O Globo
Estudo feito por grupo de estudos da FGV calcula que Brasil terá de dobrar capacidade dos principais aeroportos
SÃO PAULO - Os 20 principais aeroportos brasileiros precisarão receber investimentos entre R$ 25 bilhões e R$ 34 bilhões até 2030 para atender o crescimento de cerca de 10% anuais da demanda e dar conta do atendimento ao usuário. Essa é a conclusão do estudo apresentado nesta segunda-feira pelo Grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que afirma que “os aeroportos brasileiros estão em frangalhos”.
O estudo salienta que o número de pousos e decolagens por hora no Brasil é de 38, equivalente a 43% da média internacional (de 88). Já o tempo da liberação de cargas no País é 10 vezes superior à média internacional: são 3,714 minutos ao ano nos aeroportos brasileiros, contra 324 na média mundial.
— Será necessário investir muito para dotar o Brasil de aeroportos adequados. Um concessionário privado, que visa lucro e tem que prestar contas aos seus acionistas, só fará isto se houver boa regulação e concorrência para conquistar clientes — afirmou Gesner Oliveira, coordenador do estudo, que já presidiu o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Sabesp.
As críticas mencionadas no estudo chegam em um momento de esforço do governo para atrair a atenção de investidores à nova rodada de licitação para a concessão dos aeroportos internacionais de Galeão, no Rio de Janeiro, e Confins, em Belo Horizonte. Oliveira também sugeriu que Galeão não seja concedido ao grupo que venceu em fevereiro de 2012 a licitação de Guarulhos, liderado pela Invepar em parceria com a sul-africana ACSA,.
— Se Galeão e Guarulhos forem operados pelo mesmo grupo econômico controlado há risco de excessiva concentração de mercado, capaz de prejudicar não apenas o transporte aéreo, mas o desenvolvimento nacional — disse Oliveira, completando que os dois aeroportos represetam cerca de 84% da movimentação internacional de passageiros no Brasil.
O material produzido pela FGV aponta ainda que, em uma amostra de 142 do Fórum Econômico mundial, a qualidade dos transportes no Brasil ocupa a 134ª posição. Segundo Oliveira, esperar para “corrigir” os atuais gargalos tornará o processo mais “difícil e custoso, especialmente em um país como o Brasil que não pode se dar ao luxo de não investir”.
