Adelson Elias Vasconcellos
Dona Dilma Rousseff, do alto do palanque eleitoral do qual, diga-se, jamais arredou pé, afirmou n festa promovido pelo PT para comemorar seus dez anos no poder federal, que os governos seu e de Lula não receberam herança nenhuma do antecessor, que tudo que está aí foi construído por eles, Lula e Dilma.
É claro que o ex-presidente FHC sentiu-se ofendido com a afirmação mentirosa e canalha. Mas, peraí: quem, senão os próprios tucanos se iludiu esperando dos petistas algum ato digno?
Ora, ainda com FHC no Planalto, pode-se conhecer muito bem a essência dos petistas. Sabe-se que na oposição, não só trataram de sabotar os adversários, como ainda sempre deram um jeito de difamá-los. Não se espere de um governo petista um ato digno de reconhecimento das virtudes dos governos ao quais sejam oposição. É parte de sua estratégia poder, demonizar as virtudes alheias, para terem, mais adiante, motivos para justificarem seus erros.
Quando Dilma assumiu e acenou alguns agrados aos tucanos, em carta e até em discursos, fazia parte da estratégia agradar o ego dos adversários para que sua atuação na oposição fosse mais contida, mais serena. Quem caiu no estratagema o fez porque quis, sabendo que, mais adiante, o agrado custaria caro.
O arquivo do blog está repleto de artigos em que demonstramos que os principais programas virtuosos do PT tem sua origem senão toda a sua estrutura construída no governo FHC. O Bolsa Família é bem um exemplo. A sensível melhora dos principais indicadores sociais começaram a partir de 1995, e não de 2003, como o PT tenta mentir.
A estabilidade econômica teve seus pilares construídos com o Plano Real, contra o qual o PT se indispôs e no youtube há diferentes vídeos do próprio Lula confessando ter errado a sua crítica. Também há vídeos em que o Lula classifica de eleitoreiros os programas sociais que, mais tarde, iriam resultar no seu bolsa família.
E o que se dizer do PAC que é uma versão piorada do Avança Brasil? Em qualquer direção que se vá, iremos constatar que o PT transforma em seus, os programas alheios, demoniza as virtudes dos adversários e torna virtudes imaculadas seus mais graves defeitos!!!
Melhor do que ninguém, FHC conhece bem o DNA petista. Portanto, não deveria sentir-se espantado com a declaração de Dilma. São inescrupulosos por excelência, independente de estarem no poder ou na oposição. Ou citem um único governo de 1985 a 2002, para o qual os petistas tenham prestado uma colaboração que fosse ou que não tenham tentado sabotar com todas as suas forças? Sequer participaram do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves e pôs fim à 21 anos de ditadura militar, como se negaram também até em assinar a atual constituição do país.
Há alguns atrás, o próprio FHC reconheceu o erro de não ter capitalizado politicamente a rede de programas sociais – eram doze – implementados e desenvolvidos pelo Comunidade Solidária, à época, comandada por Dona Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente.
Se a gente confrontar bem os governos petistas com o que fizeram comunistas, nazistas e fascistas, sua principal virtude, razão quiçá de sua popularidade, centra-se na máquina de propaganda, empregada sem freios para vender aos olhos externos virtudes que não existem, exaltar feitos imaginários, e negar qualquer distorção ou incompetência. A essência de governantes autoritários e com a qual se sustentam no poder, é o uso da mentira como arma política. Os governos Lula e Dilma, apoiados por fabulosa e milionária máquina publicitária comandada por marqueteiro de extrema competência, elevaram a mentira à categoria de pensamento, de um valor permanente para se mostrarem à grande massa os fundadores de um novo tempo de glórias. Construíram no imaginário um Brasil que não existe, de norte a sul feito de fantasias e mistificações.
Houve tempo em que afirmamos que, cedo ou tarde, a máscara cairia, e ao menos no mundo exterior, livres da influência publicitária, enxergaria a verdadeira essência destes governos populistas repletos de falsas impressões. Desde que a crise financeira de 2008, quando o Brasil parou de ser financiado pelo desenvolvimento econômico alheio, pouco a pouco a fumaça que escondia nossa realidade, que mantinha oculto do exterior nossas mazelas, foi sendo desanuviada e exibindo não um projeto de país, mas um projeto totalitário de poder.
Talvez por não perceberem que a direção dos ventos tomara novo rumo, tanto Lula quanto Dilma continuaram insistindo em não assumirem seus erros, suas má escolhas, em quererem demonstrar uma capacidade que nunca tiveram. Para o mundinho velho de guerra lá fora, hoje se sabe em que bases o Brasil construiu sua estabilidade, em que ponto inicial nossos indicadores sociais sofreram uma verdadeira revolução positiva.
