Sérgio Vieira
O Globo
Em relação a maio de 2012, houve alta de 4,5%. Já no acumulado do ano, o comércio subiu 3,3%
Consumo estagnado, inflação e inadimplência impedem crescimento nas vendas do varejo no mês de maio
Hudson Pontes/26-4-201 / Agência O Globo
O setor de alimentos impediu uma queda maior do varejo
RIO - As vendas no comércio varejista ficaram estáveis em maio, na comparação com abril, informou nesta quinta-feira a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada pelo IBGE. Em relação ao ano passado, houve alta de 4,5%. Já no acumulado do ano, o comércio subiu 3,3%. Como os dados foram coletados antes das manifestações de junho - que fecharam lojas em todo o Brasil, causando impacto nas vendas do comércio de rua além de arrefecer a confiança dos consumidores - o resultado indica que a economia brasileira se encontra em momento delicado e a tendência, para junho, é de que mesmo com a Copa das Confederações o indicador não seja expressivo.
— Se não fosse o Dia das Mães, é provável que o resultado tivesse sido pior — analisa Reinaldo Silva Pereira, economista da coordenação de serviços e comércio do IBGE. — Os dados de maio mostram que o comércio já deu uma segurada e indicam que está em uma situação delicada. O comércio se comporta de acordo com o movimento de crescimento da economia, a gente não está em um bom momento: o resultado do PIB decepciona, a inflação está alta e a inadimplência está forte e tudo junto corrói a renda.
Em maio, quatro das dez atividades pesquisadas tiveram crescimento quanto ao volume de vendas na comparação com abril. A principal alta veio do segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,9%). Na sequência estão combustíveis e lubrificantes (0,6%), móveis e eletrodomésticos (0,4%) e veículos e motos, partes e peças (0,4%). Por sua vez, quando analisado o comércio varejista ampliado - que inclui o varejo e mais as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção - houve recuo de 0,8% no volume de vendas.
Pesaram para o resultado de maio os segmentos outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,9%); material de construção (-1,9%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,0%); livros, jornais, revistas e papelaria (-2,2%); tecidos, vestuário e calçados (-2,6%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-2,6%).
— Não é surpresa os setores ligados a alimentos estarem em alta e os outros segmentos em queda. As famílias tendem a deslocar gastos para alimentação, que é obrigatória, mesmo com os preços em patamares mais elevados e deixam de gastar com setores que passam a ser considerados supérfluos, como artigos pessoais e livros — afirma Reinaldo.
Já na comparação com maio de 2012, apenas a atividade de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação ficou negativa (-0,5%). As demais atividades do varejo obtiveram aumento no volume de vendas, cujas taxas foram: 2,6% para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; 8,8% para combustíveis e lubrificantes; 6,8% para móveis e eletrodomésticos; 8,4% em outros artigos de uso pessoal e doméstico; 8,1% para artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; 1,3% para tecidos, vestuário e calçados; e 0,5% para livros, jornais, revistas e papelaria.
Mesmo com o resultado pouco animador, a LCA manteve inalterada em 5% a projeção para o crescimento do volume de vendas do comércio varejista em 2013 - após elevação de 8,4% em 2012. Para 2014, a LCA espera uma alta de 5,5%.
O aumento da inflação é apontado como o principal fator para o fraco desempenho do comércio varejista. De acordo com o IBGE, em abril na comparação com o mês anterior, a inflação atingiu especialmente o segmento de hipermercados e supermercados, em queda desde fevereiro.
A inflação desacelerou 0,26% no mês de junho, abaixo das projeções do mercado, mesmo assim, pela segunda vez neste ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superou o teto da meta de 6,5% fixado pelo governo para 2013. A inflação já havia estourado o teto em março, quando atingiu 6,59% no acumulado em 12 meses. Mas, nos próximos meses, preveem analistas, a tendência é de desaceleração do indicador, que deve fechar o ano perto de 6%.
Em abril, o setor que registrou o melhor resultado foi o de veículos e motos, partes e peças, que subiu 0,4%, descontando-se os efeitos sazonais. Foi a segunda alta consecutiva do setor de veículos e motos, partes e peças, que havia subido 1,9% em março na comparação com fevereiro, na série dessazonalizada. No mesmo mês, o volume de vendas de veículos e motos, partes e peças ficou 22,4% acima do observado em igual mês de 2012.
