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Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, perdeu nesse mês apenas uma de suas batalhas contra a bebida, destacada entre os vilões que causam obesidade
Mario Tama/Getty Images
São Paulo – O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, perdeu no dia 11 de março apenas uma batalha de uma guerra que vem travando em sua cidade: contra o refrigerante. No último dia 12 entraria em vigor uma medida que proibiria a venda de bebidas fortemente adoçadas (como refrigerantes e chás com alto teor de açúcar) em recipientes com mais de 500 ml para boa parte dos estabelecimentos comerciais. Um dia antes, a medida, proposta pelo político, foi derrubada.
Mas o projeto defendido pelo bilionário Bloomberg, o 13º homem mais rico do mundo, foi apenas uma, entre aprovadas e rejeitadas, contra refrigerantes. O político não tem nada contra um copo de refrigerante uma vez ou outra, mas defende que a bebida é uma das maiores vilãs do país quando o assunto é obesidade, especialmente a infantil.
Em sua luta contra essa que é uma das maiores ameaças à saúde pública nos Estados Unidos, Bloomberg costuma apresentar algumas estatísticas assustadoras. Pelos dados que mostra, 70 mil pessoas devem morrer por problemas decorrentes da obesidade nos Estados Unidos só em 2013. Deste total, 5 mil pessoas apenas na cidade de Nova York. Neste ano, a expectativa é que, pela primeira vez na história, mais pessoas morram no mundo por problemas decorrentes do sobrepeso do que da desnutrição.
No dia da derrubada da proibição que ele propôs, Bloomberg repetiu os números. Primeiro, em um discurso para a imprensa. Logo mais, no popular programa de entrevistas de David Letterman (confira vídeo em inglês).
A medida foi derrubada após pressões da New Yorkers for Beverage Choices (algo como Nova-iorquinos pela escolha de bebidas), uma associação criada para fazer oposição a medidas polêmicas do prefeito. Por meio dessa associação, consumidores e empresas defendiam que as bebidas continuassem sendo vendidas em qualquer tamanho de recipiente em todos os estabelecimentos comerciais para não afetar o direito de escolha do consumidor.
Bloomberg defende que a ideia não muda nada para o consumidor, que continua podendo comprar qualquer quantidade de refrigerante. Mas precisando de uma quantidade maior de recipientes, os consumidores teriam que pensar mais em sua decisão.
O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg
Apesar do impasse, Bloomberg não deu sinais de que vai desistir da ideia (ou de outras ações que limitem o consumo de refrigerante). Além do pronunciamento para a imprensa e da entrevista no programa de David Letterman, visitou dias após a proibição um restaurante que, voluntariamente, adotou a medida.
Os donos do Lucky’s Restaurant receberam o prefeito bilionário, que agradeceu o esforço pela saúde dos nova-iorquinos e indicou que não vai parar de tentar barrar o refrigerante nem tão cedo.
Luta antiga
Essa não é a primeira proposta de Bloomberg para tentar, por meio de leis, reduzir o consumo de refrigerantes nos Estados Unidos. Veja outras ações sobre o assunto:
Discussão pública
A prefeitura de Nova York mantém um site feita sob medida para adolescentes. Na página, existe uma área dedicada à saúde. Lá, constam alguns tópicos de destaque, entre eles, refrigerante.
Na tentativa de incentivar uma vida mais saudável, a página traz depoimentos de jovens que sofrem de obesidade e até de uma adolescente que diz ter melhorado inclusive a qualidade de sua pele por ter parado de tomar a bebida.
Além dos depoimentos, a página da prefeitura traz dicas para os adolescentes, como substituir refrigerante por água e limitar o consumo a uma lata por semana.
Peso no bolso
Outra proposta que causou polêmica foi a Soda Tax. Proposta em 2010, tratava de um imposto sugerido por ml em bebidas fortemente adoçadas, como refrigerantes e chás industrializados.
Fora da cesta básica
Nos Estados Unidos, existe um programa popularmente chamado de food stamps que por meio de desonerações e outros benefícios promete tornar os alimentos mais acessíveis para a população de baixa renda. Apesar de o programa ser federal, as regras são regionais. Bloomberg propôs, mas não conseguiu tirar refrigerantes do programa de benefícios.

