domingo, junho 02, 2013

Os governos atrasaram as obras. E você vai pagar o pato

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Saiba como a demora na entrega dos estádios da Copa das Confederações vai prejudicar a experiência dos torcedores no ensaio-geral para o Mundial de 2014

Ricardo Moraes/Reuters 
Problemas com obras 
no entorno do Maracanâ, mesmo depois de “inaugurado”.

Quem estava ansioso para experimentar em sua cidade um evento com padrão de qualidade Fifa terá de aguardar mais um ano, já que, nesta prévia da Copa, é quase certo que haverá falhas e tropeços

O Brasil já sabia havia muito tempo que seria o palco da Copa do Mundo de 2014. Por causa do rodízio entre continentes, o torneio viria de qualquer forma para a América do Sul - e, em março de 2006, a Conmebol manifestou apoio total ao seu projeto. Candidato único, foi confirmado pela Fifa como sede do evento em outubro de 2007. Nunca um país tinha conquistado essa oportunidade com tamanha antecedência. Mas esse confortável prazo para reformar os estádios e construir novas arenas parece não ter sido o bastante para a sétima maior economia do planeta. O Brasil entrou neste sábado no mês da Copa das Confederações, um grande ensaio para o Mundial do ano que vem, em situação muito distante do ideal. A presidente Dilma Rousseff usou a máquina de comunicação estatal para alfinetar os críticos e propagandear a entrega dos seis estádios a tempo de receber a competição. Todos os seis palcos da Copa das Confederações - obras dos governos estaduais das seis sedes - estão, de fato, inaugurados e entregues; totalmente concluídos e testados, porém, eles ainda não estão.

Celso Pupo/Fotoarena 
O Maracanã na quarta-feira,
 a apenas quatro dias do amistoso entre Brasil x Inglaterra 

A Fifa repete há muito tempo que precisa de um período de seis meses entre o encerramento das obras e o início de uma competição oficial para acertar todos os detalhes, eliminar todas as falhas e melhorar tudo o que deixou a desejar nos eventos-teste. Como entregou tudo em cima da hora - o prazo, inicialmente previsto para dezembro de 2012, foi adiado três vezes -, o país não teve tempo suficiente para permitir esses ajustes. E quem vai sair perdendo, como de costume, é a população - que, aliás, bancou todas as obras, já que todos os seis estádios construídos ou reformados para a Copa das Confederações tiveram recursos públicos. Quem estava ansioso para experimentar em sua cidade um evento com padrão de qualidade Fifa terá de aguardar mais um ano, já que, nesta prévia da Copa, é quase certo que haverá falhas e tropeços. E os pontos vulneráveis são, não por coincidência, consequências diretas da lentidão dos trabalhos nos palcos da festa. Que a lição seja aprendida e que, para 2014, os prazos sejam cumpridos.