quinta-feira, abril 18, 2013

FMI: Brasil está perto do crescimento potencial


Flávia Barbosa, 
O Globo

Chefe do Departamento de Pesquisa do FMI defende que, quando avanço do PIB acelerar, política monetária expansionista será questionada

WASHINGTON - A economia brasileira está próxima de seu crescimento potencial, ou seja, o ritmo de atividade a partir do qual há pressão inflacionária, e isso deverá levar o Banco Central a reavaliar a política de juros, avaliou Thomas Helbling, um dos chefes do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI). Sem especificar prazos — o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne hoje e amanhã —, Helbling afirmou que à medida que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) se acelerar, o que é esperado ara 2013, a atual política monetária expansionista "será questionada", pois a inflação já se encontra no teto da meta.

— A inflação está no limite superior da banda e o núcleo da inflação está relativamente elevado. Na medida em que o crescimento começar a melhorar, a atual política monetária acomodativa será questionada, no sentido de que a taxa de juros está abaixo do que consideramos o patamar neutro (que estimula crescimento sem pressionar a inflação) — afirmou Helbling, no lançamento das novas projeções do relatório trimestral "Perspectivas para a Economia Global".

O FMI projeta expansão de 3% para o Brasil em 2013 e de 4% em 2014, após alta do PIB de apenas 0,9% em 2012. Para o IPCA, a previsão é de taxa de 6,1% este ano e de 4,7% no próximo.

Helbling reafirmou a preocupação do FMI com gargalos na economia brasileira, que podem limitar o ritmo de crescimento no médio prazo:

— Há vários gargalos à oferta no Brasil. No curto prazo, o impacto imediato é de infraestrutura. Com crescimento muito rápido, esses gargalos ficam evidentes. A questão é removê-los, o governo deve permitir que o setor privado participe dos investimentos, o que pode gerar alívio a partir deste ano, razão pela qual veremos o crescimento acelerando. O Brasil também viu rápida expansão do emprego, que alimentou consumo e PIB (...) Mas a expansão da população ocupada vai desacelerar, por questões demográficas e porque há escassez de mão de obra qualificada em alguns setores.