domingo, março 31, 2013

IPCA e IPCA do B


Angela Bittencourt
Valor

A inflação oficial do Brasil deve fechar 2013 em 5,6%. Essa é a projeção do Bank of America Merrill Lynch que está bem alinhada à do mercado. E essa estimativa é até bem comportada frente à variação acumulada em 5,84% de janeiro a dezembro de 2012. Mas a inflação brasileira pode não estar aí, não, dependendo de quem olha e de como olha. E David Beker, economista-chefe do BoFA no Brasil, prova que para o IPCA existe um IPCA do B que é bem mais gordinho.

Uma primeira leitura para o IPCA, divulgado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a que considera o efeito das inúmeras medidas tomadas pelo governo para conter a escaladas dos preços. Uma segunda leitura é a que expurga esse impacto. Logo, o índice engorda.

Beker construiu um IPCA do B livre da redução da conta de luz, do abatimento do IPI na venda de automóveis e bens de consumo da linha branca no ano passado  e com os itens combustíveis e transportes públicos sem interferências das decisões oficiais. Como resultado, observou que, ao final de 12 meses encerrados em fevereiro, para o IPCA de 6,31% existe um IPCA do B de 8,26%.

O diferencial entre o IPCA oficial e o IPCA do B, calculado a partir da exclusão das medidas fiscais tomadas pelo governo para reduzir as pressões inflacionárias, chegou a 1,95 ponto percentual em fevereiro.
O economista-chefe do BoFA explica, em relatório, que o IPCA expurgado das medidas oficiais encerrou 2012 a 7,23%.

Em tempo:  Isso quer dizer o seguinte: se o governo nada fizesse e nada fizer, a inflação já estaria longe, bem longe, do teto de 6,5% da banda do regime de metas em vigor no Brasil.