Gabriela Valente
O Globo
Juro bancário para pessoa física registra pequeno recuo
BRASÍLIA - Por causa do baixo crescimento da economia, o Brasil vive um processo de moderação do crescimento do crédito e de acomodação das taxas de juros e do nível de inadimplência, apesar do endividamento recorde. A análise foi feita no relatório mensal sobre empréstimos bancários, divulgado nesta sexta-feira pelo Banco Central (BC). No país, há R$ 2,4 trilhões em empréstimos concedidos. O total de crédito cresceu 1,1% no mês passado, e acumula 16,4% nos últimos 12 meses. E a expectativa do BC é que a marcha fique ainda mais lenta até o fim do ano, quando o ritmo de crescimento do crédito deve chegar a 14%.
Abril foi um mês em que as concessões de novos financiamentos caíram 4% em média. E a maior queda foi sentida nos empréstimos para as empresas. Na média, a redução foi de 4,2% nos valores dos contratos para pessoas jurídicas no mês passado.
Segundo o documento divulgado hoje, o nível de calote das famílias caiu levemente 0,1 ponto percentual para 5,3% em abril. Já a inadimplência das empresas percorreu o caminho inverso, aumentou 0,1 ponto percentual para 2,3% no mês passado.
Apesar da alta da taxa básica de juros (Selic), que encarece o crédito no mercado, a média das taxas de juros cobradas pelos bancos das famílias brasileiras caiu, em abril, 0,1 ponto percentual para 24,3% ao ano. Foi um pequeno ajuste depois de os bancos terem elevado bastante os juros antes mesmo de o Comitê de Política Monetária (Copom) começar a apertar o cerco contra a inflação. De acordo com a autoridade monetária, a pequena queda no custo financeiro para as famílias é resultado da diminuição das taxas de cartão de crédito e crédito pessoal. A disposição de trocar dívidas caras por outras mais baratas também colaborou.
- É a busca por um crédito mais longo e mais barato _ afirmou o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel. _ Saem do cheque especial e buscam algo mais barato como o consignado.
Já a média para os juros bancários para as empresas ficou estável no mês passado em 14% ao ano. Segundo o BC, o spread bancário ( diferença de quanto custa o dinheiro para o banco e por quanto ele empresta) ficou estável em 11,7 ponto percentual. Essa é a média do spread tanto para pessoas físicas quanto jurídicas.