenas capitalizou politicamente o que já havia.

Mas há uma abismal diferença entre os programas do Comunidade Solidária e o Bolsa Família: as contrapartidas. Tanto que, se voltarmos no tempo, vamos perceber que tais contrapartidas universalizaram o ensino básico no Brasil, além dar início a vertiginosas quedas tanto na mortalidade infantil quanto no índice de trabalho escravo infantil. Não ver tais realidades, é passar atestado ou de má fé ou de ignorância. Em frente.

Sempre que se critica o Bolsa Família sempre aparece um belzebu insinuando que se está defendendo que o programa seja extinto. Ledo engano. O que a crítica pretende é que o programa seja aperfeiçoado, é que ele permita que o cidadão um dia possa se libertar da escravidão do paternalismo estatal, e possa andar com suas próprias pernas. Isto é investir no próprio cidadão, é valorizar a verdadeira cidadania.

Nesta edição, reproduzimos duas reportagens, uma do Estadão e outra do jornal O Globo, em que se evidenciam a exatidão das críticas que temos feito. A conclusão é que o PT, no poder, definitivamente, joga contra o interesse dos mais pobres e até, por incrível que pareça, da própria classe trabalhadora. 

Fosse o Bolsa Família tudo o que dele se propala, e seu número, dez anos depois, já teria se reduzido em um terço, à metade talvez.  No entanto, o que vemos é que se passa justamente o contrário. Hoje, temos espantosos 25% da população brasileira vivendo e dependendo do Bolsa Família. Isto é bem representativo do quanto o programa cria uma dependência permanente do cidadão ao paternalismo estatal. É muita coisa. Que em seu nascedouro, quando incorporou em um único programa, cinco outros já existentes, o Bolsa Família arrancasse com tamanha grandeza, vá lá. A pobreza e a miséria eram extremas no início dos anos 90. É a partir de 1995 que ela começa a recrudescer, e não em 2003 como se mente por aí. 

Pois bem, passados dez anos com o PT no poder, o que vemos é este número ou se estabilizou ou ainda sofre ligeiros aumentos, como se pretende com o tal Brasil Carinhoso. Senhores: se o programa é social e tem por objetivo  inserção social dos indivíduos  na sociedade, no mercado de consumo, deve também reinseri-lo no mercado de trabalho, até em cursos profissionalizantes para sua devida valorização profissional. Tudo isso deveria estar proposto nas bases do programa, e seus resultados deveriam ser medidos com frequência, avaliação necessária até para correções de rota,  permitindo que se promovam aqueles beneficiários “recuperados”  a saírem do programa. Infelizmente, para o PT, não há interesse político em praticar esta promoção, a tal ponto que só se fala que as pessoas passaram a consumir mais, e não a viverem melhor. 

Várias vezes nos referimos ao Seguro-desemprego como um exemplo bem acabado de um programa completo. Nele há começo, meio e fim, e ao cabo do período de proteção a grande maioria já está trabalhando novamente. 

Também nesta edição reproduzimos reportagem da Exame.com dando conta de que o governo Dilma alterou os critérios de reajuste do valor do seguro-desemprego, fazendo com que seu valor sofresse uma correção menor do que se mantido os critério anteriores. Verdadeiro ato de traição para quem trabalha. 

Outra questão que podemos apontar como ação nefasta do PT contra os trabalhadores é a tabela do imposto de renda na fonte sobre o trabalho assalariado. Trata-se de verdadeira sacanagem, se me permitem o termo, contra os trabalhadores.  E esta safadeza começou  já no primeiro ano de mandato de Lula da Silva, em 2003. É a grande facada do PT sobre os assalariados brasileiros!

O governo reajustou tudo, salário mínimo até o piso do magistério teve lá seu agrado. Seguro desemprego (com valor menor), aposentados com um ou mais salários mínimos. Não escapou nem a tabela de contribuição previdenciária do INSS.

Pois bem, pergunta-se: e a tabela do imposto de renda na fonte, hein, como ficou?

De acordo com a Lei 12469 de 26.8.11, a partir de janeiro de 2013 o imposto na fonte sobre o trabalho assalariado   incidirá  a partir de ganhos iguais ou superiores a R$ 1.710,79, ou 2,52 salários mínimos.

Em 2012, para um salário mínimo de R$ 622,00, a incidência era a partir de R$ 1.637,11, ou 2,63 salários mínimos.

Assim, fica claro que o confisco sobre os salários aumentou  em 2013, pois mais gente terá descontado imposto de renda na fonte.

O curioso é que, um governo comandado pelo Partido dos Trabalhadores, que se diz tão social, que promoveu mais de 30 milhões para a classe média (classe média de mentirinha, bem sabemos, mas ainda assim, vá lá),  que canta marra de ter praticado a maior distribuição de renda da história, é, paradoxalmente, o que também está aplicando o maior confisco salarial da história. Quando Lula assumiu em 2003, a isenção do imposto de renda ia até 5 salários mínimos. Em dez anos, Lula e Dilma cortaram a isenção à metade, aumentando assim a faixa de assalariados que passaram a ter descontado na fonte o IRF. 

Tivessem mantido a proporcionalidade ao tempo de FHC, a isenção hoje seria até R$ 3.390,00, e não até R$ 1.710,78 como está sendo aplicado. Eis aí uma das maiores farsas praticadas pelo petismo e sobre o qual pouco se comenta. Por que, hein?