Dilma, levada mais por sua estúpida arrogância, tenta a qualquer custo desconstruir as virtudes, na economia e no social, erguidas no período 1995/2002. Tanto que Mantega tenta desmontar o tripé no qual a estabilidade econômica se encontra assentada. Infelizmente, o resultado até aqui tem sido péssimo, a ver os indicadores da área negativos. Dilma tentou emplacar, por decreto, o fim da miséria. Antes do programa ser lançado há duas semanas atrás, o plano de marketing já estava pronto. Ou seja, primeiro se monta a mentira através de propaganda maravilhosa tanto quanto mistificada. Só depois, o principal, que são os programas e as ações que o irão embalar, em si, é que vão para as ruas e os resultados virtuosos já aparecem relacionados e bem dispostos no material publicitário. São governos de pura fantasia, falsos como notas de R$ 3,00, e não deveriam, deste modo, iludir aos mais bem informados.
O Brasil mantém uma incrível estatística de ter dois terços de sua população semialfabetizada e, portanto, longe da boa informação. É neste campo que o PT, usando este exército de incautos, atua a seu favor.
Quando percebeu que o mensalão e os indicadores econômicos ruins poderiam afetar sua imagem, e antes que a oposição fizesse bom uso disto, o PT se apressou em mudar o foco da discussão nacional, lançando, com quase dois anos de antecedência, o processo eleitoral para a sucessão de Dilma. E o pior é que colou: hoje a oposição continua discutindo seu rumo, seus prováveis candidatos, esquecendo-se de exercer seu papel, como se viu na ação do embaixador venezuelano e no complô armado contra a visita de Yoani Sanchez pelo Planalto e com gente do governo, políticos do PT, PC do B e o embaixador de Cuba.
O Brasil, no fundo, virou uma geleia geral. Quem quiser investir por aqui não sabe sequer quais regras do jogo em que se fiar, tamanha as alterações de última hora dos marcos regulatória. O que ontem era regra, amanhã já não é mais.
As estatísticas oficiais da economia já viraram zorra total. Não se sabe em quais números confiar, tamanha as maquiagens empregadas para mascarar a realidade.
Assim, as oposições não podem continuar iludidas com o PT que temos aí. Se necessário, eles vendem a mãe e o resto da família para se manter no poder, única e verdadeira obsessão que os alimenta. Esperar coisa melhor é insistir na estratégia que tem tornado a oposição cada dia mais irrelevante, e até se poderia dizer: a própria representatividade política se tornou ordinária, desprezível, inútil. O Congresso, e provas não faltam, se tornou um mero ajudante de ordens (de luxo!) do Executivo, é um poder sem poder, sem vontade própria, sem autonomia, sem direção a não ser satisfazer os caprichos do Executivo, por piores e mais desprezíveis que tais caprichos possam ser, ou ainda, por mais que atentem ao verdadeiro interesse público .
Aécio Neves, provável candidato oposicionista à Dilma, diz que botará o bloco na rua em maio, antes seria logo após o Carnaval. Deveria tê-lo feito tão logo as urnas de 2010 foram fechadas. Lamento informar, mas o mineiro está chegando com um atraso de pelo menos dois anos e meio e o que é pior: com um discurso vazio, desbotado e distante da realidade do atual cenário político.
A oposição acha que ao reconquistar o poder federal, se fortalecerá nacionalmente. Infelizmente, a estratégia vai na direção oposta. Vai errar de novo e vai continuar oposição, e cada dia mais debilitada. Enquanto insistir em desconsiderar as estratégias empregadas pelas esquerdas, enquanto teimar nesta inútil e burra opção pela tal “oposição responsável”, enquanto bater na mesma tecla de simplesmente ignorar os graves erros petistas, apontando-os e condenando-os para se firmar junto à opinião pública, vai continuar juntando cacos e acumulando derrotas. Não se vê, nem do lado governista, tampouco por parte das oposições, ninguém pensando no país, nas suas carências e necessidades. Só se fala no poder, pelo poder. Nossa nau segue desgovernada, sem rota definida, sofrendo de espasmos e improvisos. Quem sabe até 2014 não apareça alguém com um discurso diferente, com um plano de ação diferente. O mundo gira, senhores, todos buscam progresso, trabalham por ele, criando caminhos alternativos para se desenvolverem. Por aqui, entretanto, insistimos nesta luta esganiçada de poder, enquanto o país vai ficando para trás e perdendo o bonde da história. Vale reprisar os avisos anteriores: desfila à nossa frente, um inigualável período da história em que se multiplicam as oportunidades de promovermos um salto de qualidade no nosso desenvolvimento. Infelizmente, estamos desperdiçando uma a uma estas oportunidades. As futuras gerações, estejamos certos, não nos perdoarão pela cegueira e pela preguiça de agora. E tão cedo tais oportunidades não repetirão, não mesmo.
Passa da hora de por um “basta” ao estelionato eleitoral petista e ao descarado roubo das virtudes e obras alheias. Não me filio a partido algum. Sou apenas um brasileiro sonhando com alguém na presidência pensando e agindo em favor do país, e não, exclusivamente, em si mesmo e seu partido. Simples assim. Mais do que herança que dizem os petistas não haver recebido, o que deve nos preocupar é a herança que eles irão nos deixar. Para exterminar a maldição da utopia esquerdista , precisaremos de muitos governos para desinfetar o Brasil. E isto não se faz entre sorrisos e foguetório, será um processo doloroso.