terça-feira, abril 02, 2013

A um mês do prazo, dúvidas sobre o 4G


Sérgio Matsuura
O Globo

Operadoras têm até o dia 30 para oferecer o serviço nas seis cidades-sede da Copa das Confederações

MANU FERNANDEZ/AP
 A tecnologia LTE permite velocidade de conexão
 de até 25 Mbps, quase dez vezes superior ao 3G 

Os brasileiros estão prestes a experimentar a última geração de conexão à internet móvel, o LTE, mais conhecido como 4G. De acordo com o cronograma estipulado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as operadoras têm até o dia 30 de abril para oferecer a nova tecnologia em 50% do espaço urbano das seis cidades-sede da Copa das Confederações — Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Fortaleza. As teles prometem cumprir o acordo, mas o prazo é curto e ainda restam dúvidas se o serviço estará no ar.

— Sinal, vai ter. Talvez não com toda a abrangência que o governo estipulou, mas as cidades terão o 4G — avalia Erasmo Rojas, diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas, associação internacional que reúne fabricantes, operadoras e fornecedores da área de telecomunicações.

De acordo com o Ministério das Comunicações, todos os pontos acertados no edital de licitação serão cobrados pelo governo. A Anatel, informa o ministério, tem equipamento e pessoal para verificar a qualidade e a cobertura do sinal. Em caso de descumprimento, as operadoras estão sujeitas a punições e até à perda da autorização para a prestação do serviço.

O leilão do espectro para a implantação do 4G foi realizado em junho do ano passado. A assinatura dos contratos se deu apenas em outubro. Na época, as empresas de telefonia reclamaram do prazo.

— É 30 de abril. As teles sabiam quando participaram da licitação e agora terão que cumprir — diz Artur Coimbra, diretor de Banda Larga do Ministério das Comunicações.

O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, diz que o maior desafio ainda está por vir. Para cumprir o cronograma estipulado, basta que as operadoras instalem antenas 4G nos sites já utilizados para o 3G. Porém, diz o engenheiro, as empresas não querem apenas colocar o sistema no ar, mas conquistar clientes. E isso requer qualidade.

— O serviço entra no ar, com poucos usuários, cobertura irregular, mas dentro do compromisso assumido com a Anatel. Pelo prazo, as operadoras não conseguem fazer muito mais que isso — diz. — A partir daí, a cobertura vai ser melhorada, mas na medida em que haja clientes.

Esse é o pensamento do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil). Para expandir o serviço, a entidade estima que será preciso instalar, até o fim do ano, 9.566 antenas nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo. Nos municípios que abrigarão a Copa das Confederações, em junho deste ano, o déficit é de 4.814 antenas.

Segundo o diretor-executivo do Sinditelebrasil, Eduardo Levy, a obtenção de licença para a instalação de um site para antenas demora, em média, seis meses. Esforços recentes, como a criação de legislações municipais que aceleram a tramitação dos pedidos, aumentaram a velocidade de instalação, mas não o suficiente para atender à necessidade das operadoras.

— Em 2012, nós conseguimos aumentar em mais de 50% o volume de instalações. Em média, foram 15 novos sites por dia. Este ano, nós temos que dobrar a velocidade — diz Levy.

O diretor de Planejamento e Tecnologia da Vivo, Leonardo Capdeville, explica que, à medida que o número de assinantes for aumentando, a cobertura tende a diminuir, pois será preciso aumentar a intensidade do sinal para atender à demanda.

— A única solução é colocar mais antenas.

Para driblar as dificuldades impostas pela legislação, as teles estão se unindo para oferecer o serviço. Vivo e Claro negociam parceria. Semana passada, Tim e Oi apresentaram à Anatel pedido para compartilhar redes 4G.

Outra preocupação é com a qualidade do sinal nos estádios. Para atender ao público dos jogos, é preciso que a rede seja reforçada nesses locais. A previsão de investimento é de R$ 200 milhões para os 12 estádios da Copa do Mundo. Mas, faltando pouco mais de dois meses para o início da Copa das Confederações, as operadoras ainda não chegaram a acordo com a administradora do Mineirão, em Belo Horizonte.

A tecnologia 4G oferece conexão à internet com velocidade até 25Mbps. Hoje, o 3G Plus oferece de até 3 Mbps.