Portanto, se você, leitor ou leitora, não for militante do PT, pode chamar de mentiroso ou mentirosa qualquer autoridade petista que bater no peito se autodeclarando como representante tanto dos pobres quanto dos trabalhadores. Os fatos acima são pura realidade. São números incontestáveis que deixam claro a hipocrisia do discurso petista, que é falso, distorcido, manipulador. 

Se diz que a imprensa é conservadora, direitista, reacionária e até golpista quando esta critica o governo petista. Nada mais ridículo, patético. Fosse assim como o PT a classifica e todos os dias as manchetes inundariam o dia a dia dos brasileiros com verdades como as acima detalhadas, contestando firmemente as mentiras que o PT tenta impor à sociedade, sociedade esta formada por absoluta maioria de desinformados, semi analfabetas, pessoas sem acesso à informação qualificada capaz de contestar veemente o esbulho que lhe estão cometendo, através de programas que se dizem sociais, mas que tem o dom de perenizar a pobreza, escravizar os indivíduos mais pobres ao paternalismo estatal, cobrando-lhes em troca o devido voto na próxima eleição. Ou, mentindo sobre os tais aumentos reais do salário mínimo quando, escamoteadamente, lhes confisca com maior apetite estes salários na forma de imposto na fonte.  Ou apertando o torniquete com extrema crueldade sobre os aposentados da iniciativa privada,   ou traindo ainda os trabalhadores ao lhes sonegar maior amparo, reduzindo os índices corretivos do seguro desemprego. 

Assim, desafio qualquer petista a contestar o que vai acima. Não adianta estrebuchar com argumentos infantis, com grosserias, com afirmação tola e indecente. Contestem com fatos, com datas,  com realidades. 
E até que ninguém o faça, a verdade irretocável é que o PT, de fato, escraviza o pobre em troca do voto, e trai e humilha o trabalhador, prometendo aumentos reais de salários e, traiçoeiro, lhe aumenta o confisco na forma de impostos. Já provamos aqui o que aconteceu com a energia elétrica no Brasil. Enquanto no governo FHC o peso era de 21,6% sobre o valor da tarifa, Lula e Dilma se encarregam de elevar  este peso tributário para fantásticos e inadmissíveis 48%. Portanto, neste caso, o governo tem gordura suficiente para queimar no sentido de reduzir não apenas em 20%, mas até mais, o valor pago pelos consumidores de energia no  Brasil. Mas prefere mentir à sociedade, e de forma absolutamente totalitária,  impõem às concessionárias que se rasguem contratos, que se mude as regras com o jogo em andamento e ainda lhes exige uma perda bilionária capaz de colocar em risco a própria saúde econômica e financeira das empresas.
Em resumo: este é um governo que rema contra o Brasil. O crescimento do PIB tem sido pífio? Nada maias justo por representar o mau governo petista,  principalmente de Dilma Rousseff. Está na hora da sociedade brasileira despertar rápido antes que nos tornemos uma bagunça ainda maior nas mãos destes larápios.

A violência no continente –
A Agência EFE fez levantamento, publicado no Portal Terra, demonstrando que nos últimos dez anos, a violência cresceu apenas na América Latina, não por outra, período que coincide como crescimento das esquerdas a frente de um número crescente de países.   Atenção; o continente não viveu neste período nenhuma guerra externa nem civil. Como vemos no Oriente Médio, Leste Europeu África e Ásia . E, mesmo assim, mesmo nestas regiões, a violência tem decrescido.

Não se trata de coincidência. Vejam os números da violência. Onde o PT comanda os governos estaduais, a violência tem explodido.   E, em números gerais, a violência tem crescido quase que epidemicamente, com o PT na presidência da república. 

Em parte, uma explicação plausível está no fato de que as esquerdas em geral adotam como tática de poder afrontar as instituições, o estado de direito, ora tornando os Legislativos submissos à sua exclusiva vontade, ora aparelhando os Judiciários, roubando-lhes a independência. O aparelho repressor do Estado se volta mais ao combate aos adversários políticos e críticos do regime, do que no confronto ao crime organizado, tremendamente infiltrado no poder e nos demais órgãos do Estado.  

Ou as esquerdas não combatem a violência da forma correta, entupindo-se de ideologia retrógrada, que lhes retira o bom senso, ou simplesmente sequer a combatem, deixando a barbárie e a selvageria tomarem conta de seus povos, situação em que pensa ser possível reinarem sem confronto, na base do quanto pior, melhor. Até pode ser tal forma de agir resultado de suas deformações ideológicas. Mas com certeza desenvolvimento e melhor de qualidade de vida é que não é.  Não é mesmo. Muito menos democracias saudáveis.

O outro lado da violência, no Brasil –
Dentro do mesmo tema, nesta semana, entidade representativa dos homossexuais brasileiros divulgou um dado interessante sobre violência contra a classe. Em tom de protesto, informou que a cada 26 horas um gay é assassinado no Brasil. Poderia ter ido mais longe. Considerado o número de homicídios no Brasil, poderia ter informado ao distinto público que, POR DIA,  153 heterossexuais são assassinados no país, ou  6 a cada hora, ou ainda, um hetero é assassinado a cada 10 minutos. Afinal, quem tem mais razão para se queixar  sobre a segurança, ou a falta dela, no Brasil?