O Globo, com Agências
Fundos cobram dívida de US$ 1,3 bi por causa de moratória de 2001
BUENOS AIRES e NOVA YORK — Terminou no fim desta sexta-feira o prazo para que a Argentina entregasse à Corte de Apelações dos Estados Unidos sua proposta de pagamento de um grupo de credores da dívida soberana após a moratória de 2001. Eles não participaram das operações de reestruturação da dívida do país em 2005 e 2010 e exigem o pagamento de US$ 1,3 bilhão, ou suas dívidas completas, sem descontos. Há especulações de que a Argentina fará uma oferta que inclua novos títulos, o que não deve ser aceito pelos chamados “fundos abutres”. Até o fechamento desta edição, no entanto, não havia confirmação de entrega da proposta.
O governo argentino vem argumentando que não pode oferecer agora um tratamento melhor que nas ofertas de 2005 e 2010, porque estaria prejudicando os 92% dos credores que participaram daquelas operações. Na negociação de 2010, foi incluída uma cláusula que determinava que não haveria oferta posterior melhorada. A imprensa do país vem especulando que serão oferecidos novos títulos, com vencimento em 35 anos. E sem a previsão de pagamento completo da dívida, mas de apenas 30% do valor.
Se a proposta for negada pela Corte de Apelações, a Argentina pode até mesmo recorrer à Suprema Corte dos EUA. Mas isso pode trazer consequências para o país, segundo analistas. Para o analista financeiro Josh Rosner, diretor-gerente do Graham Fisher & Co, em Nova York, o tribunal queria uma proposta, por exemplo, de pagamentos trimestrais ao longo de três anos:
— Não estavam buscando um financiamento criativo no qual a Argentina force novos títulos.
Há quem veja ainda como uma estratégia perigosa o desafio aos “fundos abutres”.
— Se isso acontece, obriga a Argentina a tomar a decisão de aceitar ou entrar em default técnico, o que vai aumentar o risco país e deteriorar ainda mais o preço dos títulos públicos, assim como levar a nova alta do dólar paralelo. Este não é o melhor momento para correr esses riscos — disse o economista Ramiro Castiñeira.
Ontem, representantes de credores minoritários pediram que a Casa Rosada fizesse “a melhor oferta possível diante da emergência”. Já os chamados “fundos abutres” se mostraram mais intransigentes e afirmam que “não caminhará” qualquer proposta que se aproxime das ofertas feitas anteriormente aos credores, ou seja, que inclua a emissão de novos títulos ou o pagamento parcial.
A expectativa é de que o julgamento da Corte de Apelações seja rápido e a decisão saia em menos de dez dias.