O Globo
Relatório aponta risco para os torcedores e problema na cobertura
Interdição foi revelada com exclusividade no blog de Ancelmo Gois
Jogos marcados para o estádio no meio de semana serão em São Januário
Genilson Araújo
Vista aérea do estádio João Havelange (Engenhão),
na véspera da inauguração
RIO - O Engenhão está interditado por tempo indeterminado, sem prazo para reabertura. A decisão de interditar foi tomada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, após receber relatório que informava haver risco para os torcedores, devido a problemas na cobertura do estádio. Segundo Paes, é possível que seja um erro de projeto. Ele informou ainda que a prefeitura vai arcar com todas as despesas da reforma. A notícia da interdição foi dada em primeira mão, na tarde desta terça-feira, pelo colunista Ancelmo Gois em seu blog no GLOBO.
- O estádio vai ficar fechado por tempo indeterminado. Se me apresentarem uma solução que vai levar um mês, ele ficará um mês fechado. Se durar um ano, vai ficar um ano fechado. Só vou desinterditar o Engenhão quando surgir uma solução definitiva para o problema. Não podemos brincar com um negócio desse - disse o prefeito.
Eduardo Paes optou pela interdição depois de ouvir, na manhã desta terça-feira, a explanação de um especialista de uma empresa alemã contratada pelas construtoras responsáveis pelo final da obra. O projeto e a construção do estádio inicialmente ficaram a cargo da empreiteira Delta, que abandonou a obra no meio. A Odebrecht e a OAS, quando a assumiram, colocaram no contrato uma cláusula que passava à prefeitura a responsabilidade por eventuais erros de projeto. Segundo os especialistas alemães, condições climáticas, como a velocidade do vento, por exemplo, poderiam provocar acidentes e colocar em risco os torcedores.
- Fui procurado no fim da semana passada pelo consórcio responsável pela construção do Engenhão. Eles vêm monitorando a situação da cobertura desde o início. Perguntei se esses problemas representavam risco para os torcedores. E a resposta foi "sim", dependendo de determinadas circunstâncias, como velocidade do vento e temperatura - informou o prefeito. - Independentemente disso, existia o risco. Não sei dizer a proporção. Diante desse fato, tomei a decisão de interditar o estádio imediatamente - completou Eduardo Paes.
O prefeito contou ainda que tinha perguntado aos técnicos se haveria risco de a estrutura ruir. "Provavelmente, não", respondeu um dos alemães, segundo Paes, para completar em seguida: "Mas provavelmente não é certeza." Paes então decidiu não pagar para ver e convocou os presidentes de clubes para comunicar a decisão de interditar o estádio.
O histórico do Engenhão
Localizado no bairro do Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio, o Estádio Olímpico João Havelange foi inaugurado no dia 30 de junho de 2007 pelo então prefeito do Rio, Cesar Maia, para receber as competições de atletismo e futebol dos Jogos Pan-Americanos daquele ano. Meses depois, em agosto, o Botafogo venceu a licitação aberta pela prefeitura para o arrendamento do estádio, amarrando seu vínculo até 2027, com possibilidade de renovação por mais 20 anos.
A obra custou um total de R$ 380 milhões.
A partir de 2010, o estádio foi rebatizado pela nova administração como 'Stadium Rio', com o objetivo de criar um laço maior com o mercado do entretenimento. Com capacidade para 46.831 pessoas, o Engenhão recebeu jogos de seis campeonatos estaduais (incluindo o de 2013), além dos mandos de campo de times do Rio para competições nacionais e internacionais.
Com a interdição do Maracanã em 2010, o Engenhão tornou-se o principal estádio do Rio, passando a receber todos os clássicos cariocas. Já a seleção brasileira só conheceu os gramados do estádio nas eliminatórias para a Copa de 2010, em partida contra a Bolívia, que contou com pouco mais de 30 mil torcedores. Além disso, foi palco de diversos shows internacionais, como os de Paul McCartney, Roger Waters e Justin Bieber.
