sexta-feira, maio 10, 2013

GRES Desunidos da Caxirola


Maria Helena RR de Sousa
Brickmann & Associados Comunicação

... ao samba e à Bahia, afinal a Boa Terra foi onde nascemos. E de onde vem a sonora ideia do novo nome. Grêmio Recreativo Escola de Samba Desunidos da Caxirola. Sai de vez o vermelho-fogo, ficam o verde das matas e o amarelo do ouro que torramos animados de norte a sul. Seremos caxiroleiros e...



Queridos brasileiros, venho propor uma mudança em nosso nome. 

Sei não, mas parece que República Federativa do Brasil não está com bons fluidos. Brasil, como sabiam muito bem os portugueses, vem de brasa, da linda cor vermelha do nosso desaparecido Pau Brasil.

Brasa lembra fogo. Que lembra destruição. Não era melhor trocarmos o nome para algo mais de acordo com nosso espírito alegre e juvenil?

Sugiro uma homenagem ao samba e à Bahia, afinal a Boa Terra foi onde nascemos. E de onde vem a sonora ideia do novo nome.

Grêmio Recreativo Escola de Samba Desunidos da Caxirola. Sai de vez o vermelho-fogo, ficam o verde das matas e o amarelo do ouro que torramos animados de norte a sul. 

Seremos caxiroleiros e caxiroleiras, sempre dispostos a desfilar em passarelas ou avenidas para cantar e sambar, manifestarmo-nos pela liberação da maconha, pela glória de ser gay, pelo casamento entre iguais ou diferentes ou mais ou menos.
Desunidos somos e sempre seremos. Ainda bem. Se tal não fosse, teríamos tomado providências contra os destemidos administradores de nossas cidades, o que seria um belo pecado do lado de baixo do Equador.

Por exemplo, o carioca Eduardo Paes. Li na Folha de São Paulo do dia 2 de maio (*) uma nota assinada pela jornalista Paula Cesarino Costa onde ela nos informa o seguinte: Paes, prefeito do Rio, mui justamente acha que dinheiro público deve ser investido em "coisas que dão projeção à cidade". 

Aplausos! 

Em seguida, corta a subvenção de R$8 milhões que a Prefeitura do Rio repassava para a Orquestra Sinfônica Brasileira. Esse apoio, dado há 20 anos, na opinião do prefeito não fazia bem à cidade. 

Muito mais eficiente como política cultural foi o que ele fez em vez de: R$7 milhões para dois shows do Stevie Wonder, aquele músico, coitadinho, que sem apoio não vai longe; R$ 1,3 milhões para Luan Santana encenar um belo show somente para funcionários públicos.

Mas o mais extraordinário, a la Hitchcock, deixei para o fim: R$1 milhão para Bebel Gilberto gravar um DVD nas areias das praias do Rio! Vai vender mais que grão de areia!

Falem a verdade, não é uma política cultural brilhante, digna de caxiroleiros como nós?