quinta-feira, abril 18, 2013

Suspeito de enviar carta com veneno para Obama é preso


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Com agência Reuters

Fontes policiais informaram que suspeito é do Mississippi. Testes apontaram presença de ricina em correspondência interceptada na Casa Branca

(REUTERS/Gary Cameron) 
A polícia do Capitólio ordenou a evacuação de algumas áreas do prédio 
de escritórios do Senado em Washington por causa de correspondências suspeitas 

Policiais prenderam nesta quarta-feira um suspeito de envolvimento no envio de uma carta com veneno para o presidente Barack Obama. O suspeito é um homem de sobrenome Curtis, morador do Mississippi. Ele seria conhecido da polícia por enviar cartas a congressistas frequentemente, segundo o jornal The Washington Post. Curtis é suspeito de enviar três cartas pelo correio, com uma “substância granulada que preliminarmente foi identificada como ricina”, segundo o FBI. 

Testes preliminares realizados na correspondência suspeita apontaram a presença de ricina, substância altamente tóxica encontrada na mamona. A correspondência foi interceptada pelo serviço de triagem da Casa Branca, que fica fora do complexo presidencial. O FBI informou que o conteúdo da correspondência endereçada ao presidente Obama foi enviado a um laboratório acreditado para ser analisado mais profundamente, e os resultados devem ser liberados em até 48 horas.

Correspondências suspeitas também levaram a polícia do Capitólio a evacuar algumas áreas do Senado, que foram liberadas depois que nenhuma substância prejudicial foi encontrada.

Na terça-feira, autoridades dos correios dos Estados Unidos interceptaram outra carta que continha ricina, enviada ao senador republicano Roger Wicker, eleito pelo Mississippi. De acordo com mensagem de alerta aos senadores escrita pelo sargento do Senado, Terrance Gaines, a carta foi postada em Memphis, no Tennessee, e não tinha remetente. O veneno foi detectado durante uma inspeção de rotina em uma dependência externa do prédio do Congresso.

As cartas enviadas ao presidente e ao senador republicano foram postadas em Memphis, no Tennessee, no dia 8 deste mês. Fontes policiais informaram que as cartas tinham como assinatura: “Eu sou KC e eu aprovo esta mensagem”. 

Mais cedo, nesta quarta, o FBI informou que uma investigação sobre as correspondências com substâncias suspeitas enviadas ao congressista e ao presidente Obama não apontou nenhuma ligação com o atentado em Boston.

De qualquer forma, as correspondências interceptadas aprofundam o clima de preocupação com segurança que voltou aos EUA depois do atentado.

Os novos incidentes com cartas e pacotes lembram os ataques com antraz realizados após os atentados contra as torres do World Trade Center e o Pentágono em 11 de setembro de 2001.  

Saiba mais:

RICINA
A ricina é um veneno encontrado na mamona e que pode estar em forma de pó ou de pastilha, ou então ser dissolvido em água. Segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), órgão federal de saúde dos Estados Unidos, a ricina vem sendo usada em experimentos médicos como forma de matar as células cancerígenas. A não ser que uma pessoa tenha a intenção de expor a outra à ricina, ou que um indivíduo mastigue a mamona, é muito difícil entrar em contato com essa substância involuntariamente.

Não há, de acordo com o CDC, antídoto para a ricina. A única forma de tratar uma pessoa que entrou em contato com a substância é minimizar os efeitos do envenenamento.

A exposição à ricina pode acontecer por meio da inalação, ingestão, injeção ou contato com a pele. Uma vez no corpo, essa substância entra nas células e impede que elas produzam as proteínas necessárias para funcionarem e viverem. Os sintomas do envenenamento por ricina variam de acordo com a forma de exposição ao composto, mas podem incluir dificuldade para respirar, febre, tosse, edema pulmonar, baixa pressão arterial, vômitos, diarreia, vermelhidão na pele e irritação nos olhos. A morte por envenenamento de ricina pode ocorrer dentro de 36 a 72 horas, dependendo da forma de contato e da quantidade da substância exposta.