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Sabrina Craide, Agência Brasil
O vídeo e a campanha “Copa para quem?” foram lançados simultaneamente à 23ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU)
Marcello Casal Jr/ABr
Mascote da Copa do Mundo 2014:
a denúncia foi organizada pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop).
Rio de Janeiro – Movimentos sociais brasileiros apresentaram hoje (28), em Genebra, Suíça, documentário denunciando remoções forçadas de moradores para obras relacionadas à Copa do Mundo de 2014. O vídeo e a campanha “Copa para quem?” foram lançados simultaneamente à 23ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que começou ontem e continua até 14 de junho.
A denúncia, apresentada em sala da sede europeia da ONU, em Genebra, onde ocorre a sessão do Conselho de Direitos Humanos, foi organizada pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop). A entidade reúne mais de 30 entidades e grupos contrários às violações de direitos humanos cometidas no processo de preparação urbanística para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
A coordenadora da Ancop, Cláudia Favaro, disse que as denúncias contidas no vídeo são impactantes, ao mostrar casos de famílias em diversas cidades do Brasil que sofreram com a repressão da polícia durante a remoção e que, após perderem suas casas, não foram devidamente indenizadas.
“Temos uma estimativa de que mais de 200 mil pessoas serão removidas de suas casas para dar lugar às obras, e o vídeo mostra bem esse contexto que o Brasil está vivendo”, contou ela. Com o nome Quem Ganha Esse Jogo? (no título em inglês, Who Wins This Match?), o vídeo foi produzido pela ONG norte-americana Witness, que apoia grupos de defesa de direitos humanos em todo o mundo por meio da documentação dos abusos denunciados.
Segundo Cláudia, as ações têm o objetivo de sensibilizar a ONU para que recomende ao governo brasileiro suspender as remoções forçadas. O grupo já havia feito denúncias na sessão passada do Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas segundo Cláudia, não foi suficiente. “O vídeo não é nem a primeira nem a última [iniciativa]. Continuaremos insistindo até a Copa do Mundo e depois da Copa do Mundo, pois, certamente, teremos muito o que reparar no país”.
A representante da Ancop criticou a postura do governo brasileiro de produzir relatórios sobre a situação que não se traduzem em ações. “Para nós, o monitoramento é bom, mas o que esperamos de fato é que tomem [governo] uma providência. Não basta saber o que está ocorrendo, é preciso evitar que essas pessoas continuem a ter os direitos violados”, concluiu.
A Agência Brasil procurou o Ministério das Relações Exteriores para obter uma posição do governo brasileiro sobre o assunto, mas até o fechamento da matéria não houve resposta por parte do Itamaraty.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Mas a preocupação com a realização da Copa em 2014, não restringe apenas aos aspectos sociais relacionados a desocupação de milhares de famílias de suas casas.
Ela alcança também a elitização do futebol brasileiro. Os preços dos ingressos, conforme temos observados nas "arenas" já concluídas e entregues, está completamente fora da capacidade financeira do verdadeiro torcedor, aquele que sustenta seu clube do coração. Este torcedor não tem como frequentar assiduamente os novos estádios, pagando valores entre R$ 90,00 até R$ 200,00 por jogo, sabendo-se que este torcedor recebe entre 1 a 2 salários mínimos por mês.
O resultado é que, passadas as Copas das Confederações e do Mundo, veremos imensas arenas vazias, sem vibração, sem alma, sem torcida, sem aquela emoção que fez do futebol o esporte mais popular do país. Estamos tirando do povo pobre do Brasil, quiçá, sua única alternativa de lazer, aquela que seu salário minguado poderia sustentar.
Além disto, o bilionário custo de construção destas "arenas", que se prometiam serem financiadas pelo capital privado, e que em sua maioria está sendo bancado com dinheiro do contribuinte, ficará pendurado nas contas do Tesouro para serem pagas ao longo de algumas décadas. Dinheiro que está sendo desviado para agradar uma parcela mínima da população que gosta de futebol mas que será a única a ter condições de frequentar os estádios em dias de jogo. Estes bilhões teriam muito melhor benefício PARA TODOS, e não apenas para alguns poucos, se canalizados para educação, saúde, segurança e transporte público. Para as indispensáveis obras de infraestrutura, hoje em estado terminal. Para saneamento básico num país em que mais da metade de sua população ainda não pode se alegrar com tal benefício indispensável.
É bom não esquecer, ainda, do quanto de soberania nacional precisamos abrir mão em favor da FIFA, a quem pertencerá, com total exclusividade, o lucro total do evento. Por aqui, apenas os maus políticos e os gananciosos empreiteiros conseguirão lucrar em cima da nossa miséria.
Convenhamos, é um retorno irrisório para um investimento econômico e social tão imenso! Querem coisa mais retumbante para consagrar a máxima romana do "pão e circo" do que copa do mundo no Brasil?
